O que aprendi com Nizan Guanaes sobre construir um diferencial na carreira
A apresentação de Nizan Guanaes na B55 Conference trouxe reflexões sobre liderança de mercado que também podem ser aplicadas à carreira, como proposta de valor, experiência, repertório e construção de reputação.
O publicitário Nizan Guanaes esteve hoje na B55 Conference. Ao acompanhar sua apresentação sobre liderança de mercado, fiquei pensando em uma pergunta que também vale para a carreira: por que alguém escolheria trabalhar comigo?
A resposta fica mais interessante quando conseguimos descrever uma contribuição concreta. Entender um problema com profundidade, explicar um assunto difícil, organizar uma operação ou entregar algo que facilita o trabalho de outras pessoas são diferenças que podem ser percebidas.
Nizan falou sobre proposta de valor, experiência, contato com o público e repertório. Levo desses temas algumas aplicações para quem está estudando, começando uma trajetória ou buscando uma nova etapa profissional.
Uma das ideias da aula foi construir um jeito próprio de gerar valor. Para uma empresa, isso significa fazer escolhas sobre o público que atende e a experiência que oferece.
Para uma pessoa, minha interpretação é entender onde suas capacidades ajudam mais.
Eu começaria olhando para situações reais. Em que tipo de problema seus colegas pedem ajuda?
Qual entrega sua costuma ser reconhecida? Que dificuldade você consegue explicar ou resolver bem? Depois, compararia essas percepções com as competências que o trabalho exige.
Esse exercício ajuda a transformar adjetivos em evidências. Em vez de dizer apenas que você é organizado, pode mostrar como estruturou uma rotina que evitou esquecimentos e ajudou o time a cumprir um prazo.
Quem ainda não tem experiência profissional pode buscar exemplos em projetos de estudo, atividades voluntárias ou trabalhos em grupo.
O objetivo é reconhecer o que já consegue demonstrar e o que ainda precisa desenvolver.
Nizan insistiu na importância de estar perto do público. Criticou o isolamento de quem passa a conhecer o cliente apenas por relatos de outras pessoas.
Na carreira, eu levaria isso para uma prática simples: conversar com quem utiliza minha entrega. Um relatório pode estar tecnicamente correto e ainda ser difícil de usar. Uma apresentação pode ser bonita e deixar a pergunta principal sem resposta.
Ao concluir um trabalho, vale perguntar: “O que aqui ajudou você? O que ficou confuso? O que você precisou fazer depois que eu poderia ter facilitado?”.
Ouvir a resposta sem interromper para defender cada escolha exige esforço. Mas é justamente nessa conversa que aparece a distância entre a nossa intenção e o efeito do que fizemos.
O exemplo da portaria de um escritório, trazido na aula, mostrou como um pequeno contato pode afetar a experiência inteira do cliente. A reputação profissional também se forma em situações que parecem menores.
Avisar cedo quando um prazo está em risco, escrever uma mensagem compreensível, preparar uma reunião e cumprir um combinado são comportamentos observáveis. A repetição deles ajuda as pessoas a saber o que podem esperar de você.
Minha aplicação seria escolher um detalhe que hoje gera dificuldade para quem trabalha comigo e melhorá-lo nesta semana.
Talvez seja a forma de organizar arquivos, a clareza de uma passagem de tarefa ou o tempo que levo para sinalizar um impedimento.
Nizan também falou sobre estudo e convivência com pessoas que nos fazem evoluir. Isso me parece especialmente útil quando dominamos uma rotina e começamos a repetir as mesmas respostas.
Um curso, um livro ou uma conversa com alguém de outra área pode apresentar uma forma diferente de enxergar o problema. Para aproveitar esse contato, eu escolheria uma ideia e procuraria uma situação em que pudesse testá-la.
Também buscaria uma pessoa capaz de oferecer um retorno específico sobre meu trabalho.
Pedir que ela aponte um exemplo e uma possibilidade de melhoria torna a conversa mais útil. Opiniões precisam ser examinadas; a disposição para escutar não exige concordar com tudo.
Complete a frase: “Eu ajudo esta pessoa ou este time a resolver este problema por meio desta capacidade”. Em seguida, escolha uma entrega que demonstre essa contribuição e peça feedback a quem a recebeu.
O aprendizado que levo da aula é que um diferencial profissional se constrói com competência, prática e percepção de quem trabalha com a gente.
Quanto melhor consigo entender essa relação, mais direção tenho para escolher o que estudar e como melhorar minha próxima entrega.