
Como gerir equipes que trabalham com IA: o que mudou e o que permanece igual
| 05/11/26Entenda como a inteligência artificial muda a gestão de equipes, a avaliação de desempenho e o papel dos profissionais nas organizações.
Entenda como o trabalho híbrido influencia a produtividade, conheça pesquisas sobre o tema e veja como gestores podem organizar equipes com eficiência.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

A expansão do trabalho remoto durante a pandemia de Covid-19 transformou a organização das empresas e trouxe novas discussões sobre produtividade, colaboração e gestão de equipes.
Com a retomada das atividades presenciais, muitas organizações passaram a adotar modelos híbridos, nos quais os profissionais dividem a jornada entre o escritório e outros ambientes de trabalho.
Entretanto, a mudança também levantou uma questão importante: trabalhar presencialmente garante resultados melhores do que trabalhar remotamente?
A resposta depende de diferentes fatores. A produtividade não está relacionada exclusivamente ao local onde o profissional executa suas atividades, mas também à organização dos processos, à comunicação entre os integrantes e à definição de responsabilidades.
Pesquisas conduzidas pelo economista Nicholas Bloom, professor da Universidade Stanford, ajudam a compreender essa relação.
Em estudos sobre o trabalho híbrido, o pesquisador identificou benefícios associados à combinação entre atividades presenciais e remotas, especialmente quando existe uma estrutura adequada de colaboração.
A discussão, portanto, não deve se limitar à quantidade de dias no escritório. É necessário compreender quais atividades exigem interação presencial e quais podem ser realizadas com eficiência a distância.
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A produtividade de uma equipe híbrida depende de como as atividades são distribuídas e acompanhadas. Para organizar esse modelo, os gestores precisam considerar pelo menos três aspectos.
Nem todas as tarefas apresentam as mesmas necessidades de interação.
Atividades que envolvem colaboração criativa, decisões estratégicas e integração entre diferentes áreas podem se beneficiar do contato presencial.
Por outro lado, tarefas que exigem concentração individual geralmente podem ser realizadas remotamente, desde que os profissionais tenham acesso às ferramentas e informações necessárias.
Uma divisão prática inclui:
Atividades que podem se beneficiar do trabalho presencial:
Atividades que podem ser realizadas remotamente:
Essa organização permite utilizar os encontros presenciais para situações que realmente dependem da interação entre os profissionais, enquanto o trabalho remoto oferece mais oportunidades de concentração.
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No trabalho híbrido, a gestão precisa priorizar os resultados, em vez de utilizar a presença física ou o tempo conectado como principais indicadores de produtividade.
Para isso, o gestor deve estabelecer expectativas claras sobre o que cada profissional precisa entregar, em quais prazos e com quais critérios de qualidade.
Essa definição também ajuda a evitar a chamada síndrome de parecer ocupado, situação em que o profissional dedica mais atenção a demonstrar disponibilidade do que a concluir suas atividades.
Responder mensagens fora do expediente ou permanecer conectado durante todo o dia não significa necessariamente produzir mais.
O acompanhamento deve considerar indicadores observáveis, como:
Dessa maneira, os profissionais conseguem compreender o que se espera de seu trabalho e os gestores acompanham os resultados sem recorrer ao monitoramento excessivo.
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Outro fator importante é a organização da comunicação.
Em equipes híbridas, nem todas as mensagens precisam ser respondidas imediatamente. A comunicação assíncrona permite que os profissionais compartilhem informações e respondam em momentos diferentes, sem interromper constantemente suas atividades.
Esse modelo pode reduzir a quantidade de reuniões e favorecer períodos de concentração.
Na prática, a equipe pode estabelecer algumas regras:
A comunicação assíncrona não significa falta de acompanhamento. Ela exige acordos claros para que todos saibam onde encontrar informações e quando precisam responder.
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Para organizar uma equipe híbrida, é importante estabelecer um conjunto de acordos sobre responsabilidades, comunicação e acompanhamento das atividades.
Esse planejamento pode ser chamado de contrato de trabalho explícito. Não se trata de um documento jurídico, mas de um acordo operacional entre o gestor e os integrantes da equipe.
Quatro pontos devem fazer parte dessa definição.
Cada profissional precisa saber quais são suas responsabilidades, quais entregas deve realizar e com que frequência o trabalho será revisado.
O foco deve estar nos resultados esperados, e não somente nas horas dedicadas às atividades.
A equipe precisa estabelecer quando os profissionais estarão disponíveis para reuniões e conversas em tempo real.
Também é importante definir os prazos esperados para respostas em canais assíncronos.
Essa organização evita que mensagens rotineiras sejam tratadas como urgências e reduz interrupções desnecessárias.
Os dias presenciais devem ser organizados de acordo com as necessidades das atividades.
Se uma reunião exige a participação de diferentes áreas, por exemplo, pode ser interessante concentrar o encontro em um dia em que todos estejam no escritório.
O planejamento precisa considerar o tipo de trabalho, e não apenas estabelecer uma quantidade fixa de dias presenciais sem avaliar sua finalidade.
Os gestores precisam acompanhar o progresso das atividades sem exigir atualizações constantes ou monitorar cada movimento dos profissionais.
Para isso, podem utilizar:
O objetivo é garantir que todos tenham acesso às informações necessárias para acompanhar prazos, identificar obstáculos e compreender o andamento das entregas.
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Um dos principais desafios do trabalho híbrido é encontrar o equilíbrio entre autonomia e acompanhamento.
Gestores acostumados a modelos presenciais podem tentar reproduzir as mesmas práticas de controle no ambiente remoto. Isso acontece quando passam a exigir atualizações constantes, relatórios de horas trabalhadas e reuniões sem objetivos definidos.
Esse comportamento pode gerar excesso de comunicação e reduzir o tempo disponível para atividades produtivas.
Entre os erros mais comuns estão:
O acompanhamento precisa estar relacionado aos objetivos do projeto. Controlar prazos, orçamento e escopo é diferente de monitorar continuamente o comportamento dos profissionais.
Uma gestão baseada em confiança, responsabilidades e indicadores claros tende a oferecer melhores condições para que os integrantes trabalhem com autonomia.
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Antes de definir quantos dias os profissionais devem comparecer ao escritório, o gerente de projetos precisa organizar três aspectos fundamentais.
1. Formalizar os acordos de trabalho: estabelecer entregáveis, critérios de qualidade, responsabilidades, disponibilidade e prazos de resposta para cada integrante.
2. Classificar as atividades: identificar quais tarefas exigem colaboração presencial e quais podem ser realizadas remotamente. A partir dessa análise, organizar os encontros no escritório.
3. Escolher ferramentas de acompanhamento: definir uma plataforma para registrar tarefas, atualizar o andamento das entregas e compartilhar informações relevantes.
Essas medidas ajudam a reduzir ruídos de comunicação e permitem que a equipe compreenda como o trabalho será organizado.
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Não existe um modelo único que garanta produtividade para todas as organizações. A escolha entre trabalho presencial, remoto ou híbrido depende das características das atividades, das necessidades da equipe e da estrutura disponível.
O trabalho híbrido pode oferecer vantagens ao combinar momentos de colaboração presencial com períodos de concentração individual. Entretanto, esses benefícios não surgem automaticamente com a adoção do modelo.
Sem planejamento, os profissionais podem enfrentar deslocamentos desnecessários, excesso de reuniões, dificuldades de comunicação e falta de clareza sobre suas responsabilidades.
Por isso, o papel do gerente de projetos é estruturar as condições necessárias para que o modelo funcione.
Mais importante do que definir onde os profissionais trabalham é estabelecer como as atividades serão realizadas, acompanhadas e avaliadas. Quando existe clareza sobre entregas, responsabilidades e comunicação, o trabalho híbrido pode favorecer a produtividade, a autonomia e a colaboração entre os integrantes da equipe.

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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