
Como desenvolver argumentos para a redação do Enem: veja exemplos
| 06/10/26Aprenda como desenvolver argumentos na redação do Enem e veja exemplos práticos para melhorar seus parágrafos.
Aprenda como desenvolver argumentos na redação do Enem e veja exemplos práticos para melhorar seus parágrafos.
Em resumo:
Veja mais abaixo!
Ter uma opinião sobre o tema não é suficiente para construir uma boa redação do Enem. No texto dissertativo-argumentativo, o participante precisa defender um ponto de vista por meio de argumentos consistentes e organizar as ideias de forma coerente e coesa.
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É justamente essa capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos que está no centro da Competência III da redação. Mas como transformar uma ideia simples em um argumento bem desenvolvido?
A seguir, confira dicas e exemplos práticos de como desenvolver argumentos na redação do Enem.

O primeiro passo é entender que argumentar não significa apenas afirmar uma opinião. É necessário explicar por que aquela ideia faz sentido e mostrar sua relação com o problema discutido.
Segundo a Cartilha do Participante do Enem, na Competência III é avaliada a capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Por isso, antes de começar a escrever, é importante definir a tese, ou seja, o posicionamento que será defendido ao longo da redação. Depois, o estudante pode selecionar os principais argumentos que sustentam essa tese e decidir em qual ordem eles serão apresentados.
Imagine, por exemplo, o seguinte tema:
Tema: “Desafios para a inclusão digital da população idosa no Brasil”.
Uma possível tese seria:
Tese: a exclusão digital da população idosa é agravada pela falta de políticas de inclusão tecnológica e pelas dificuldades de acesso à educação digital.
A partir daí, o candidato já possui dois caminhos para desenvolver a argumentação:
O objetivo de cada parágrafo será explicar como e por que esses fatores contribuem para o problema.
Veja mais: Veja 10 temas de redação para treinar para o Enem
Não existe uma fórmula obrigatória determinada pelo Inep para montar cada parágrafo. Entretanto, organizar o raciocínio em etapas pode ajudar o estudante a evitar argumentos superficiais.
Uma estrutura possível é:
O mais importante é que essas partes não apareçam de forma isolada. Elas devem construir uma sequência lógica.
O tópico frasal apresenta ao leitor qual argumento será desenvolvido naquele parágrafo.
Considerando o exemplo da inclusão digital dos idosos, um início possível seria:
“Em primeiro lugar, a insuficiência de políticas públicas de inclusão digital contribui para afastar parte da população idosa das novas tecnologias.”
A frase já informa qual será o foco do parágrafo: a atuação insuficiente do poder público.
Evite começar com uma afirmação muito ampla, como “A tecnologia é muito importante atualmente”. Além de genérica, essa frase ainda não explica qual aspecto do problema será discutido.
Depois de apresentar a ideia central, o estudante pode utilizar um repertório sociocultural para fundamentá-la.
Esse repertório pode vir de diferentes fontes, como acontecimentos históricos, legislação, estudos, pesquisas, obras literárias, filmes ou conceitos estudados ao longo da formação escolar.
Por exemplo:
“A Constituição Federal estabelece a educação como um direito social, o que reforça a responsabilidade do poder público em criar condições para que diferentes grupos tenham acesso ao aprendizado.”
Mas citar uma lei, autor ou obra não basta. O próximo passo é explicar por que aquela referência é relevante para o argumento.
Saiba também: Como usar eleições como repertório na redação do Enem
Um erro comum é inserir uma referência e seguir para outro assunto sem mostrar sua função no raciocínio.
Depois do exemplo anterior, o estudante poderia continuar:
“No entanto, quando idosos não encontram oportunidades acessíveis de formação para utilizar ferramentas digitais, esse direito não acompanha as novas demandas de uma sociedade em que serviços essenciais estão cada vez mais digitalizados.”
Agora existe uma conexão: o repertório não está apenas decorando o texto, mas ajudando a sustentar o argumento.
É aqui que o candidato responde perguntas como:
Por que isso acontece? Quem é afetado? Que consequências isso provoca? Como essa situação mantém ou agrava o problema?
No exemplo:
“Sem orientação adequada, tarefas como acessar serviços públicos, utilizar aplicativos bancários ou marcar atendimentos podem se tornar obstáculos para parte dessa população, aumentando a dependência de terceiros.”
Perceba que o texto avançou. Em vez de repetir que “faltam políticas públicas”, ele mostrou uma consequência concreta dessa ausência.
O final do parágrafo pode retomar a ideia principal e mostrar sua importância para o problema discutido.
Por exemplo:
“Dessa forma, a falta de iniciativas de formação digital contribui para aprofundar a exclusão e reduzir a autonomia da população idosa.”
O parágrafo, então, começou apresentando uma causa e terminou mostrando seu impacto.
Agora, veja como essas etapas podem formar um único parágrafo.
Tema: “Desafios para a inclusão digital da população idosa no Brasil”.
Argumento: insuficiência de políticas públicas de inclusão digital.
Exemplo de desenvolvimento:
Em primeiro lugar, a insuficiência de políticas públicas de inclusão digital contribui para afastar parte da população idosa das novas tecnologias. A Constituição Federal estabelece a educação como um direito social, o que reforça a responsabilidade do poder público em criar condições para que diferentes grupos tenham acesso ao aprendizado. Entretanto, quando idosos não encontram oportunidades acessíveis de formação para utilizar ferramentas digitais, esse direito não acompanha as novas demandas de uma sociedade em que serviços essenciais estão cada vez mais digitalizados. Nesse cenário, tarefas como acessar serviços públicos, utilizar aplicativos bancários ou marcar atendimentos podem se tornar obstáculos, aumentando a dependência de terceiros. Dessa forma, a falta de iniciativas de formação digital contribui para aprofundar a exclusão e reduzir a autonomia dessa população.
Observe a progressão:
ideia principal → fundamentação → explicação → consequência → fechamento.
É essa progressão que transforma uma afirmação inicial em um argumento desenvolvido.
Não existe apenas uma maneira de argumentar. Dependendo do tema e da tese, o candidato pode recorrer a diferentes estratégias para fundamentar e aprofundar suas ideias.
Consiste em identificar o que provoca determinado problema e quais efeitos ele produz.
Exemplo:
“A ausência de formação digital voltada à população idosa dificulta o uso autônomo de novas tecnologias e, consequentemente, aumenta a dependência de terceiros para acessar serviços digitais.”
Nesse caso, a falta de formação é apresentada como causa, enquanto a perda de autonomia aparece como consequência.
Dados podem ajudar a demonstrar a dimensão de um problema. Entretanto, não basta apresentar um número: é preciso interpretá-lo e relacioná-lo à tese.
A lógica pode ser:
dado → o que ele revela → por que isso sustenta meu argumento.
Assim, depois de apresentar uma estatística de uma fonte confiável, o estudante deve explicar o que aquele resultado demonstra dentro da discussão proposta.
Também é importante evitar inventar números ou atribuí-los a instituições sem ter certeza da informação.
A legislação pode servir para mostrar uma diferença entre um direito previsto e a realidade vivenciada pela população.
Uma estrutura possível seria:
direito garantido → problema observado → contradição entre os dois.
Se o tema tratar de educação, por exemplo, o estudante pode recorrer ao direito à educação e, depois, demonstrar como determinado grupo encontra dificuldades para exercê-lo plenamente.
A comparação com acontecimentos ou processos históricos pode ajudar a explicar como determinado problema foi construído ou se mantém ao longo do tempo.
O cuidado está em não transformar o parágrafo em um resumo de História. O fato histórico deve ser usado para sustentar a análise do problema atual.
Conceitos de filósofos, sociólogos e outros pensadores, assim como livros, filmes e produções culturais, também podem funcionar como repertório.
Novamente, o valor está menos no nome citado e mais na relação construída entre a referência, o argumento e o tema.
Uma citação sofisticada, mas desconectada do raciocínio, tende a contribuir menos do que um repertório simples e bem explicado.
Veja mais: Apagão dos professores: veja repertórios para usar na redação
+ Redação do Enem 2026: Inep alerta contra ‘repertório de bolso’
Uma técnica simples é fazer perguntas ao próprio argumento.
Se você escreveu:
“A falta de políticas públicas agrava a exclusão digital de idosos.”
Pergunte:
Por quê?
Porque parte dessa população não encontra formação adequada para aprender a utilizar determinadas ferramentas.
Qual é a consequência?
Pode haver dificuldade para acessar serviços que migraram para ambientes digitais.
Quem é afetado e de que maneira?
Idosos com menor familiaridade tecnológica podem precisar da ajuda constante de familiares ou terceiros.
Depois dessas respostas, a ideia inicial ganha profundidade:
“A insuficiência de políticas de formação digital deixa parte da população idosa sem suporte para acompanhar a digitalização de serviços cotidianos. Como consequência, atividades que poderiam ampliar a autonomia desse grupo podem gerar uma nova forma de dependência, especialmente entre aqueles que não possuem familiares ou outras pessoas disponíveis para auxiliá-los.”
Esse exercício ajuda a combater um dos principais problemas da argumentação: repetir a tese com palavras diferentes sem realmente desenvolvê-la.
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Uma maneira prática é pensar em três movimentos: apresente → relacione → interprete.
Primeiro, apresente a referência. Depois, explique sua relação com o problema. Por fim, mostre o que ela permite concluir em favor da sua tese.
Por exemplo, não basta escrever:
“A Constituição Federal garante o direito à educação.”
É preciso continuar o raciocínio:
“Entretanto, a ausência de iniciativas que promovam o letramento digital de idosos dificulta que esse direito acompanhe as transformações tecnológicas da sociedade, contribuindo para a exclusão de quem não teve contato com essas ferramentas ao longo da formação.”
O repertório passou a exercer uma função argumentativa.
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Depois de entender a estrutura, vale observar como ela funciona na prática. A seguir, confira exemplos de parágrafos de desenvolvimento sobre diferentes temas.
Os exemplos não devem ser decorados ou reproduzidos como modelos prontos. A ideia é perceber como cada parágrafo apresenta um argumento, utiliza uma fundamentação e, principalmente, explica e aprofunda o raciocínio.
Tema: Desafios para combater o desperdício de alimentos no Brasil
Argumento: falta de conscientização sobre o consumo e o descarte de alimentos.
Exemplo de desenvolvimento:
“Em primeiro lugar, a falta de conscientização da população contribui para a manutenção do desperdício de alimentos no Brasil. Isso ocorre porque hábitos de consumo, como comprar produtos em excesso e descartar alimentos ainda próprios para consumo, favorecem a utilização pouco responsável dos recursos disponíveis. Além de ampliar a quantidade de resíduos gerados, essa prática evidencia uma contradição diante da insegurança alimentar enfrentada por parte da sociedade brasileira. Dessa maneira, a ausência de hábitos de consumo mais conscientes dificulta a redução do desperdício no país.”
Por que funciona? O parágrafo não se limita a afirmar que falta conscientização: explica como determinados comportamentos geram desperdício e quais são seus impactos.
Tema: Desafios para combater a evasão escolar no Brasil
Argumento: desigualdade socioeconômica.
Exemplo de desenvolvimento:
“Além disso, a desigualdade socioeconômica constitui um obstáculo para a permanência de jovens brasileiros na escola. Embora a Constituição Federal estabeleça a educação como um direito social, estudantes em situação de vulnerabilidade podem precisar conciliar os estudos com atividades remuneradas para contribuir com a renda familiar. Nesse contexto, dificuldades financeiras deixam de afetar apenas as condições materiais do aluno e passam a interferir diretamente em sua trajetória educacional. Assim, a desigualdade contribui para afastar parte dos jovens da escola e limita suas oportunidades futuras.”
Por que funciona? A Constituição não aparece apenas como uma referência: o argumento estabelece uma oposição entre o direito à educação e as condições socioeconômicas que dificultam sua concretização.
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Tema: Desafios para combater a desinformação nas redes sociais
Argumento: compartilhamento de conteúdos sem verificação.
Exemplo de desenvolvimento:
“Outro fator que favorece a disseminação da desinformação nas redes sociais é o compartilhamento de conteúdos sem a verificação de sua procedência. No ambiente digital, informações podem circular rapidamente entre milhares de usuários, inclusive quando apresentam dados falsos ou retirados de contexto. Quando o indivíduo repassa uma publicação sem consultar sua fonte ou buscar outras referências, contribui para ampliar o alcance de conteúdos potencialmente enganosos. Como consequência, informações falsas podem influenciar decisões individuais e coletivas, o que evidencia a importância da educação midiática no enfrentamento do problema.”
Por que funciona? Existe uma cadeia clara de causa → funcionamento do problema → consequência. O texto mostra como uma ação individual pode contribuir para um problema coletivo.
Tema: Desafios para a promoção da saúde mental entre jovens brasileiros
Argumento: estigmatização dos transtornos mentais.
Exemplo de desenvolvimento:
“Ademais, o preconceito relacionado aos transtornos mentais pode dificultar a busca dos jovens por ajuda especializada. Isso acontece porque ideias que associam sofrimento psicológico à fraqueza individual contribuem para que problemas de saúde mental sejam escondidos ou minimizados. Nesse cenário, o receio de julgamentos por familiares, amigos ou outros grupos de convivência pode fazer com que o jovem adie a procura por atendimento. Consequentemente, a estigmatização não apenas reforça o isolamento, como também pode dificultar o acesso ao cuidado adequado.”
Por que funciona? O argumento parte de uma causa abstrata (o preconceito) e mostra como ela se manifesta na prática e quais consequências pode produzir.
Tema: Desafios para garantir acessibilidade às pessoas com deficiência no Brasil
Argumento: distância entre os direitos previstos e sua aplicação.
Exemplo de desenvolvimento:
“Em primeiro plano, a permanência de barreiras de acessibilidade demonstra a distância entre os direitos assegurados às pessoas com deficiência e sua concretização no cotidiano. A Lei Brasileira de Inclusão estabelece princípios voltados à garantia de condições de igualdade e participação social. Entretanto, quando espaços, serviços e meios de comunicação permanecem inacessíveis, parte dessa população encontra obstáculos para exercer plenamente sua autonomia. Desse modo, a existência de direitos na legislação precisa ser acompanhada de sua efetivação para que a inclusão ocorra de maneira concreta.”
Por que funciona? A legislação é usada para construir uma relação de direito previsto → problema observado → contradição → consequência, em vez de aparecer como uma citação isolada.
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Os conectivos ajudam a mostrar a relação entre as ideias, mas devem ser escolhidos de acordo com o sentido que o estudante deseja estabelecer.
Alguns exemplos são:
Mais importante do que utilizar conectivos considerados “difíceis” é empregá-los corretamente. Um conectivo inadequado pode prejudicar a relação lógica entre duas ideias.
Saber desenvolver um argumento também significa reconhecer práticas que podem deixar o texto superficial, incoerente ou pouco convincente. Durante o planejamento e a revisão da redação, fique atento principalmente aos seguintes problemas:
Uma pergunta simples pode ajudar na revisão de cada parágrafo: “Eu apenas afirmei que existe um problema ou expliquei por que ele existe, como se manifesta e quais impactos provoca?”
Se o texto consegue responder à segunda parte da pergunta, há mais chances de o argumento estar efetivamente desenvolvido.
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