
Redações nota 1000 no Enem 2025: veja 10 exemplos
| 21/09/26Inep mostra redações bem avaliadas no Enem 2025 e explica os pontos fortes dos textos.
Inep mostra redações bem avaliadas no Enem 2025 e explica os pontos fortes dos textos.
Em resumo:
Veja mais abaixo!
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou na última sexta (18) a Cartilha do Participante da Redação do Enem 2026, documento que explica como deve ser a redação do exame e também como será feita a correção dos textos.
Encontre bolsas de estudo de até 80%
A amostra reúne exemplos reais de redações que tiveram bom desempenho no Enem 2025 de candidatos das cinco regiões do Brasil.
A seguir, confira os exemplos apresentados e entenda o que o Inep destacou em cada um deles.

Na Cartilha do Participante do Enem 2026, o Inep reservou uma seção específica para apresentar 10 redações produzidas na edição anterior da prova que receberam boas notas.
O tema da redação do Enem 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Por isso, os textos selecionados apresentam diferentes maneiras de construir uma argumentação sobre o envelhecimento, a população idosa, o etarismo e problemas sociais relacionados ao tema.
Ao apresentar a amostra, o Inep chama atenção especialmente para diferentes recursos que acarretam em uma boa nota:
Atenção: o Inep não apresenta esses textos na cartilha como “redações nota 1000”, no entanto, são redações que receberam boas notas no Enem 2025, portanto, elas devem ser entendidas como exemplos de textos bem avaliados, e não necessariamente como redações que alcançaram a pontuação máxima.
A seguir, veja as redações selecionadas pelo Inep na Cartilha do Participante e, logo depois de cada exemplo, entenda os principais pontos positivos identificados pela equipe responsável pela análise.
O filme “Vitória”, protagonizado pela atriz Fernanda Montenegro, retrata a história, baseada
em fatos reais, de uma idosa que, diariamente, é testemunha de diversos crimes cometidos em frente à sua casa. Na trama, dona Vitória enfrenta preconceitos e estereótipos ao tentar denunciar os delitos, constantemente sendo desacreditada devido à sua idade por parte de autoridades. De forma análoga à obra, a terceira idade brasileira é cercada por estigmas e negligências que impedem a sua plena qualidade de vida. Com base nesse contexto, considerando que mais de 10% da população brasileira é idosa, é essencial analisar os entraves, no campo social e na política, para a construção de uma perspectiva inclusiva acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.
A partir desse cenário, torna-se imprescindível compreender como uma conjuntura social que
busca compulsivamente a produtividade tende a desvalorizar grupos mais velhos. Isso acontece, porque — como apontado pelo filósofo Byung-Chul Han no livro “Sociedade do Cansaço” — com o advento da modernidade, o rendimento constante é priorizado a qualquer custo, mesmo que este seja a inclusão de parcelas minoritárias do Brasil. Em outras palavras, por considerar o trabalho como o elemento mais importante da atualidade, a sociedade percebe os idosos como um grupo não produtivo e, logo, sem valor social, fato evidenciado pela escassez de políticas públicas e atividades socioculturais que tenham como objetivo o bem-estar dessa população. Dessa forma, a terceira idade é abandonada às margens da vida coletiva no Brasil, configurando um sistema excludente.
Ademais, além da exclusão ocasionada pela valorização excessiva da produtividade, o
envelhecimento da população brasileira é colocado em risco pela omissão governamental que cerca essa temática. Tal questão pode ser observada na negligência direcionada aos indivíduos com mais de 60 anos por parte do Estado, que, ao entender as vidas dos mais velhos como menos valiosas, caracteriza o conceito de “necropolítica”, proposto pelo filósofo Achille Mbembe — a existência de um poder político que decide quem vive ou morre. Nesse sentido, as instituições que têm a obrigação de proteger e de garantir a integridade de todos os brasileiros falham ao não promover os cuidados necessários (como saúde e segurança na mobilidade urbana) para a manutenção da vida idosa no Brasil. Assim, a ideia de um brasileiro é inversamente proporcional ao valor de sua vida para o governo.
Portanto, essas problemáticas são significativas e impedem a formação de perspectivas mais
positivas em relação ao envelhecimento no Brasil, tornando urgente uma intervenção. Para isso, é
necessário que o Poder Executivo Federal fomente uma agenda de inclusão e proteção dos idosos. Tal ação ocorrerá por meio da criação de um grupo de trabalho formado por políticos e especialistas na área, para articular medidas e projetos que devem ser implementados pelo governo para garantir os direitos da terceira idade e a sua inserção na vida social. Isso será feito a fim de garantir o bem-estar e uma vivência integral a toda a população brasileira, revertendo cenários como o exposto em “Vitória”.
Por que essa redação recebeu uma boa nota?
Segundo o Inep, a redação apresenta projeto de texto bem definido, argumentação consistente, repertório produtivo e proposta de intervenção original e completa. A tese sustenta que o envelhecimento ainda é visto negativamente no Brasil por dois fatores principais: a valorização excessiva da produtividade econômica e a insuficiência de políticas públicas para pessoas idosas.
O texto utiliza repertórios como “Sociedade do Cansaço”, o conceito de necropolítica, de Achille Mbembe, e a narrativa envolvendo a personagem interpretada por Fernanda Montenegro. Para o Inep, essas referências são pertinentes e, principalmente, produtivas: elas ajudam efetivamente a sustentar os argumentos, em vez de aparecerem apenas como citações.
A análise também elogia a organização da estrutura dissertativo-argumentativa e a proposta de intervenção. Há, entretanto, uma ressalva importante: o Inep identifica alguns problemas de concordância, pontuação, períodos excessivamente longos e escolhas vocabulares pouco precisas. Ou seja, o exemplo mostra que uma redação pode ter excelente construção argumentativa mesmo apresentando alguns desvios linguísticos.
Veja mais: Como estudar 1 hora por dia para o Enem 2026?
+ Como fazer revisão para o Enem 2026 sem tentar estudar tudo?
No filme “Up – Altas Aventuras”, é retratada a vida de um senhor que, após o falecimento de sua
esposa, permanece socialmente isolado. Tal narrativa, embora ficcional, representa uma das perspectivas do envelhecimento, as quais são majoritariamente negativas. Com isso, na sociedade brasileira contemporânea, diversos óticos podem ser empregados para analisar a velhice, entre eles: a exclusão familiar e a violência patrimonial, além das dificuldades enfrentadas por grupos marginalizados para atingir essa idade.
Sob esse viés, a população com mais de 60 anos é comumente excluída do núcleo familiar. Tal
situação ocorre pois, por exemplo, muitos idosos necessitam de cuidados extras, decorrentes da saúde fragilizada, o que ocasiona em seu alojamento em casas de repouso, permanecendo sozinhos e nostálgicos. Isso é exemplificado no livro “Eremos Seis”, no qual a personagem principal, no final da narrativa, é deixada em um convento, onde vive toda sua velhice sem a presença dos filhos. Ademais, a violência patrimonial é frequentemente vivenciada pelos idosos, os quais têm os sentimentos menos prezados enquanto são abordados por familiares em busca de dinheiro ou testemunham brigas pela herança de uma pessoa ainda viva. Desse modo, a velhice, no Brasil, é marcada por situações adversas.
Por outro lado, grande parte da população marginalizada possui dificuldades para envelhecer. Isso é evidente, uma vez que moradores de comunidades e populações ribeirinhas, por exemplo, não possuem acesso a condições básicas de saúde, o que, consequentemente, diminui a expectativa de vida. Além disso, os idosos pertencentes a esses grupos sociais possuem condições financeiras precárias, implicando na necessidade de trabalhar, mesmo que debilitado, para permanecer vivo. Tal situação é evidenciada pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, que, ao abordar o conceito de “necropolítica”, afirma que o Estado tem o poder de decidir quem tem o direito de viver, ocasionando a precariedade da vida da fração marginalizada socialmente. Assim, o envelhecimento é uma perspectiva onírica para essa população brasileira em vulnerabilidade socioeconômica.
Portanto, é notável a necessidade de medidas para reduzir as situações citadas. Para isso, cabe
às famílias a inclusão dos idosos em atividades sociais, podendo ser realizado por meio de visitas
frequentes, visando evitar a “solidão etária”. Além disso, é dever do Ministério dos Direitos Humanos, aliado ao Ministério da Saúde, estabelecer o “Plano Nacional de Apoio ao Envelhecimento”, o qual deve combater a violência patrimonial e visar, mediante a construção de hospitais em comunidades destinados ao tratamento básico e geriátrico, seguida da concessão de benefícios financeiros aos idosos em situação de vulnerabilidade, condições seguras para a velhice. Com isso, as perspectivas negativas que permeiam o ato de envelhecer serão gradualmente eliminadas do contexto brasileiro.
O que o Inep destaca nessa redação?
O Inep considera que a redação apresenta excelente adequação ao tema e desenvolve de maneira consistente tanto os desafios enfrentados pelas pessoas idosas quanto as desigualdades que interferem no processo de envelhecimento no Brasil.
Na introdução, “Up: Altas Aventuras” é utilizado para contextualizar as perspectivas negativas relacionadas à velhice. Depois, o texto desenvolve dois argumentos: a exclusão familiar, acompanhada da violência patrimonial contra idosos, e as desigualdades estruturais que dificultam que populações socialmente marginalizadas consigam envelhecer em condições dignas.
Além da animação, o Inep destaca a utilização do livro “Eremos Eis” e do conceito de necropolítica, de Achille Mbembe. Os repertórios são considerados legítimos, pertinentes e utilizados para fortalecer a argumentação.
A avaliação, porém, também aponta uma oportunidade de melhoria: em determinados momentos, sobretudo nas discussões sobre violência patrimonial e populações vulneráveis, o desenvolvimento fica mais descritivo do que analítico. Mesmo assim, há progressão temática e encadeamento lógico, e o Inep enquadra o desenvolvimento entre os níveis mais elevados da grade.
Em “O Karaíba”, o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no
Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes
das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto,
é nítido que a perspectiva das personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira
enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por
estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei
do Sexagenário – uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta
anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.
Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, “Vitória”, em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.
Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade
brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e
autonomia para idosos – como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital – atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.
Por que essa redação foi bem avaliada?
Na redação de Caio Silva Braga, o Inep destaca a estrutura em quatro parágrafos equilibrados e articulados, o uso consistente da pontuação e da coesão e a abordagem integral do tema.
Na introdução, “O Karaíba”, de Daniel Munduruku, permite estabelecer um contraste entre o respeito aos mais velhos presente na obra e a forma como o envelhecimento foi historicamente tratado na sociedade brasileira.
O segundo parágrafo desenvolve a ideia de que envelhecer no Brasil foi historicamente um privilégio, e não um direito, utilizando a Lei do Sexagenário e uma perspectiva historiográfica para questionar a interpretação da medida como uma conquista efetiva para a população escravizada.
Depois, o filme “Vitória”, protagonizado por Fernanda Montenegro, sustenta o contraponto contemporâneo: a pessoa idosa deixa de ser apresentada somente a partir da fragilidade e assume uma posição de protagonismo e engajamento social.
O Inep também valoriza a conclusão, que apresenta uma intervenção relacionada aos argumentos anteriores e atribui ao Ministério da Educação uma atuação voltada à capacitação e à autonomia dos idosos. Na linguagem, a avaliação aponta excelente domínio da norma-padrão e da coesão, sem inadequações relevantes.
O conceito de transição demográfica refere-se ao processo pelo qual a expectativa de vida em
determinado local cresce exponencialmente, mediante o desenvolvimento da medicina e de tecnologias da saúde. Contudo, esse processo nem sempre ocorre de forma ideal, haja vista a existência, no Brasil, de diferentes perspectivas acerca do envelhecimento, usualmente carregadas de preconceitos. Assim sendo, a desvalorização de saberes antigos e de experiências do passado é uma infeliz realidade na nação brasileira, a qual deve ser combatida para a obtenção da justiça. Nesse prisma, contribuem para a referida configuração o advento de preconceitos etários e a falta de destaque conferida ao assunto.
Em primeira análise: faz-se crucial perceber a negativa presença do etarismo — preconceito
conferido à população idosa — na hodierna conjuntura do país. Nesse cenário, o conto “O Burrinho
Pedrês”, presente na obra “Sagarana”, do célebre escritor Guimarães Rosa, denuncia a existência
de tal discriminação por meio do tratamento dado a Sete-de-Ouros, animal frequentemente evitado e desconsiderado pelo vaqueiro devido unicamente a sua idade. De forma análoga à ficção, muitos cidadãos brasileiros com mais de sessenta anos, os quais por longas décadas contribuíram efetivamente no desenvolvimento e prosperidade do país, percebem suas opiniões e desejos desvalorizados à proporção que sua idade avança. Nessa conjuntura, há o aumento da exclusão social e a diminuição gradativa do senso de pertencimento pela pessoa idosa.
Ademais, a falta de destaque dada ao problema em âmbito nacional atua como perpetuador
de visões preconceituosas e, aliada à inação estatal, diminui a justiça e aumenta desigualdades.
Concomitantemente, por meio da frase “Aquilo sobre o que ninguém fala ou escreve não existe”, o autor Érico Veríssimo ressalta a importância da discussão pública na solução de questões sociais adversas, tais como a discriminação das pessoas pertencentes a terceira idade. Nesse ínterim, enquanto o envelhecimento populacional não for devidamente observado, abordado e acompanhado, não serão concretizadas medidas efetivas no que concerne a melhora da qualidade de vida, inclusão e respeito destinados a esse público, e impedir-se-á a superação do triste cenário.
Portanto, a existência do etarismo e o silenciamento acerca do envelhecimento populacional do
Brasil configuram a base de uma sociedade desfavorável a um público cada vez maior. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação promover a mudança na mentalidade dos jovens, por meio da implantação de palestras nas escolas, cujos palestrantes sejam idosos, os quais teriam por objetivo apresentar a importância da sabedoria cultivada ao longo dos anos vividos e integrar os mais velhos na formação da consciência cidadã. Além disso, o Poder Legislativo deve garantir a inclusão dessa porcentagem na sociedade, ao criar leis que penalizem atos de etarismo. Dessa forma, somente, a transição demográfica concretizar-se-á da melhor maneira possível.
Quais são os pontos fortes dessa redação?
Para o Inep, essa redação apresenta um projeto de texto consistente e muito bem estruturado, com quatro parágrafos equilibrados, boa articulação e desenvolvimento progressivo.
A introdução utiliza o conceito de transição demográfica para mostrar que o aumento da expectativa de vida não é necessariamente acompanhado por uma mudança positiva na maneira como a sociedade enxerga o envelhecimento. A partir disso, são estabelecidos dois problemas: o etarismo e a pouca atenção destinada ao assunto.
No primeiro desenvolvimento, “O Burrinho Pedrês”, de Guimarães Rosa, permite construir uma analogia entre a exclusão do animal idoso e aquela enfrentada por pessoas idosas. No segundo, uma reflexão de Érico Veríssimo serve para argumentar que o silenciamento do envelhecimento contribui para a manutenção das desigualdades.
O principal aprendizado destacado pela análise é que esses repertórios não estão soltos no texto: cada um desempenha uma função na defesa da tese. A conclusão mantém essa coerência ao propor ações do Ministério da Educação e do Poder Legislativo diretamente relacionadas aos dois problemas discutidos.
Saiba mais: Misoginia pode cair no Enem 2026?
O Japão, hoje, é o país mais envelhecido do mundo, de acordo com a ONU — fruto da sua forte
modernização —, e também, a nação com mais suicídios na terceira idade, refletindo a segregação
e o isolamento enfrentados por essa parcela do povo japonês. Analogamente, o Brasil sofre o mesmo processo de envelhecimento, apesar de estar em um estágio inicial — reflexo da industrialização nacional tardia. Logo, urge a discussão de perspectivas acerca do crescimento da população idosa, a fim de evitar a degradação da qualidade de vida dela, como observado na terra das cerejeiras. Tais pontos de vista são:’ a solidão estrutural e a estigmatização no mercado de trabalho.
Nesse contexto, analisa-se esse isolamento coletivo na velhice, vista a sua importância na
temática abordada. À luz disso, o filme do estúdio “Pixar”, Up: Altas Aventuras, narra a vida
de Carl, um idoso que, após a morte de sua esposa, adquire depressão e se isola em casa como
consequência da falta de apoio emocional e de outros relacionamentos afetivos. Paralelamente, no
Brasil hodierno, a ausência de laços entre a terceira idade e outras gerações causa a segregação
dos mais velhos, já que o pouco interessedos mais jovens nessas relações impede a manutenção
da saúde mental da porção sexagenária do povo, como observado em Carl — que se cura apenas
ao conhecer e conversar com um menino na da região do protagonista. Por isso, urge o incentivo
da integração das diferentes faixas etárias no país, a fim de evitar a alienação dos idosos e de
possibilitar um processo de envelhecimento saudável.
Outrossim, debate-se a estigmatização da terceira idade no mercado de trabalho, vista
o seu papel no tema discutido. Desse modo, o filme “Um Senhor Estagiário” retrata um protagonista
sexagenário que, diante de dívidas e da morte de seu cônjuge, força-se a voltar ao trabalho. Porém,
devido a sua avançada faixa etária, o viúvo sofre com o preconceito de seus empregadores — que o
consideram incapaz de acompanhar a evolução das demandas modernas (como o uso da internet) —, colocando-o em posições de baixa qualificação, apesar de sua alta experiência. De forma semelhante, em nosso país, a reprodução da discriminação contra idosos provoca a segregação deles das oportunidades laborais, comprometendo a sua renda e sobrecarregando o sistema previdenciário, já que o imaginário popular perpetua a arcaica associação entre o envelhecimento e a incapacidade, uma ideia já desmistificada pelos avanços da medicina atual. Então, urge a desconstrução desse estigma coletivo, visando à integração da terceira idade ao mercado de trabalho.
Portanto, é vital que asilos e casas de acolhimento promovam a integração da comunidade com
os mais velhos — pertencentes a esses asilos ou não —, por meio de campanhas de conscientização, de passeios e de festivais, visando ao fortalecimento de laços entre gerações e à manutenção da qualidade de vida da terceira idade no país. Ademais, o Ministério do Trabalho — responsável pela regulação das relações laborais — deve inserir os idosos no mercado de trabalho e desconstruir os estigmas associados a essa classe, por meio de cotas que exijam a participação mínima da terceira idade, visando ao aumento da sua empregabilidade e a sua maior participação nas atividades diárias da sociedade. Assim, distanciar-se-á o povo brasileiro do cenário degradante observado no Japão.
Por que esse texto se destaca?
O Inep destaca que a redação possui quatro parágrafos bem estruturados e um projeto argumentativo claramente planejado. Logo na introdução, o participante estabelece uma comparação entre Brasil e Japão para contextualizar o envelhecimento populacional e apresenta os dois problemas que serão desenvolvidos: solidão e estigmatização dos idosos no mercado de trabalho.
No primeiro argumento, “Up: Altas Aventuras” é relacionado ao isolamento vivenciado por pessoas idosas e à importância da convivência entre diferentes gerações. No segundo, “Um Senhor Estagiário” serve para discutir como o preconceito relacionado à idade pode impedir que a experiência profissional dos trabalhadores mais velhos seja valorizada.
Para o Inep, esses repertórios são legítimos, pertinentes e produtivos, pois os filmes não são mencionados somente como exemplos: as situações retratadas nas obras são efetivamente conectadas à realidade brasileira e aos argumentos defendidos.
A análise também ressalta a excelente progressão temática, o domínio da norma-padrão, a variedade vocabular e o uso dos mecanismos de coesão. A conclusão, por sua vez, retoma os dois problemas e apresenta intervenções coerentes com o desenvolvimento.
Na animação infantil “UP: Altas Aventuras”, é retratada a condição solitária de um idoso aposentado que, ao perder a esposa, encontra-se deprimido e sem nenhuma atividade para realizar. Nesse contexto, no Brasil, a exclusão dos idosos é evidente por causa da escassez de políticas públicas relacionadas à saúde e ao lazer, vulnerabilizando-os fisicamente e psicologicamente. Assim, a criação de centros de convivência para idosos e a consolidação do acesso igualitário à saúde representam perspectivas com o objetivo de tornar o envelhecimento na sociedade brasileira digno e humanizado.
Efetivamente, é necessário analisar como a criação de centros de convivência contribuirá para
a pavimentação de um envelhecimento inclusivo no Brasil. Nesse viés, a filósofa francesa Simone de
Beauvoir, na obra A Velhice, explica que os idosos encontram-se em uma fase da vida que exige cuidado e acolhimento; porém, a sociedade, marcada pela lógica de produção capitalista, marginaliza esses indivíduos por não visualizar mais nenhum potencial produtivo em suas vidas. Nessa conjuntura, seguindo os legados de Beauvoir, integrar os idosos, socialmente, em uma comunidade coletiva, é crucial para reverter tal marginalização, uma vez que o contato com outras pessoas da mesma faixa etária e a realização de atividades em grupo ajudaria esses cidadãos a manter uma rotina ativa com uma ampla rede de apoio, o que cessaria o sentimento de exclusão social. Logo, é fundamental que o governo brasileiro promova a criação de centros de convivência para idosos em toda a nação.
Ademais, é importante compreender como o acesso igualitário ao sistema de saúde é capaz de
promover um envelhecimento digno aos cidadãos brasileiros. Sob essa óptica, o filósofo Michel Foucault argumenta que aqueles que detêm o conhecimento da medicina e o controle de hospitais também controlam os corpos dos indivíduos, determinado aqueles que vão viver e aqueles que vão morrer. Nesse sentido, ao privar pessoas idosas e pobres a um serviço de saúde de qualidade, o Estado comprova a teoria de Foucault e impossibilita a inclusão plena desses indivíduos à sociedade, visto que um direito constitucional inalienável é negado a essa parcela da população. Destarte, a criação de políticas públicas para garantir o acesso igualitário ao sistema de saúde brasileiro é essencial à população idosa.
Portanto, é imprescindível que medidas cabíveis sejam efetuadas para que as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira sejam positivas. Para tanto, o Ministério da Saúde — órgão responsável por fiscalizar e promover políticas públicas relacionadas à saúde — deve ampliar os atendimentos à população idosa, por meio de investimentos em hospitais públicos e capacitação de médicos e enfermeiros, a fim de garantir um acesso inclusivo. Outrossim, o Ministério da Cidadania deve promover a criação de novos centros de convivência para idosos, mediante parcerias público-privadas. Dessa forma, os idosos não serão excluídos, e o envelhecimento no Brasil será digno e humanizado.
O que fez essa redação ser bem avaliada?
O Inep identifica um projeto de texto consistente, com progressão temática clara e quatro parágrafos bem delimitados. Na introdução, “Up: Altas Aventuras” é utilizado para contextualizar a solidão e a vulnerabilidade associadas ao envelhecimento.
A argumentação passa então por dois eixos. No primeiro, “A Velhice”, de Simone de Beauvoir, fundamenta a discussão sobre a marginalização das pessoas idosas em uma sociedade orientada pela produtividade econômica e ajuda a defender a importância da convivência comunitária.
No segundo, uma teoria de Michel Foucault sobre o controle dos corpos pelo saber médico é relacionada à desigualdade de acesso aos serviços de saúde. Segundo o Inep, os três repertórios são integrados organicamente à argumentação e desempenham funções específicas na defesa da tese.
A avaliação também destaca o excelente domínio da norma-padrão, a precisão vocabular e a diversidade de conectores empregados. Na conclusão, as intervenções são atribuídas ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Cidadania e respondem diretamente aos problemas de saúde e convivência desenvolvidos anteriormente.
Confira: Como estudar para o Enem 2026 tendo pouco tempo?
+ Videoaulas gratuitas para o Enem 2026: como se preparar de graça para a prova
Em “Vestido de Noiva”, obra teatral do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, Madame Clessi
é uma personagem que, por sua idade avançada, se descreve por meio de diversos adjetivos pejorativos, mesmo que ela seja admirada pela personagem principal da trama, Alaíde. A situação escancara uma perspectiva da sociedade brasileira acerca da velhice: os idosos são subvalorizados e negativamente estigmatizados. A partir disso, é preciso compreender a principal causa dessa problemática e possíveis caminhos para a contornar.
Com base nisso, entende-se que a causa mais relevante para esse problema é a crença de que
os idosos não tem valor por não comporem, em geral, a força de trabalho no Brasil. Segundo defende o importante sociólogo prussiano Karl Marx em “O Capital”, no sistema capitalista quem não produz materialmente é tido como sem valor. Consequentemente, os mais velhos acabam marginalizados, situação que é agravada pelo fato da previdência social ser vista como um fardo para a massa da população brasileira. Portanto, a terceira idade é duplamente estereotipada como um peso para o resto do povo, tendo suas décadas de contribuição amplamente invisibilizadas.
Em contraponto, os idosos são a parcela da sociedade que possui mais conhecimento para ser
compartilhado, e eles devem ser valorizados por isso. Ailton Krenak, reconhecido filósofo indígena, diz que o futuro é ancestral, ou seja, para se ter políticas efetivas em qualquer área, deve-se recorrer ao saber dos mais velhos. Para tal, é importante enxergar as ideias da terceira idade como uma alternativa para não se cometer os mesmos erros do passado, assim como é consenso em diversas comunidades indígenas. Sendo assim, a opinião da juventude deve ser considerada, mas a vivência dos mais velhos é insubstituível no que tange a tomar medidas cada vez mais acertadas, e não deve ser ignorada.
Faz-se, portanto, imprescindível que o Ministério dos Direitos Humanos, órgão responsável por
garantir os direitos civis, políticos e sociais da população brasileira, amplifique a voz de autoridades
indígenas que se sintam à vontade para falar sobre a forma como suas comunidades valorizam os
idosos. Tal ação, realizada por meio de seminários em eventos de cunho social e divulgados na internet, tem a finalidade de educar o povo sobre o valor dos mais velhos para além da produção material e, por conseguinte, dar voz aos seus saberes ancestrais. Dessa forma, o Brasil caminhar-se-á em direção a um futuro em que nenhum idoso se sentirá como Madame Clessi, e a terceira idade perceber-se-á como parte insubstituível do povo brasileiro.
O que aprender com essa redação?
O Inep considera que a redação apresenta excelente compreensão do tema e utiliza repertório sociocultural de maneira pertinente e produtiva.
Na introdução, “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, permite estabelecer uma relação entre a autopercepção negativa de Madame Clessi e a maneira como a sociedade contemporânea enxerga a velhice. A referência conduz à tese de que pessoas idosas são subvalorizadas e estigmatizadas.
Outro repertório importante é Ailton Krenak e a ideia de que “o futuro é ancestral”. A referência ajuda o participante a defender a valorização da experiência e dos conhecimentos das pessoas mais velhas, inclusive a partir da maneira como comunidades indígenas se relacionam com seus idosos.
O Inep também ressalta o elevado domínio da linguagem formal, com vocabulário diversificado, construções sintáticas sofisticadas e bom uso de conectivos e operadores argumentativos. Existem pequenos desvios pontuais, mas eles não prejudicam a compreensão ou a fluidez. A intervenção mantém relação com a tese ao propor a valorização e amplificação dos saberes de autoridades indígenas e das pessoas idosas.
O livro As Intermitências da Morte, do laureado escritor português José Saramago, retrata
um cenário distópico em que não há óbito, enfatizando, de maneira cômica e sagaz, a caoticidade
gerada pelo aumento progressivo da expectativa de vida da população e o despreparo das instituições sociais para administrar a questão. De maneira símile, observa-se a reincidência do contexto literário narrado na realidade nacional, tendo em vista a necessidade de debater as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira com a ampliação do contingente de idosos no país. Posto isso, a relevância de romper com estigmas associados à faixa etária avançada, somada à intensificação de desigualdades sociais nesse processo, são fatores interessantes para o aprofundamento da discussão sobre a temática e para resolução dos reveses.
Sob esse viés, é indubitável pontuar a importância de romper com os tradicionais estereótipos
relativos à velhice, que deslegitimam as contribuições sociais do público com idade avançada. Acerca disso, é pertinente elencar a canção “Envelhecer é uma Arte”, do compositor brasileiro Adoniran Barbosa, o qual evidencia a valorização do idoso e a negação à retratação pejorativa desse segmento, associando-o à sabedoria e à experiência adquirida com o tempo. Entretanto, nota-se a desvinculação da perspectiva benéfica exposta musicalmente no âmbito nacional, haja vista o constante paralelo estabelecido entre a figura dos indivíduos integrantes da faixa etária elevada e as noções de dependência e improdutividade — cenário que prejudica a inserção receptiva dessa categoria social no mercado de trabalho, por exemplo —, dificultando a convivência intergeracional harmoniosa devido à permanência da estigmatização. Logo, é fundamental a implementação de ações que desconstruam preconceitos e favoreçam a sociabilidade.
Ademais, é válido ressaltar a intensificação de disparidades sociais com o envelhecimento
populacional, situação manifestada na restrição da qualidade de vida dos segmentos desprivilegiados economicamente. Nesse sentido, pode-se analisar o filme Vitória, protagonizado pela atriz Fernanda Torres, o qual expõe a participação ativa de uma idosa, por meio de denúncias às autoridades policiais, na desestruturação de uma facção criminosa presente na comunidade periférica em que habita, ressaltando o comprometimento da sua integridade física em um contexto de vacâncias protetivas estatais. Tal circunstância evidente é verossímil ao cotidiano das camadas em idade avançada menos abastadas do país, já que o cerceamento de direitos em contextos de vulnerabilidade — ausência de segurança, habitação adequada e atendimento de saúde — implica no não usufruto pleno do envelhecimento e relega o público idoso em condições socioeconômicas adversas à sobrevivência. Assim, é dever do poder público a mitigação dessa conjuntura nefasta que impede a conjugação de condições isonômicas à população.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Dito isso, o Ministério
da Tecnologia deve desenvolver campanhas contra a estigmatização dos idosos, por meio da
veiculação digital em mídias de considerável alcance — como o Instagram e o YouTube —, com
o intuito de romper com associações pejorativas que deslegitimam o público em questão. Cabe
também ao Poder Executivo a disponibilização de auxílio monetário àqueles desprivilegiados
para promoção da qualidade de vida.
Por que a redação foi bem avaliada?
Na redação de Jhulie o Inep identifica um projeto consistente, com quatro parágrafos equilibrados e dois eixos argumentativos claramente definidos: a permanência dos estigmas relacionados à velhice e o agravamento das desigualdades sociais durante o envelhecimento.
Na introdução, “As Intermitências da Morte”, de José Saramago, é utilizada para estabelecer um paralelo entre o cenário ficcional de aumento da expectativa de vida e a realidade brasileira diante do crescimento da população idosa.
No primeiro desenvolvimento, a canção “Envelhecer é uma Arte”, atribuída a Adoniran Barbosa, sustenta a defesa da experiência e da sabedoria das pessoas idosas e é contraposta aos estereótipos de dependência e improdutividade. No segundo, o filme “Vitória” é relacionado às desigualdades enfrentadas por idosos economicamente vulneráveis e às dificuldades de acesso a direitos fundamentais.
O Inep considera esses repertórios integrados à argumentação e destaca que a conclusão retoma a tese e propõe intervenções para os dois problemas efetivamente discutidos: a estigmatização e as desigualdades sociais.
Veja também: Como estudar atualidades para a redação do Enem 2026?
Durante as décadas de 30 e 40, Getúlio Vargas instituiu diversas leis, dentre as quais se
incluíam o direito à aposentadoria e o acesso a diferentes previdências sociais, o que resultou em uma melhor qualidade de vida aos idosos. Diante dessa realidade, as heranças desse período são notórias na contemporaneidade, de forma a pôr em pauta as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, mas que possui como principais entraves a invisibilidade social sofrida pela população mais velha e o etarismo estrutural no país.
Inicialmente, é indispensável ressaltar o apagamento sociocultural sentido pelas pessoas com
mais vivência, visto que este gera exclusão do grupo que contribuiu ativamente para a construção da sociedade. Nesse sentido, a atuação de Fernanda Montenegro no filme “Ainda Estou Aqui” demonstra sua grande capacidade em se manter na área cinematográfica, evidenciando o não deterioramento de suas habilidades com o passar dos anos. Concomitantemente à situação, uma enorme quantidade de idosos preserva seus valores, talentos e características, porém, da mesma forma, sofrem esquecimento público e até dentro das suas famílias. Dessa maneira, a vista grossa da civilização sobre grupos com maior tempo de vida resulta no isolamento forçado dessa minoria.
Ademais, é importante destacar a discriminação popular com a velhice, já que esta ocasiona o
afastamento dos idosos das áreas esportivas, artísticas e até educacionais. Nesse âmbito, o músico
Cartola destaca, em sua canção “Que é feito de você”, a zombaria e desconsideração que o eu lírico
sofre devido à partida de sua juventude, evidenciando o preconceito com os mais velhos integrado ao surgimento do corpo social. Em paralelo ao pensamento do cantor, o desrespeito à essas pessoas é banalizado e, por muitas vezes, considerado normal. Dessa forma, o etarismo enraizado no consciente coletivo resulta no desdém e na ignorância no que consta sobre o status quo dos idosos.
Em síntese, os diferentes pontos de vista sobre a velhice são impactados negativamente pela
exclusão histórica sofrida pelos mais velhos e o pensamento precário que baseia o desgaste da imagem do envelhecimento. Com isso em mente, cabe ao Ministério da Educação — responsável pelo aprendizado da população — e ao Ministério da Cultura — responsável pela preservação do patrimônio cultural dos brasileiros — promoverem atividades que tragam visibilidade ao grupo minoritário tratado e valorização do aumento da idade, por meio de palestras e aulas especializadas nas escolas e publicidades físicas e digitais nas cidades. Tal atitude proporcionará mais respeito aos idosos e aumentará a qualidade do seu bem-estar muito mais que na época da Era Vargas.
Quais elementos dessa redação foram valorizados?
O Inep considera que essa redação compreende adequadamente o tema e permanece dentro do recorte proposto. A introdução utiliza a Era Vargas e a criação de direitos previdenciários para relacionar um acontecimento histórico à discussão contemporânea sobre a velhice.
A tese identifica dois problemas centrais: a invisibilidade social das pessoas idosas e o etarismo estrutural. No desenvolvimento, o primeiro é associado à exclusão daqueles que participaram da construção histórica da sociedade; o segundo é trabalhado também com a canção “Que é feito de você”, de Cartola, para discutir a naturalização do preconceito contra a velhice.
O comentário do Inep é especialmente útil porque não apresenta apenas qualidades. Embora considere o repertório histórico legítimo, pertinente e produtivo, a análise afirma que a ligação entre a Era Vargas e os problemas desenvolvidos posteriormente poderia ser aprofundada.
Também são apontados alguns desvios gramaticais, problemas de articulação sintática e uma escolha vocabular inadequada. Ainda assim, eles não comprometem significativamente a compreensão do texto, cuja argumentação é considerada coerente e progressiva.
O filme “O agente secreto”, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho, apresenta a Dona Sebastiana, uma carismática mulher idosa e dona do Edifício Ofir, que é um prédio em que refugiados políticos da Ditadura Empresarial-Militar do Brasil são abrigados. Nesse espaço, os moradores vangloriam a Sebastiana e a enxergam como a “guardiã” do local. No entanto, contrariando essa visão positiva da figura da velhice roteirizada por Kleber, para além das telas, a sociedade brasileira tem lido o envelhecimento de modo desrespeitoso e violento. Acerca disso, verifica-se que a mídia de massa e as famílias são as principais responsáveis por essa perspectiva etarista, o que compromete a saúde mental e a saúde financeira desse grupo. Logo, deve-se analisar a influência midiática e a lacuna familiar nesse cenário cruel.
Sob esse prisma, culpa-se a influência negativa da mídia por tal mazela idadista. Afirma-se isso,
pois produtoras audiovisuais estereotipam a velhice em suas obras, prejudicando o estado psicológico de quem está nessa fase da vida. A esse respeito, o cineasta brasileiro Marcos Magalhães, em seu curtametragem “Meow”, denuncia o fato de a indústria midiática moldar padrões de pensamentos dentro do corpo social. Frente a essa crítica cinematográfica, vê-se que a realidade do Brasil confirma tal denúncia, já que muitas são as emissoras e produtoras de televisão e de cinema que, em séries, em filmes e em novelas, retratam personagens idosas de maneira estigmatizada, ou seja, fora de papéis de protagonismo e dentro de roteiros limitados ao “ser velho”, isto é, ser frágil e “descartável”, moldando a perspectiva acerca do envelhecimento dos telespectadores. Esse processo de construção da imagem do idoso na mídia vai de encontro à dinâmica de construção da imagem do jovem (geralmente, representado como protagonista, forte e essencial para a trama), afinal, o objetivo é atrair a audiência desse público, o qual costuma ser
muito engajado nas redes sociais, gerando mais visibilidade às produções (com seus comentários) e, claro, mais lucro. Em efeito, a partir dessa visão de “descartabilidade” que a mídia molda, produz e reproduz, conforme alerta Magalhães, várias pessoas idosas, fora das telas, são vistas e tachadas como inúteis (uma espécie de “peso” para a sociedade), sofrendo violências verbais nesse sentido, as quais abalam seu estado psíquico e geram quadros depressivos.
Além disso, vale responsabilizar a postura familiar por esse triste panorama. Tal responsabilização é necessária, porque, infelizmente, é comum que familiares não possibilitem o
letramento digital para os mais velhos, fragilizando sua saúde econômica. Seguindo esse raciocínio,
Virginia Satir, psicoterapeuta referência nos estudos de terapia familiar, afirma que a família precisa
assumir a sua função de formar e de reformar o indivíduo, para que ele seja, positivamente, inserido
nas engrenagens sociais. Contudo, quando os idosos não recebem instruções quanto ao uso de aparelhos tecnológicos no ambiente doméstico, por exemplo, quanto à utilização do celular para acessar bancos digitais e à navegação nas redes sociais para identificar possíveis mensagens suspeitas (como de golpistas estelionatários) recebidas, a afirmação de Satir é desconsiderada, haja vista a violenta perda da função “reformadora” citada. Nessa lógica, entende-se que essa conduta negligente é motivada pela concepção equivocada (fomentada pelo discurso midiático supracitado) de que os idosos não precisam “avançar” em seus conhecimentos, mas, na verdade, somente esperar pelo momento do seu “descarte” — a morte. Por conseguinte, ao se reforçar o contraste à ideia de Satir, o envelhecimento se torna uma fase, cada vez mais, excluída digitalmente, o que faz com que diversos idosos não consigam gerir as próprias contas bancárias (por desconhecerem o funcionamento dos bancos digitais) e, ainda, sejam vítimas de golpes virtuais (por não entenderem a dinâmica da internet), tendo, assim, a saúde financeira e o bem-estar afetados.
Portanto, a manipulação midiática e a falha familiar, frente às perspectivas acerca do
envelhecimento no Brasil, devem ser combatidas. Com essa finalidade, as emissoras e produtoras
de televisão e de cinema (por exemplo, a Globo e a Vitrine) precisam produzir séries, filmes e novelas em que personagens idosas são essenciais para a trama e não são estereotipados negativamente (como a Dona Sebastiana, em “O agente secreto”), por meio do substancial direcionamento de verbas a essas produções, a fim de reduzir a estigmatização da velhice na mídia. Ademais, as famílias têm de letrar digitalmente os idosos, com o objetivo de que eles não sejam excluídos do universo tecnológico. Desse modo, consequentemente, a visão respeitosa do envelhecimento, escrita por Kleber, será uma realidade.
O que o Inep destaca nessa redação?
No último exemplo, o Inep identifica novamente um projeto bem estruturado, organizado em quatro parágrafos equilibrados e articulados, com abordagem integral do tema.
A introdução parte do filme “O Agente Secreto” para contextualizar o desrespeito ao envelhecimento e antecipar os dois fatores desenvolvidos na redação: a influência da mídia na construção de estereótipos e a lacuna familiar no apoio às pessoas idosas.
No primeiro desenvolvimento, o curta “Meow”, de Marcos Magalhães, é utilizado para explicar como a indústria e a mídia podem moldar padrões e contribuir para a estigmatização da velhice. No segundo, uma teoria de Virginia Satir sobre a função formadora da família fundamenta a discussão sobre exclusão digital: sem apoio familiar, idosos podem ter dificuldades para lidar com serviços bancários digitais e ficar mais expostos a golpes.
A conclusão responde diretamente a esses dois problemas ao propor mudanças na representação de personagens idosos pela indústria audiovisual e ações de letramento digital dentro das famílias.
O Inep ainda destaca o excelente domínio da norma-padrão, o repertório vocabular e a variedade dos recursos coesivos. A ressalva é bastante pontual: há um deslize isolado de concordância de gênero, que não compromete o desempenho geral. Por isso, a análise caracteriza o texto como uma redação de excelente autoria e domínio crítico.
Saiba mais: Qual é a matriz curricular do Enem 2026?
O Preparadão Enem chegou para ajudar quem está estudando para o Enem e busca uma preparação intensiva e focada para a prova.
Se você quiser tudo isso, basta entrar para a comunidade e não só contar com o apoio de vários materiais e dicas de preparação para o exame, mas também com a definição de um rumo para a sua vida profissional!
Tudo isso de graça, sem que você tenha que gastar nada:
Apesar de apresentarem argumentos e repertórios diferentes, as redações selecionadas pelo Inep compartilham características importantes. A própria cartilha destaca, entre outros aspectos:
A redação do Enem pode valer até 1.000 pontos e é corrigida de acordo com cinco competências:
Cada avaliador atribui de 0 a 200 pontos em cada competência. A nota final considera as avaliações realizadas de acordo com as regras estabelecidas pelo Inep.
Está de olho na oportunidade de estudar e quer saber como fazer isso pagando um valor mais em conta?
A Quero Bolsa, uma plataforma que oferece bolsas de estudo de até 80% em mais de 1.000 instituições de ensino de todo o Brasil, pode ajudar você com isso!
Os descontos estão disponíveis em vários tipos de curso:
Ah! E outra coisa boa também é que dá para escolher a melhor modalidade que se adequa à sua realidade, porque ela oferece tanto cursos presenciais quanto cursos EaD.
Clique no botão abaixo e veja as possibilidades de curso!
Se você se interessou e quer saber mais sobre como ela funciona, confira abaixo alguns artigos e entenda melhor como conseguir uma bolsa!
Confira abaixo algumas das melhores instituições de ensino do Brasil que são parceiras da Quero Bolsa e aproveite as ofertas disponíveis.


Inep mostra redações bem avaliadas no Enem 2025 e explica os pontos fortes dos textos.

Inep divulga cartilha de redação do Enem 2026 com orientações, competências avaliadas e exemplos de textos.

Saiba o que priorizar na revisão para o Enem 2026 e aprenda a usar provas anteriores e análise de erros para estudar com mais estratégia.