Celebrado em 23 de setembro, o Dia Internacional das Línguas de Sinais reforça os direitos linguísticos das pessoas surdas e a importância da Libras para a aprendizagem, a identidade e a inclusão escolar.
Em resumo:
O Dia Internacional das Línguas de Sinais é celebrado em 23 de setembro.
A Libras é uma língua visual, com estrutura gramatical própria, e não uma coleção de gestos.
No Brasil, o Dia Nacional dos Surdos ocorre em 26 de setembro.
Uma escola bilíngue precisa utilizar a Libras nas aulas, nas relações e nos diferentes espaços escolares.
Atividades sobre a data devem envolver cultura surda, acessibilidade e participação de pessoas surdas.
O Dia Internacional das Línguas de Sinais é uma data de conscientização sobre a importância das línguas de sinais para a garantia dos direitos humanos das pessoas surdas.
A comemoração foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2017 e realizada pela primeira vez em 2018. O dia 23 de setembro foi escolhido por marcar a fundação da Federação Mundial de Surdos, criada em 1951.
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Segundo a Organização das Nações Unidas, a data também reconhece a necessidade de oferecer acesso precoce às línguas de sinais e educação de qualidade nessas línguas.
Em 2026, a campanha internacional tem como tema, em tradução livre, “Afirmando os direitos humanos das pessoas surdas”. O ano também marca os 75 anos da Federação Mundial de Surdos.
Qual é a diferença entre 23 e 26 de setembro?
As duas datas estão relacionadas aos direitos das pessoas surdas, mas possuem significados diferentes.
Data
Celebração
Significado
23 de setembro
Dia Internacional das Línguas de Sinais
Promove o reconhecimento das línguas de sinais e dos direitos linguísticos das pessoas surdas em todo o mundo
26 de setembro
Dia Nacional dos Surdos
Valoriza a história, as conquistas e as reivindicações da comunidade surda brasileira
Última semana completa de setembro
Semana Internacional das Pessoas Surdas
Reúne campanhas e debates sobre direitos, cultura, identidade e participação social
Setembro Azul
Mês de visibilidade da comunidade surda
Mobiliza escolas, instituições e a sociedade em torno da cultura surda, da Libras e da acessibilidade
O Dia Nacional dos Surdos foi instituído pela Lei nº 11.796/2008. A escolha de 26 de setembro remete à fundação, em 1857, da instituição que deu origem ao atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).
O que é Libras e por que ela é importante?
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma língua de modalidade visual e motora, utilizada por comunidades surdas brasileiras. Ela possui regras gramaticais, vocabulário e formas próprias de construir sentidos.
A Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão. Isso significa que ela não deve ser tratada como mímica, código auxiliar ou simples tradução gestual do português.
Tiago Ribeiro da Silva, doutor e mestre em Educação, pedagogo e professor do Mestrado em Educação Bilíngue do INES, e autor do livro “Leitura e escrita na educação de surdos” pela WAK Editora, explica:
Quando falamos de língua, falamos também de cultura, de cosmovisão, de identidade, de modos de compreender e narrar. A língua é o meio através do qual podemos dar sentido ao mundo e a nós mesmos, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
Para crianças e adolescentes surdos sinalizantes, o acesso à Libras desde cedo favorece a comunicação, a construção de vínculos, a aprendizagem e o desenvolvimento da identidade.
A importância da Libras na educação também ultrapassa a sala de aula. Quando familiares, colegas e profissionais aprendem a língua, ampliam-se as possibilidades de interação direta e participação social.
Como a Libras contribui para a aprendizagem de estudantes surdos?
A Libras pode funcionar como língua de instrução, interação e construção do conhecimento. Por sua natureza visual, ela permite que estudantes surdos sinalizantes acessem explicações, conceitos e experiências escolares por um canal linguístico adequado.
A educação bilíngue de surdos considera a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua. Essa modalidade foi incorporada à Lei de Diretrizes e Bases pela Lei nº 14.191/2021.
Tiago Ribeiro da Silva destaca a relação entre língua, visualidade e aprendizagem:
Através dela, a criança surda e o estudante surdo podem compreender de modo mais profundo, conectado com seus modos de pensar e processar o conhecimento, explica Tiago Ribeiro da Silva.
O ensino do português escrito, portanto, não deve pressupor o mesmo percurso de estudantes que ouvem a língua oral. Recursos visuais, comparação entre estruturas linguísticas e situações reais de leitura e escrita podem favorecer a aprendizagem.
Como reconhecer uma escola verdadeiramente bilíngue para surdos?
A presença eventual de um intérprete ou de materiais traduzidos não transforma, isoladamente, uma instituição em escola bilíngue. A Libras precisa fazer parte da proposta pedagógica e das relações cotidianas.
A Libras é, além de língua de instrução, também língua de relação e comunicação, na sala de aula e para além dela, em diferentes espaços-tempos da escola, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
Entre os pontos que as famílias podem observar estão:
utilização da Libras nas aulas e nas interações cotidianas;
profissionais com formação para atuar na educação bilíngue;
materiais didáticos bilíngues e recursos visuais acessíveis;
ensino do português escrito como segunda língua;
avaliações adequadas às especificidades linguísticas dos estudantes;
presença da história, da literatura, da arte e da cultura surda no currículo;
participação de profissionais e representantes da comunidade surda;
comunicação acessível em reuniões, eventos e atividades extracurriculares.
Durante uma visita à escola, os responsáveis também podem perguntar como o estudante surdo participa de avaliações, passeios, apresentações, recreios e projetos coletivos.
Quais atividades podem ser realizadas no Dia Internacional da Língua de Sinais?
As atividades de inclusão para o Dia Internacional da Língua de Sinais na escola precisam gerar aprendizagem contínua. Uma aula isolada de alfabeto manual não substitui a convivência linguística nem as práticas permanentes de acessibilidade.
Atividade
Objetivo pedagógico
Cuidado necessário
Oficina conduzida por educador surdo
Apresentar noções de Libras e experiências da comunidade surda
Garantir protagonismo e remuneração adequada ao profissional
Contação de história em Libras e português
Explorar literatura, narrativa visual e diferentes formas de expressão
Utilizar materiais acessíveis e tradução qualificada
Pesquisa sobre personalidades surdas
Trabalhar história, ciência, esporte, arte e representatividade
Evitar narrativas de superação ou caridade
Produção de vídeo bilíngue
Desenvolver pesquisa, roteiro e comunicação visual
Contar com revisão de pessoa fluente em Libras
Mapeamento da acessibilidade da escola
Identificar barreiras de comunicação e participação
Transformar as descobertas em compromissos concretos
Mostra de literatura e produções surdas
Valorizar autores, artistas e pesquisadores surdos
Não limitar a atividade ao período comemorativo
Roda de conversa com famílias
Discutir direitos linguísticos e educação bilíngue
Oferecer interpretação e recursos de acessibilidade
Também é possível integrar a data às aulas de História, Língua Portuguesa, Arte e projetos de convivência. A educação inclusiva exige participação e pertencimento, não apenas a presença do estudante no mesmo espaço físico.
Como familiares e colegas ouvintes podem colaborar com a inclusão?
Familiares, professores e colegas podem começar aprendendo Libras, respeitando a forma de comunicação utilizada pelo estudante e dirigindo-se diretamente a ele, mesmo quando houver um intérprete presente.
Também é importante manter contato visual, assegurar boa iluminação, não cobrir o rosto durante a comunicação e perguntar à própria pessoa quais recursos de acessibilidade são mais adequados.
A gente aprende Libras para poder se comunicar em uma língua, para participar de uma comunidade, para romper com o incômodo de participarmos da exclusão e isolamento linguístico de toda uma comunidade”, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
A autonomia do estudante deve permanecer no centro das decisões. A família e a escola não devem pressupor que todas as pessoas surdas possuem a mesma experiência linguística ou utilizam os mesmos recursos.
O que é a Língua Internacional de Sinais?
Não existe uma língua de sinais universal. Cada língua de sinais se desenvolve em determinado contexto social e cultural, podendo apresentar variações nacionais e regionais.
A Libras é utilizada no Brasil, enquanto outros países possuem suas próprias línguas. A Língua de Sinais Americana, por exemplo, não é equivalente à Libras.
O chamado International Sign, ou Sinais Internacionais, é uma forma de comunicação de contato utilizada em congressos, encontros e situações internacionais. De acordo com a Federação Mundial de Surdos, ele não substitui as línguas de sinais nacionais nem deve ser apresentado como uma língua universal.
Perguntas frequentes sobre o Dia Internacional das Línguas de Sinais
Quando é o Dia Internacional da Língua de Sinais?
A data é celebrada anualmente em 23 de setembro. Ela foi instituída pela ONU para promover as línguas de sinais e os direitos das pessoas surdas.
Por que 26 de setembro é o Dia Nacional dos Surdos?
A data lembra a fundação, em 26 de setembro de 1857, da instituição que deu origem ao atual Instituto Nacional de Educação de Surdos. A comemoração foi oficializada pela Lei nº 11.796/2008.
Qual é o Dia Internacional dos Surdos?
A mobilização internacional ocorre durante a Semana Internacional das Pessoas Surdas, realizada na última semana completa de setembro. Já o Dia Internacional das Línguas de Sinais ocorre em 23 de setembro.
O que é o Setembro Azul?
O Setembro Azul é um período de visibilidade da comunidade surda, de valorização da Libras e de mobilização por acessibilidade, educação bilíngue, cultura e direitos.
Libras é obrigatória em todas as escolas?
A legislação garante direitos de acessibilidade e reconhece a educação bilíngue de surdos como modalidade educacional. A organização dos serviços e dos profissionais necessários varia conforme a rede, a instituição e as necessidades dos estudantes atendidos.
Libras é igual em todos os países?
Não. Cada língua de sinais possui estrutura, vocabulário, história e variações próprias. A Libras é a língua de sinais brasileira e não é uma versão gestual do português.
A data deve produzir mudanças durante todo o ano
O Dia Internacional da Língua de Sinais oferece uma oportunidade para reconhecer a Libras como língua, valorizar a cultura surda e avaliar se a escola garante participação efetiva aos estudantes.
Mais do que organizar uma atividade comemorativa, a comunidade escolar pode incorporar recursos visuais, materiais bilíngues, formação profissional e diálogo com pessoas surdas à rotina pedagógica.
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