
Super El Niño nas escolas: como se preparar para os impactos em 2026
| 24/09/26Veja como famílias e gestores podem se preparar para calor, chuvas e fumaça.
Veja como famílias e gestores podem se preparar para calor, chuvas e fumaça.
O El Niño de 2026 já está estabelecido e pode atingir intensidade muito forte, exigindo preparação conjunta de escolas, famílias e órgãos públicos.
Em resumo:

O El Niño está oficialmente configurado e em fortalecimento em 2026. Em setembro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) informou que havia mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte entre setembro e novembro, com permanência prevista até, pelo menos, o início de 2027.
O termo “super El Niño” não representa uma classificação oficial única. Ele costuma ser empregado para descrever episódios excepcionalmente intensos. Por isso, a expressão deve ser usada com cautela, acompanhada das previsões emitidas por instituições meteorológicas.
Em sua atualização de 10 de setembro, o Climate Prediction Center da NOAA apontou mais de 90% de chance de um evento muito forte durante o fim de 2026 e o começo de 2027. O órgão também indicou possibilidade de o episódio alcançar intensidade histórica no último trimestre do ano.
Ainda assim, intensidade não significa impacto idêntico em todas as cidades. Relevo, urbanização, condições dos rios, infraestrutura, ocupação do solo e sistemas locais de prevenção influenciam as consequências de cada evento. As informações devem ser acompanhadas nas atualizações do Painel El Niño 2026-2027 do INPE e nos alertas municipais e estaduais.
O El Niño é a fase quente do fenômeno El Niño-Oscilação Sul, conhecido pela sigla ENOS. Ele ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial central e oriental permanecem mais quentes do que o normal.
Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e o transporte de umidade na atmosfera. Como resultado, os padrões de chuva e temperatura podem mudar em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos variam por região e época do ano. Para o trimestre entre setembro e novembro de 2026, o INPE apontou as seguintes tendências:
| Região ou área | Tendência climática | Possíveis impactos nas escolas |
| Sul, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul | Maior probabilidade de chuva acima da média | Alagamentos, interrupção do transporte, infiltrações e dificuldade de acesso |
| Norte e Nordeste | Tendência de chuvas abaixo da média | Calor, baixa umidade, escassez de água e maior risco de queimadas |
| Partes do Centro-Oeste e Sudeste | Calor e possibilidade de chuva abaixo da média | Desconforto térmico, fumaça, piora da qualidade do ar e pressão sobre o abastecimento |
| Diferentes áreas do país | Temperaturas acima da média e episódios extremos localizados | Necessidade de adaptar horários, atividades físicas e uso dos espaços escolares |
Essas projeções representam probabilidades climáticas, não previsões exatas para cada escola. Um El Niño forte aumenta a chance de determinados impactos, mas não permite afirmar quando ou onde ocorrerá uma enchente, onda de calor ou estiagem.

Os problemas ambientais na escola não se limitam ao que acontece dentro da sala de aula. Eles também envolvem o entorno, as condições de acesso e a capacidade da comunidade escolar de responder a emergências.
Entre os principais pontos de atenção estão:
O risco surge da combinação entre uma ameaça, como chuva intensa, e vulnerabilidades existentes, como uma rota de evacuação inadequada. O guia de planos de contingência escolares do Cemaden Educação recomenda que cada instituição identifique ameaças, vulnerabilidades e capacidades antes de uma emergência.
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A resposta ao super El Niño nas escolas deve começar antes do alerta de perigo. Um plano eficiente precisa definir responsabilidades, formas de comunicação, rotas seguras e critérios para alterar as atividades.
| Frente de preparação | Medidas recomendadas |
| Mapeamento de riscos | Identificar pontos de alagamento, encostas, árvores, instalações elétricas e áreas excessivamente quentes |
| Estrutura | Revisar telhados, calhas, drenagem, reservatórios, ventilação e iluminação de emergência |
| Rotas seguras | Sinalizar saídas e locais de encontro, considerando mobilidade reduzida e outras necessidades específicas |
| Comunicação | Manter contatos atualizados e definir um canal oficial para avisos às famílias |
| Saúde | Organizar água potável, primeiros socorros e informações sobre estudantes com condições preexistentes |
| Rotina pedagógica | Estabelecer critérios para mudar horários, suspender atividades externas ou reorganizar aulas |
| Treinamento | Realizar exercícios adequados à faixa etária, sem simulações assustadoras |
| Articulação externa | Manter contato com Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, assistência social, saúde e gestão educacional |
O plano também deve indicar quem consulta os alertas oficiais, quem toma as decisões e como será feita a liberação dos estudantes. Informações divergentes em vários grupos de mensagens podem aumentar a insegurança durante uma emergência.
Em dias de calor intenso, a escola deve ampliar o acesso à água, priorizar locais ventilados e transferir atividades físicas para horários mais amenos. Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis às altas temperaturas, segundo as orientações do Ministério da Saúde sobre ondas de calor.
A fumaça pode percorrer grandes distâncias e atingir escolas afastadas dos focos de incêndio. Crianças pequenas e estudantes com asma, rinite ou outras condições respiratórias exigem atenção especial.
Quando a qualidade do ar estiver comprometida, a escola deve:
O Ministério da Saúde orienta que máscaras N95, PFF2 ou P100, quando corretamente ajustadas, podem reduzir a inalação de partículas por pessoas que precisem sair. A prioridade, porém, é diminuir a exposição e permanecer em ambientes protegidos, conforme as recomendações sobre incêndios florestais e fumaça.
A preparação familiar deve estar alinhada ao protocolo da escola. Algumas medidas reduzem atrasos, desencontros e decisões tomadas com base em boatos:
Também é importante não enviar o estudante à escola quando houver orientação oficial para evitar deslocamentos. A decisão sobre interrupção das aulas cabe às autoridades e à gestão responsável, com base no risco local.
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A explicação deve ser adequada à idade e separar três ideias: o oceano aquece, esse aquecimento modifica o movimento do ar e da umidade, e os efeitos não são iguais em todos os lugares.
| Etapa escolar | Forma de explicar |
| Educação Infantil | Dizer que uma parte muito grande do oceano fica mais quente e pode mudar o caminho das nuvens |
| Anos Iniciais do Ensino Fundamental | Usar mapas, recipientes com água e exemplos de vento para mostrar a relação entre oceano e atmosfera |
| Anos Finais do Ensino Fundamental | Comparar mapas de temperatura e chuva, diferenciando tempo meteorológico de clima |
| Ensino Médio | Trabalhar anomalias de temperatura, circulação atmosférica, leitura de gráficos e avaliação de fontes |
Uma explicação simples pode afirmar: “Quando uma grande parte do Oceano Pacífico fica mais quente do que o normal durante vários meses, ela modifica os ventos e a distribuição das chuvas. Algumas regiões podem receber mais chuva, enquanto outras ficam mais quentes e secas”.
O fenômeno também abre espaço para trabalhar educação climática, prevenção e leitura crítica de informações. A Lei nº 14.926/2024 assegura a inserção de temas relacionados às mudanças do clima, à biodiversidade e aos riscos socioambientais nos projetos pedagógicos da Educação Básica.
A preparação para o El Niño não depende de adivinhar o próximo evento extremo. Ela começa com manutenção preventiva, informação confiável, responsabilidades definidas e comunicação clara entre escola, famílias e poder público.
Ao avaliar uma instituição para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental ou o Ensino Médio, os responsáveis também podem observar ventilação, acesso à água, manutenção predial e protocolos de emergência. A plataforma de bolsas em escolas particulares da Quero Bolsa permite pesquisar instituições por cidade, bairro e etapa de ensino.
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