
Como usar eleições como repertório na redação do Enem
| 02/10/26Eleições na redação do Enem: professora explica como usar o tema como repertório e quais erros devem ser evitados.
Eleições na redação do Enem: professora explica como usar o tema como repertório e quais erros devem ser evitados.
Em resumo:
Veja mais abaixo!
Em 2026, o Brasil vive mais um ano de Eleições Gerais. O primeiro turno acontece neste domingo, 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
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Em meio ao período eleitoral, uma dúvida pode surgir entre os vestibulandos que se preparam para o Enem e outros processos seletivos: afinal, é possível usar as eleições como repertório na redação?
A seguir, confira como as eleições podem aparecer no Enem, como utilizá-las como repertório sociocultural na redação e quais cuidados tomar, além de dicas e exemplos práticos.

As eleições podem aparecer no Enem, mas isso não significa que o estudante precise decorar acontecimentos da campanha eleitoral ou posições de candidatos e partidos. Segundo Daniela Toffoli, professora de Redação do Curso Anglo, a abordagem tende a estar relacionada à capacidade de analisar aspectos históricos, sociais e políticos.
“O Enem não cobra disputas partidárias conjunturais ou fatos políticos pontuais do momento. A banca aborda o tema por meio da prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Sociologia, Filosofia e Geografia), avaliando a capacidade analítica e crítica do estudante sobre o funcionamento das instituições, direitos e processos históricos”, explica.
Essa característica está alinhada à própria Matriz de Referência do Enem, que prevê competências relacionadas à compreensão das transformações políticas e sociais, da atuação de movimentos sociais, da cidadania e da democracia, além de habilidades cognitivas como construção de argumentação e compreensão de fenômenos, em vez da simples memorização de informações.
Na prática, Daniela explica que eleições e assuntos relacionados podem aparecer por meio da interpretação de textos historiográficos, charges, gráficos de participação social ou trechos de legislações.
Entre as possibilidades de abordagem apontadas pela professora estão:
Há precedentes no próprio exame. Em edições anteriores, o Enem já apresentou questões relacionadas ao voto feminino, ao coronelismo e à representação das mulheres na política. Em 2002, a própria proposta de redação abordou o direito ao voto e sua relação com as transformações sociais no Brasil.
“A prova valoriza a capacidade de conectar o conhecimento teórico aos contextos sociopolíticos do país”, resume Daniela.
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Sim. As eleições podem ser usadas como repertório sociocultural na redação do Enem, desde que tenham relação direta com o tema apresentado e contribuam efetivamente para a argumentação.
A Cartilha do Participante do Enem 2026 estabelece que o candidato deve produzir um texto dissertativo-argumentativo sobre um tema de ordem social, científica, cultural ou política e defender um ponto de vista utilizando argumentos consistentes.
Uma das competências avaliadas considera justamente a capacidade de compreender a proposta e aplicar conhecimentos de diferentes áreas para desenvolver o tema.
Nesse contexto, acontecimentos, conceitos e processos históricos relacionados às eleições podem funcionar como repertório para sustentar determinados argumentos.
“É possível e, se utilizado de maneira produtiva, pode contribuir como repertório sociocultural”, afirma Daniela. Segundo a professora, a referência precisa “dialogar diretamente com o tema da proposta, enriquecendo o raciocínio sem parecer uma citação forçada ou decorativa”.
Isso significa que simplesmente mencionar as Eleições 2026 não é suficiente. O estudante precisa estabelecer uma relação clara entre o repertório escolhido, o problema apresentado pela proposta e o argumento desenvolvido no texto.
Daniela aponta alguns exemplos de como é possível aplicar:
A Constituição de 1988, por exemplo, estabelece que a soberania popular é exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, além de prever o voto facultativo para pessoas analfabetas.
Assim, em vez de apenas citar que “2026 é ano eleitoral”, o estudante pode recorrer a um acontecimento histórico, conceito ou característica do processo democrático e explicar de que maneira ele ajuda a compreender o problema discutido na redação.
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O principal cuidado é não transformar a redação em propaganda eleitoral, ataque pessoal ou manifestação partidária desconectada da proposta.
Para Daniela, o estudante deve adotar uma postura “analítica e cidadã” ao recorrer ao assunto. A professora recomenda evitar “posicionamento partidário ou ideológico a partir de críticas personalistas a candidatos e com tom panfletário”.
Isso não significa que a redação do Enem proíba a defesa de um ponto de vista. Pelo contrário: a própria Cartilha do Participante determina que o candidato apresente e sustente uma posição sobre o tema proposto.
Essa argumentação, porém, precisa ser construída com informações, fatos e argumentos relacionados ao problema em discussão, além de respeitar os direitos humanos na proposta de intervenção.
Por isso, ao utilizar eleições como repertório, evite:
A regra prática é simples: as eleições devem funcionar como ferramenta para desenvolver o argumento, e não como assunto paralelo à proposta.
Se o tema fosse relacionado à desinformação, por exemplo, mencionar simplesmente que o Brasil realiza eleições em 2026 acrescentaria pouco à discussão. Já explicar como a circulação de informações falsas em processos eleitorais evidencia a importância da educação midiática e da checagem de fatos cria uma relação efetiva entre o repertório e o argumento.
Como resume Daniela, o repertório eleitoral pode ser utilizado para “fundamentar argumentos sobre sociedade, direitos e democracia”, desde que tenha uma função clara dentro do texto.
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