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Sua empresa tem reunião demais porque tem clareza de menos

Empresas fazem reuniões em excesso quando faltam critérios de decisão, definição de responsabilidades e comunicação assíncrona. Entenda as causas e como reduzir esse problema.



Em resumo:

  • Empresas têm reuniões demais porque faltam critérios claros de decisão, definição de responsabilidades e processos eficientes de comunicação.
  • Reuniões sem objetivo consomem tempo, aumentam custos e reduzem a produtividade das equipes.
  • Antes de marcar uma reunião, defina qual decisão será tomada, quem será responsável e qual será o prazo.

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Mario H. Trentim durante apresentação em evento de gestão de projetos; especialista analisa os impactos da IA na carreira de gestores.
Mario H. Trentim, Board Member do PMI Global, durante apresentação em evento. (Acervo Pessoal)

Há uma pergunta que costumo fazer quando começo a trabalhar com uma empresa:

Quantas reuniões recorrentes acontecem por semana?

A resposta quase sempre causa desconforto quando é dita em voz alta. Oito. Doze. Dezesseis.

Depois vem uma segunda pergunta, ainda mais reveladora:

Em quantas dessas reuniões a última edição terminou com uma decisão concreta?

O silêncio costuma dizer mais sobre a organização do que qualquer diagnóstico formal.

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O custo oculto das reuniões em excesso

O Microsoft Work Trend Index mostra que o tempo dedicado a reuniões triplicou nos últimos anos em empresas de médio e grande porte. Não se trata de uma percepção. É uma tendência documentada.

Os números ajudam a entender o impacto.

Cinco reuniões semanais de uma hora representam 260 horas por ano para cada colaborador. Isso equivale a mais de seis semanas de trabalho em tempo integral.

Agora imagine um time com 20 pessoas. Nesse cenário, são aproximadamente 120 semanas de trabalho dedicadas exclusivamente a reuniões ao longo de um ano.

Se metade desses encontros não gera decisões, a organização desperdiça cerca de 60 semanas de trabalho coletivo.

O prejuízo aparece em duas frentes:

  • aumento do custo da folha de pagamento;
  • perda de produtividade causada pela interrupção constante do trabalho profundo.

Poucas empresas fazem essa conta. Quando fazem, a reação costuma seguir o mesmo roteiro: primeiro vem a incredulidade. Depois, o desconforto.

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O problema não é a cultura organizacional

É comum ouvir explicações como:

  • “Nossa cultura depende de reuniões.”
  • “Precisamos melhorar a comunicação.”

Essas respostas parecem plausíveis, mas raramente resolvem o problema.

Na maioria dos casos, a origem é estrutural.

Empresas acumulam reuniões quando três elementos estão ausentes:

  • critérios claros para tomada de decisão;
  • definição explícita de quem tem autoridade para decidir;
  • processos eficientes de comunicação assíncrona.

Quando não existe um critério claro, a reunião passa a decidir.

Quando a autoridade não está definida, a reunião serve para legitimar decisões.

Quando a informação não circula de forma organizada, a reunião vira o principal canal de atualização.

Nas organizações mais sobrecarregadas, esses três fatores acontecem ao mesmo tempo.

A reunião deixa de ser uma ferramenta e passa a ser o único mecanismo de coordenação disponível.

Existe ainda um quarto elemento.

Em muitas empresas, a reunião substitui a confiança.

Quando gestores não acreditam que o trabalho será executado sem acompanhamento constante, convocam encontros de alinhamento sucessivos.

Nesse contexto, a reunião não é a causa da ineficiência. Ela é uma consequência de um sistema que ainda não transmite segurança para quem lidera.

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Como reduzir reuniões sem criar desorganização

Eliminar reuniões indiscriminadamente não resolve o problema. Em muitos casos, apenas substitui excesso de encontros por falta de coordenação.

O caminho começa com uma pergunta simples para cada reunião recorrente:

Qual decisão esse encontro precisa produzir?

Depois, responda outras duas perguntas:

  • Quem tomará essa decisão?
  • Em que momento ela será tomada?

Se o objetivo da reunião for apenas compartilhar informações, um documento assíncrono costuma ser mais eficiente.

Reuniões exclusivamente informativas representam uma das formas mais caras de comunicação dentro de uma organização.

Outro passo importante é reduzir o número de participantes antes de reduzir a quantidade de reuniões.

Uma reunião com doze pessoas, na qual apenas três participam das decisões enquanto as demais apenas acompanham a conversa, dificilmente é um bom uso do tempo coletivo.

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Antes de enviar um convite, responda a estas perguntas

Na próxima reunião que você organizar, complete as seguintes informações antes de enviar o convite:

  • Qual decisão precisa ser tomada?
  • Quem será responsável por essa decisão?
  • Qual é o prazo para defini-la?

Se essas respostas não estiverem claras, talvez a reunião ainda não deva acontecer.

Nesse caso, escreva primeiro o documento que apresentaria durante o encontro e compartilhe o conteúdo para comentários assíncronos.

Em muitas organizações, metade das reuniões existe porque esse documento nunca foi produzido.

Escrever obriga a organizar ideias, esclarecer responsabilidades e estruturar argumentos. É justamente essa clareza que muitas reuniões acabam adiando.

+ O que é uma organização adaptativa e por que esse conceito é importante para profissionais de projetos

Clareza reduz reuniões

Empresas que realizam reuniões em excesso raramente têm um problema de agenda.

Na maioria das vezes, o verdadeiro problema está na falta de clareza sobre três questões fundamentais:

  • o que precisa ser decidido;
  • quem decide;
  • como a informação circula.

Quando essas respostas ficam evidentes, a agenda deixa de ser um problema. Ela melhora como consequência.

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Mario H. Trentim participa de evento; especialista comenta como a IA influencia a gestão de projetos e as competências profissionais.
Especialista em gestão de projetos, Mario H. Trentim participa de evento do PMI. (Acervo Pessoal)

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech/Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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