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Playing to Win: o framework de Roger Martin que transformou a P&G

Entenda como o framework Playing to Win, de Roger Martin e A.G. Lafley, ajudou a estruturar a estratégia da P&G e conheça as cinco escolhas estratégicas do modelo.



Em resumo:

  • O Playing to Win, desenvolvido por Roger Martin e A.G. Lafley, trata estratégia como um conjunto de escolhas sobre onde competir e como vencer.
  • O framework é estruturado em cinco escolhas estratégicas: aspiração de vitória, onde jogar, como vencer, capacidades necessárias e sistemas de gestão.
  • O modelo ganhou destaque a partir da transformação da P&G nos anos 2000, ao conectar decisões estratégicas, capacidades organizacionais e execução.

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Your Personal Playing to Win Strategy | by Roger Martin | Medium

Em 2000, a Procter & Gamble (P&G) enfrentava uma das fases mais difíceis de sua história. A empresa havia perdido quase metade de seu valor de mercado em dois anos, o CEO havia sido substituído e analistas questionavam a capacidade da companhia de recuperar sua relevância.

Uma década depois, o cenário era diferente. A P&G reunia cerca de 50 marcas bilionárias, entre elas Pampers e Gillette, e havia mais do que triplicado seu valor de mercado.

Uma das ferramentas associadas à transformação da empresa foi o Playing to Win, framework de estratégia desenvolvido por Roger Martin, então decano da Rotman School of Management, em parceria com A.G. Lafley, CEO da P&G durante o período de recuperação.

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O modelo foi apresentado no livro Playing to Win: How Strategy Really Works, publicado em 2013, e passou a ser utilizado como referência para empresas que buscam estruturar decisões estratégicas e definir com mais clareza onde competir e como construir vantagem competitiva.

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O que é o Playing to Win?

A ideia central de Roger Martin é que estratégia é escolha.

Para o autor, estratégia não deve ser confundida com um plano, uma declaração de visão ou uma lista de objetivos. Ela envolve um conjunto de escolhas integradas sobre onde uma organização pretende competir e como pretende vencer.

Isso significa que uma estratégia precisa estabelecer prioridades e, principalmente, definir o que a empresa não fará.

Martin critica o que chama de uma espécie de “estratégia de bom gosto”: declarações genéricas como “seremos líderes em inovação” ou “vamos colocar o cliente no centro”, sem decisões concretas sobre mercados, clientes, recursos e formas de competição.

Nesse sentido, uma estratégia não se resume a dizer o que uma empresa deseja alcançar. É preciso definir quais escolhas serão feitas para chegar ao resultado desejado.

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Quais são as 5 escolhas estratégicas do Playing to Win?

O framework Playing to Win organiza a estratégia empresarial em cinco perguntas relacionadas entre si.

1. Aspiração de vitória: o que significa vencer?

A primeira pergunta é: o que significa vencer para a empresa?

A proposta não é estabelecer uma visão genérica de longo prazo, mas definir uma aspiração específica sobre o que representa sucesso para a organização.

Isso envolve considerar aspectos como público, mercado e impacto pretendido.

No caso da P&G, A.G. Lafley estabeleceu como aspiração melhorar a vida dos consumidores ao redor do mundo por meio de marcas e serviços de qualidade superior.

A definição dessa aspiração ajuda a orientar as escolhas seguintes e estabelece uma direção para a estratégia.

2. Onde jogar: em quais mercados competir?

A segunda escolha é definir onde a empresa vai jogar.

Isso envolve determinar os mercados, regiões, categorias de produtos e segmentos de consumidores que receberão atenção e recursos.

Uma organização possui recursos limitados e, por isso, não consegue competir da mesma maneira em todos os mercados.

A escolha de onde jogar também determina onde não jogar. Essa dimensão é importante porque uma estratégia precisa estabelecer prioridades, em vez de tentar atender a todas as oportunidades disponíveis.

3. Como vencer: qual será a vantagem competitiva?

Depois de definir onde competir, a empresa precisa responder: como vai vencer nesses mercados?

A pergunta busca identificar a fonte de vantagem competitiva da organização.

Dependendo do negócio, essa vantagem pode estar relacionada a fatores como:

  • menor custo;
  • diferenciação de produtos ou serviços;
  • experiência do cliente;
  • qualidade;
  • tecnologia;
  • distribuição;
  • acesso a determinados mercados;
  • relacionamento com consumidores.

O ponto central é estabelecer o que fará a empresa se diferenciar dos concorrentes nos mercados escolhidos.

4. Capacidades necessárias: o que a empresa precisa saber fazer?

As escolhas estratégicas também precisam ser sustentadas por capacidades organizacionais.

Por isso, a quarta pergunta do Playing to Win é: quais capacidades são necessárias para executar a estratégia?

Essas capacidades podem envolver pessoas, processos, tecnologia, conhecimento, operações e outros recursos necessários para transformar a estratégia em execução.

Uma empresa que decide competir com base em inovação, por exemplo, precisa desenvolver capacidades compatíveis com essa escolha.

O mesmo vale para organizações que adotam estratégias baseadas em custo, experiência do cliente, distribuição ou diferenciação.

5. Sistemas de gestão: como sustentar a estratégia?

A última escolha trata dos sistemas de gestão necessários para manter a estratégia em funcionamento.

Processos, métricas, estruturas organizacionais e mecanismos de acompanhamento precisam estar alinhados às escolhas anteriores.

Essa dimensão também ajuda a evitar que a estratégia seja abandonada diante de mudanças de liderança, pressões de curto prazo ou alterações no ambiente competitivo.

Na prática, os sistemas de gestão ajudam a conectar a definição da estratégia à rotina da organização.

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Por que o framework Playing to Win é usado em estratégia empresarial?

Um dos principais elementos do Playing to Win é a coerência entre as cinco escolhas estratégicas.

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Não basta definir uma aspiração de vitória se a empresa não possui as capacidades necessárias para colocá-la em prática.

Da mesma forma, escolher determinado mercado não é suficiente se a organização não consegue estabelecer uma forma clara de competir nele.

As cinco escolhas funcionam, portanto, como partes de um mesmo sistema:

Aspiração de vitória → Onde jogar → Como vencer → Capacidades necessárias → Sistemas de gestão

A lógica do framework é evitar que decisões estratégicas sejam analisadas de forma isolada.

+ O que é planejamento estratégico: guia completo em 2026

Como o Playing to Win se relaciona com a transformação da P&G?

A experiência da P&G ajudou a dar visibilidade ao modelo.

Durante a transformação da empresa, as escolhas estratégicas contribuíram para discussões sobre quais marcas e mercados deveriam receber investimentos e quais negócios não estavam alinhados à estratégia definida.

Isso significou tomar decisões sobre áreas que faziam parte da história da companhia, mas que não necessariamente contribuíam para as prioridades estabelecidas.

O caso demonstra uma característica importante do Playing to Win: estratégia também envolve renunciar a determinadas opções.

Ao definir onde jogar e como vencer, a empresa estabelece prioridades para seus recursos, capacidades e esforços de gestão.

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Como aplicar o Playing to Win em uma empresa?

O framework pode ser utilizado para estruturar uma discussão estratégica a partir de cinco perguntas:

  1. O que significa vencer para a organização?
  2. Em quais mercados, segmentos ou categorias a empresa vai competir?
  3. Como a empresa pretende construir vantagem competitiva nesses mercados?
  4. Quais capacidades são necessárias para executar essa estratégia?
  5. Quais sistemas de gestão, processos e métricas vão sustentar as escolhas?

Responder às cinco perguntas de forma integrada ajuda a transformar objetivos genéricos em escolhas estratégicas mais concretas.

O principal desafio está em responder com honestidade, especialmente às perguntas sobre onde jogar e onde não jogar.

Afinal, uma estratégia só se torna uma escolha quando também estabelece aquilo que ficará de fora.

Você já utilizou o Playing to Win ou algum outro framework de estratégia para estruturar uma decisão empresarial? Qual das cinco escolhas foi mais difícil de responder?

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Sobre o autor

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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