
Como gerir equipes que trabalham com IA: o que mudou e o que permanece igual
| 05/11/26Entenda como a inteligência artificial muda a gestão de equipes, a avaliação de desempenho e o papel dos profissionais nas organizações.
Entenda como a inteligência artificial muda a gestão de equipes, a avaliação de desempenho e o papel dos profissionais nas organizações.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

A introdução da inteligência artificial (IA) generativa nas empresas tem transformado a rotina de trabalho e a maneira como os gestores acompanham o desempenho das equipes.
Atividades como análise de riscos, elaboração de relatórios e produção de atas de reunião, que antes exigiam horas de dedicação, podem ser realizadas em menos tempo com o apoio dessas ferramentas.
Em março de 2024, ao implementar soluções de IA generativa na rotina de uma equipe de gestão de projetos, observei ganhos expressivos de produtividade. Uma análise de riscos que costumava levar quatro horas passou a ser concluída em 45 minutos.
As atas de reunião começaram a ser geradas automaticamente, enquanto a produção de comunicações para stakeholders passou a exigir metade do tempo.
No entanto, os resultados técnicos vieram acompanhados de um desafio relacionado à gestão de pessoas. Uma analista sênior, com 12 anos de experiência, demonstrou preocupação com a possibilidade de suas habilidades serem substituídas.
Um gerente de projetos com certificação PMP questionou se a empresa ainda precisaria de seu trabalho em dois anos. Já um especialista em análise de riscos apresentou uma queda de produtividade após a implementação das ferramentas.
Essas reações mostram que a adoção da inteligência artificial envolve mais do que ganhos operacionais. O gestor precisa lidar simultaneamente com o aumento da produtividade e com as mudanças na identidade profissional dos colaboradores.
Uma pesquisa de Noy e Zhang, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicada em 2023, identificou ganhos de produtividade com IA em tarefas profissionais de escrita.
O estudo ajuda a compreender o potencial dessas ferramentas, mas a transformação também exige atenção aos impactos sobre a rotina e as expectativas dos trabalhadores.
Sua gestão de projetos está pronta para a inteligência artificial?
Antes da popularização da IA generativa, parte do valor de um analista era associada à velocidade e à qualidade com que produzia relatórios, análises, planilhas e apresentações. Com a automação de algumas dessas atividades, o tempo necessário para entregar determinados materiais diminui.
Um trabalho que antes exigia oito horas pode passar a demandar apenas duas. Nesse cenário, a questão central para o gestor é como aproveitar as seis horas economizadas.
Há dois caminhos possíveis:
A segunda alternativa permite aproveitar melhor o potencial da tecnologia. Em vez de simplesmente aumentar a quantidade de entregas, o gestor pode ampliar o impacto do trabalho realizado pela equipe.
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A inteligência artificial consegue acelerar tarefas estruturadas, como:
Entretanto, essas capacidades não eliminam a necessidade de intervenção humana. O profissional continua responsável por avaliar se uma resposta faz sentido diante do contexto da organização, identificar erros nas informações geradas e considerar os interesses dos envolvidos em uma decisão.
Entre as habilidades que ganham importância nesse cenário estão:
O foco da gestão, portanto, precisa migrar da execução de tarefas para a capacidade de utilizar informações e ferramentas na resolução de problemas.
A adoção de ferramentas de inteligência artificial também exige mudanças nos critérios de avaliação de desempenho.
Medir a produtividade exclusivamente pela quantidade de documentos, relatórios ou análises produzidos pode levar a conclusões equivocadas. Afinal, a tecnologia permite gerar esses materiais em menos tempo.
O gestor precisa considerar indicadores que demonstrem a contribuição efetiva de cada profissional, como:
A produtividade continua importante, mas precisa ser analisada em conjunto com a qualidade e o impacto do trabalho.
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Apesar das transformações tecnológicas, alguns fundamentos da gestão de equipes continuam essenciais. Clareza de expectativas, confiança e feedback de qualidade permanecem entre os principais elementos para manter profissionais alinhados e engajados.
A definição de responsabilidades se torna ainda mais importante em ambientes nos quais as ferramentas mudam rapidamente.
Os profissionais precisam compreender quais atividades podem ser aceleradas com IA, quais exigem maior participação humana e quais decisões não devem ser delegadas à tecnologia.
Sem essa orientação, cada integrante pode adotar critérios diferentes para utilizar as ferramentas. O resultado tende a ser uma rotina inconsistente, com riscos para a qualidade das entregas.
Cabe ao gestor estabelecer diretrizes sobre:
Essa clareza ajuda a reduzir dúvidas e permite que a equipe compreenda como contribuir em um ambiente de trabalho transformado pela tecnologia.
A confiança continua sendo um dos pilares da gestão de pessoas. No contexto da inteligência artificial, porém, ela também depende da transparência sobre os impactos da tecnologia.
Evitar conversas sobre possíveis mudanças nas funções profissionais ou apresentar a IA como uma solução sem limitações pode prejudicar a relação entre gestores e colaboradores.
O caminho mais adequado é abordar as transformações com honestidade. Isso significa reconhecer os ganhos de produtividade, mas também discutir os desafios, as limitações das ferramentas e as habilidades que precisarão ser desenvolvidas.
Quando os profissionais entendem o que está mudando e quais são as expectativas da organização, conseguem se preparar melhor para as novas demandas.
O feedback continua sendo uma ferramenta importante para orientar o desenvolvimento profissional. O que muda é o tipo de contribuição que precisa ser avaliada.
Em vez de destacar somente a quantidade de entregas realizadas, o gestor deve observar como o colaborador utilizou a inteligência artificial e qual foi sua contribuição para melhorar o resultado.
Alguns exemplos de aspectos que podem ser avaliados são:
Um feedback sobre a capacidade de identificar um risco que passou despercebido pela IA, por exemplo, pode ser mais relevante do que um elogio baseado exclusivamente no volume de relatórios produzidos.
Suas equipes executam atividades ou geram valor estratégico?
A preocupação dos colaboradores com a própria relevância profissional não deve ser tratada como resistência injustificada à tecnologia.
No exemplo da analista sênior, parte das habilidades desenvolvidas ao longo de 12 anos de experiência, como velocidade, consistência e conhecimento sobre a produção de documentos, passou a ser parcialmente reproduzida por ferramentas de IA.
A dúvida sobre o valor da experiência profissional nesse novo contexto é legítima. Afinal, se uma ferramenta consegue executar determinadas atividades em poucos minutos, quais características diferenciam um profissional experiente de alguém que está começando na carreira?
A resposta está nas habilidades que vão além da execução. Em ambientes de trabalho com IA, a experiência profissional pode fazer diferença na capacidade de:
Essas competências não eliminam a necessidade de aprender a utilizar novas ferramentas. Pelo contrário, tornam o domínio da IA mais produtivo quando combinado com conhecimento técnico e experiência.
Por isso, o gestor precisa conversar abertamente com a equipe sobre as mudanças. Quando a ansiedade não é discutida, pode se manifestar por meio de resistência passiva, queda na qualidade das entregas ou até mesmo saída de profissionais experientes.
Por que algumas ideias nunca se transformam em projetos reais?
A adaptação da gestão de pessoas não precisa começar com grandes transformações estruturais. Algumas medidas ajudam a estabelecer critérios de utilização da tecnologia e a valorizar a contribuição humana.
Estabeleça diretrizes para cada tipo de entrega, identificando quais atividades podem ser aceleradas pela IA e quais exigem julgamento profissional.
Em um relatório de análise de riscos, por exemplo, a ferramenta pode organizar informações e sugerir possíveis ameaças. A avaliação da relevância de cada risco, considerando as características do projeto, continua dependendo da análise dos profissionais envolvidos.
O objetivo não é restringir o uso da tecnologia, mas esclarecer onde ela contribui e em quais etapas a participação humana é indispensável.
Uma equipe que nunca identifica problemas nas respostas geradas por inteligência artificial pode estar deixando de verificar os resultados adequadamente.
O gestor deve incentivar os colaboradores a compartilhar situações em que encontraram informações incorretas, inconsistências ou recomendações inadequadas.
Essa prática ajuda a desenvolver uma cultura de revisão e responsabilidade. Também permite que a organização identifique limitações recorrentes das ferramentas e aprimore seus processos de utilização.
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As avaliações de desempenho precisam reconhecer situações em que o colaborador demonstrou capacidade de análise e tomada de decisão.
Entre os indicadores possíveis estão:
Ao incluir esses critérios na avaliação, a organização demonstra que valoriza o julgamento profissional e não apenas a capacidade de produzir entregas em grande volume.
Você está usando todo o potencial da IA nas suas decisões?
A inteligência artificial transforma processos, reduz o tempo de execução de tarefas e modifica as competências exigidas em diferentes funções. No entanto, a tecnologia não elimina a necessidade de liderança, comunicação e desenvolvimento profissional.
Os gestores precisam adaptar os critérios de desempenho, estabelecer expectativas claras e criar um ambiente no qual os colaboradores possam aprender a utilizar as ferramentas sem perder de vista sua própria contribuição.
A principal mudança está na maneira de reconhecer o valor do trabalho. Quando a IA assume parte da execução, ganham espaço habilidades como pensamento crítico, interpretação, negociação e tomada de decisão.
Os fundamentos da gestão de pessoas permanecem. O desafio é aplicá-los a uma realidade em que as ferramentas evoluem rapidamente e exigem uma nova compreensão sobre produtividade, experiência e contribuição profissional.

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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