
Dia Internacional da Língua de Sinais: entenda a data e a importância da Libras
| 21/09/26Entenda o Dia Internacional da Língua de Sinais e como promover Libras e inclusão na escola.
Entenda o Dia Internacional da Língua de Sinais e como promover Libras e inclusão na escola.
Celebrado em 23 de setembro, o Dia Internacional das Línguas de Sinais reforça os direitos linguísticos das pessoas surdas e a importância da Libras para a aprendizagem, a identidade e a inclusão escolar.
Em resumo:

O Dia Internacional das Línguas de Sinais é uma data de conscientização sobre a importância das línguas de sinais para a garantia dos direitos humanos das pessoas surdas.
A comemoração foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2017 e realizada pela primeira vez em 2018. O dia 23 de setembro foi escolhido por marcar a fundação da Federação Mundial de Surdos, criada em 1951.
Segundo a Organização das Nações Unidas, a data também reconhece a necessidade de oferecer acesso precoce às línguas de sinais e educação de qualidade nessas línguas.
Em 2026, a campanha internacional tem como tema, em tradução livre, “Afirmando os direitos humanos das pessoas surdas”. O ano também marca os 75 anos da Federação Mundial de Surdos.
As duas datas estão relacionadas aos direitos das pessoas surdas, mas possuem significados diferentes.
| Data | Celebração | Significado |
| 23 de setembro | Dia Internacional das Línguas de Sinais | Promove o reconhecimento das línguas de sinais e dos direitos linguísticos das pessoas surdas em todo o mundo |
| 26 de setembro | Dia Nacional dos Surdos | Valoriza a história, as conquistas e as reivindicações da comunidade surda brasileira |
| Última semana completa de setembro | Semana Internacional das Pessoas Surdas | Reúne campanhas e debates sobre direitos, cultura, identidade e participação social |
| Setembro Azul | Mês de visibilidade da comunidade surda | Mobiliza escolas, instituições e a sociedade em torno da cultura surda, da Libras e da acessibilidade |
O Dia Nacional dos Surdos foi instituído pela Lei nº 11.796/2008. A escolha de 26 de setembro remete à fundação, em 1857, da instituição que deu origem ao atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é uma língua de modalidade visual e motora, utilizada por comunidades surdas brasileiras. Ela possui regras gramaticais, vocabulário e formas próprias de construir sentidos.
A Lei nº 10.436/2002 reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão. Isso significa que ela não deve ser tratada como mímica, código auxiliar ou simples tradução gestual do português.
Tiago Ribeiro da Silva, doutor e mestre em Educação, pedagogo e professor do Mestrado em Educação Bilíngue do INES, e autor do livro “Leitura e escrita na educação de surdos” pela WAK Editora, explica:
Quando falamos de língua, falamos também de cultura, de cosmovisão, de identidade, de modos de compreender e narrar. A língua é o meio através do qual podemos dar sentido ao mundo e a nós mesmos, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
Para crianças e adolescentes surdos sinalizantes, o acesso à Libras desde cedo favorece a comunicação, a construção de vínculos, a aprendizagem e o desenvolvimento da identidade.
A importância da Libras na educação também ultrapassa a sala de aula. Quando familiares, colegas e profissionais aprendem a língua, ampliam-se as possibilidades de interação direta e participação social.
A Libras pode funcionar como língua de instrução, interação e construção do conhecimento. Por sua natureza visual, ela permite que estudantes surdos sinalizantes acessem explicações, conceitos e experiências escolares por um canal linguístico adequado.
A educação bilíngue de surdos considera a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua. Essa modalidade foi incorporada à Lei de Diretrizes e Bases pela Lei nº 14.191/2021.
Tiago Ribeiro da Silva destaca a relação entre língua, visualidade e aprendizagem:
Através dela, a criança surda e o estudante surdo podem compreender de modo mais profundo, conectado com seus modos de pensar e processar o conhecimento, explica Tiago Ribeiro da Silva.
O ensino do português escrito, portanto, não deve pressupor o mesmo percurso de estudantes que ouvem a língua oral. Recursos visuais, comparação entre estruturas linguísticas e situações reais de leitura e escrita podem favorecer a aprendizagem.
A presença eventual de um intérprete ou de materiais traduzidos não transforma, isoladamente, uma instituição em escola bilíngue. A Libras precisa fazer parte da proposta pedagógica e das relações cotidianas.
A Libras é, além de língua de instrução, também língua de relação e comunicação, na sala de aula e para além dela, em diferentes espaços-tempos da escola, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
Entre os pontos que as famílias podem observar estão:
Durante uma visita à escola, os responsáveis também podem perguntar como o estudante surdo participa de avaliações, passeios, apresentações, recreios e projetos coletivos.
As atividades de inclusão para o Dia Internacional da Língua de Sinais na escola precisam gerar aprendizagem contínua. Uma aula isolada de alfabeto manual não substitui a convivência linguística nem as práticas permanentes de acessibilidade.
| Atividade | Objetivo pedagógico | Cuidado necessário |
| Oficina conduzida por educador surdo | Apresentar noções de Libras e experiências da comunidade surda | Garantir protagonismo e remuneração adequada ao profissional |
| Contação de história em Libras e português | Explorar literatura, narrativa visual e diferentes formas de expressão | Utilizar materiais acessíveis e tradução qualificada |
| Pesquisa sobre personalidades surdas | Trabalhar história, ciência, esporte, arte e representatividade | Evitar narrativas de superação ou caridade |
| Produção de vídeo bilíngue | Desenvolver pesquisa, roteiro e comunicação visual | Contar com revisão de pessoa fluente em Libras |
| Mapeamento da acessibilidade da escola | Identificar barreiras de comunicação e participação | Transformar as descobertas em compromissos concretos |
| Mostra de literatura e produções surdas | Valorizar autores, artistas e pesquisadores surdos | Não limitar a atividade ao período comemorativo |
| Roda de conversa com famílias | Discutir direitos linguísticos e educação bilíngue | Oferecer interpretação e recursos de acessibilidade |
Também é possível integrar a data às aulas de História, Língua Portuguesa, Arte e projetos de convivência. A educação inclusiva exige participação e pertencimento, não apenas a presença do estudante no mesmo espaço físico.
Familiares, professores e colegas podem começar aprendendo Libras, respeitando a forma de comunicação utilizada pelo estudante e dirigindo-se diretamente a ele, mesmo quando houver um intérprete presente.
Também é importante manter contato visual, assegurar boa iluminação, não cobrir o rosto durante a comunicação e perguntar à própria pessoa quais recursos de acessibilidade são mais adequados.
A gente aprende Libras para poder se comunicar em uma língua, para participar de uma comunidade, para romper com o incômodo de participarmos da exclusão e isolamento linguístico de toda uma comunidade”, afirma Tiago Ribeiro da Silva.
A autonomia do estudante deve permanecer no centro das decisões. A família e a escola não devem pressupor que todas as pessoas surdas possuem a mesma experiência linguística ou utilizam os mesmos recursos.
Não existe uma língua de sinais universal. Cada língua de sinais se desenvolve em determinado contexto social e cultural, podendo apresentar variações nacionais e regionais.
A Libras é utilizada no Brasil, enquanto outros países possuem suas próprias línguas. A Língua de Sinais Americana, por exemplo, não é equivalente à Libras.
O chamado International Sign, ou Sinais Internacionais, é uma forma de comunicação de contato utilizada em congressos, encontros e situações internacionais. De acordo com a Federação Mundial de Surdos, ele não substitui as línguas de sinais nacionais nem deve ser apresentado como uma língua universal.
A data é celebrada anualmente em 23 de setembro. Ela foi instituída pela ONU para promover as línguas de sinais e os direitos das pessoas surdas.
A data lembra a fundação, em 26 de setembro de 1857, da instituição que deu origem ao atual Instituto Nacional de Educação de Surdos. A comemoração foi oficializada pela Lei nº 11.796/2008.
A mobilização internacional ocorre durante a Semana Internacional das Pessoas Surdas, realizada na última semana completa de setembro. Já o Dia Internacional das Línguas de Sinais ocorre em 23 de setembro.
O Setembro Azul é um período de visibilidade da comunidade surda, de valorização da Libras e de mobilização por acessibilidade, educação bilíngue, cultura e direitos.
A legislação garante direitos de acessibilidade e reconhece a educação bilíngue de surdos como modalidade educacional. A organização dos serviços e dos profissionais necessários varia conforme a rede, a instituição e as necessidades dos estudantes atendidos.
Não. Cada língua de sinais possui estrutura, vocabulário, história e variações próprias. A Libras é a língua de sinais brasileira e não é uma versão gestual do português.
O Dia Internacional da Língua de Sinais oferece uma oportunidade para reconhecer a Libras como língua, valorizar a cultura surda e avaliar se a escola garante participação efetiva aos estudantes.
Mais do que organizar uma atividade comemorativa, a comunidade escolar pode incorporar recursos visuais, materiais bilíngues, formação profissional e diálogo com pessoas surdas à rotina pedagógica.
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