
Redação do Enem 2026: Inep alerta contra ‘repertório de bolso’
| 23/09/26Veja como ampliar o repertório para a redação do Enem 2026 e entenda por que o Inep alerta contra o “repertório de bolso”.
Veja como ampliar o repertório para a redação do Enem 2026 e entenda por que o Inep alerta contra o “repertório de bolso”.
Em resumo:
Veja mais abaixo!
Na reta final para o Enem 2026, preparar-se para a redação não significa apenas treinar a estrutura do texto ou memorizar citações. A Cartilha do Participante, divulgada recentemente, chama a atenção para o chamado “repertório de bolso”, formado por referências prontas e genéricas.
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Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova, o repertório utilizado na redação precisa ser pertinente, contextualizado e articulado aos argumentos.
Por isso, mais do que acumular frases e referências, o candidato deve aprender a relacionar conhecimentos de diferentes áreas aos problemas discutidos na redação. A seguir, entenda como ampliar o repertório para a redação da forma correta!

O Inep define como “repertório de bolso” as referências prontas e memorizadas que são utilizadas de forma genérica e pouco aprofundada, muitas vezes sem uma conexão genuína com o tema proposto.
Na prática, isso pode acontecer quando o candidato memoriza uma citação, um autor ou uma obra considerada “coringa” e tenta encaixá-la em diferentes temas sem explicar adequadamente sua relação com o argumento.
A orientação do Inep é que o repertório seja pertinente ao assunto, contextualizado e articulado à argumentação. Quando uma referência é inserida de maneira automática ou forçada, ela pode ser considerada não produtiva e prejudicar a avaliação da Competência II.
O estudante precisa entender a informação que está utilizando e perceber de que maneira aquele conhecimento ajuda a explicar o problema apresentado. Uma notícia, um filme, uma obra literária, um acontecimento histórico ou um conceito estudado em sala podem se transformar em repertório quando são compreendidos e relacionados ao argumento”, explica Taís Guimarães, pedagoga escolar da Legacy School.
O repertório sociocultural não precisa ficar restrito a frases de filósofos ou acontecimentos históricos. Diferentes conhecimentos adquiridos ao longo da formação do estudante podem contribuir para a argumentação.
Entre as possibilidades apresentadas pela Cartilha do Participante estão:
O mais importante é saber por que aquela referência é relevante para o tema e explicar sua relação com o argumento desenvolvido no texto.
Mais importante do que saber citar muitas obras é conseguir explicar por que aquela referência é relevante para o argumento. Quando o estudante consegue fazer essa conexão, ele deixa de apenas mencionar uma informação e passa a utilizá-la como parte da construção do raciocínio”, afirma a pedagoga.
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Mesmo na reta final, ainda é possível ampliar o repertório para a redação. O objetivo não deve ser memorizar o maior número possível de referências, mas desenvolver a capacidade de compreender diferentes assuntos e relacioná-los a possíveis discussões sociais.
Veja algumas estratégias:
Para Taís Guimarães, até o hábito de acompanhar o noticiário pode ser usado como preparação nessa reta final.
O estudante pode transformar o próprio hábito de acompanhar notícias em uma ferramenta de preparação. Ao ler uma reportagem, por exemplo, vale perguntar: qual é o problema apresentado? Quem é afetado? Quais são as causas? Que consequência isso produz? Existe algum conteúdo de História, Geografia, Sociologia, Literatura ou outra área que ajude a compreender essa questão? Esse exercício desenvolve justamente a capacidade de relacionar conhecimentos”, orienta Taís.
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A Cartilha do Participante mostra que filmes e obras literárias podem funcionar como repertório desde que não sejam apenas mencionados. O candidato precisa interpretar a obra e estabelecer uma relação clara entre ela, o tema e seu argumento.
Um dos exemplos apresentados utiliza “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, em uma discussão sobre envelhecimento. A referência se torna produtiva porque o texto não se limita a citar a obra: relaciona a crítica social presente no livro à invisibilização das pessoas idosas.
Outro exemplo recorre ao filme “A Substância” para discutir a influência da mídia na construção de estereótipos relacionados ao envelhecimento. Novamente, o ponto central não é apenas mencionar o filme, mas utilizar elementos da obra para desenvolver o raciocínio.
Ele não precisa conhecer tudo. Pode partir de filmes que assistiu, livros que leu, conteúdos estudados na escola, notícias que acompanhou e até conhecimentos construídos ao longo da própria formação. O mais importante é compreender essas referências e desenvolver a capacidade de relacioná-las”, completa Taís.
O uso do repertório aparece especialmente na Competência II, que avalia, entre outros aspectos, a compreensão da proposta e a aplicação de conhecimentos de diferentes áreas para desenvolver o tema dentro dos limites do texto dissertativo-argumentativo.
Já a Competência III considera a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Por isso, uma boa referência não funciona de maneira isolada. Ela precisa fazer parte da estratégia argumentativa do texto e contribuir efetivamente para sustentar a tese apresentada pelo candidato.
Ao todo, a redação do Enem é avaliada em cinco competências, valendo até 200 pontos cada. Além da compreensão do tema e da construção da argumentação, são avaliados o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, a articulação das partes do texto e a elaboração de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
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