
Como gerir equipes que trabalham com IA: o que mudou e o que permanece igual
| 05/11/26Entenda como a inteligência artificial muda a gestão de equipes, a avaliação de desempenho e o papel dos profissionais nas organizações.
Entenda como gerenciar conflitos em equipes de projeto, conheça o modelo Thomas-Kilmann e veja estratégias para transformar divergências em decisões melhores.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Conflitos são comuns em equipes de projeto, principalmente quando diferentes profissionais precisam conciliar prioridades, prazos, recursos e expectativas.
Uma divergência entre o responsável técnico e o gerente financeiro, por exemplo, pode surgir quando os dois profissionais apresentam interpretações diferentes sobre a melhor maneira de utilizar o orçamento disponível.
Esse tipo de situação não significa necessariamente que a equipe esteja desorganizada. Quando conduzidos adequadamente, os conflitos podem estimular análises mais completas, revelar riscos e melhorar a qualidade das decisões.
O problema começa quando as divergências deixam de ser tratadas abertamente e passam a gerar desconfiança, resistência ou dificuldades de comunicação.
A pesquisadora Amy Edmondson, professora da Harvard Business School, destaca a importância da segurança psicológica para a construção de equipes nas quais os profissionais conseguem apresentar opiniões, questionar decisões e reconhecer erros sem medo de represálias.
Em ambientes sem essa segurança, os conflitos não desaparecem. Muitas vezes, apenas deixam de ser discutidos abertamente, o que pode provocar problemas durante a execução das atividades.
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O modelo Thomas-Kilmann, desenvolvido por Kenneth Thomas e Ralph Kilmann em 1974, apresenta cinco estilos de comportamento diante de situações de conflito.
A metodologia considera dois fatores:
A combinação dessas dimensões resulta em cinco estilos de gestão de conflitos.
O estilo competitivo apresenta alta assertividade e baixa cooperação. Nesse caso, a pessoa prioriza sua própria posição e busca fazer prevalecer determinada decisão.
Pode ser adequado em situações que exigem respostas rápidas, especialmente quando existe uma autoridade claramente definida ou um risco que não permite longas discussões.
Um exemplo é uma decisão emergencial relacionada à segurança de uma operação, na qual o responsável técnico precisa interromper imediatamente uma atividade.
Entretanto, o uso frequente desse estilo pode prejudicar a confiança e reduzir a participação dos demais integrantes.
A acomodação apresenta baixa assertividade e alta cooperação. O profissional abre mão de sua posição para atender às necessidades de outra pessoa ou preservar o relacionamento.
Pode ser útil quando o assunto tem pouca importância para quem cede ou quando reconhecer que a outra parte possui melhores argumentos é a decisão mais adequada.
O problema surge quando a acomodação se torna recorrente. Nesse cenário, alguns integrantes podem deixar de apresentar opiniões e necessidades para evitar desgastes.
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Na evitação, há baixa assertividade e baixa cooperação. A pessoa prefere não enfrentar diretamente o conflito.
Esse estilo pode funcionar quando a divergência é pouco relevante, quando o momento não é adequado para uma discussão ou quando os envolvidos precisam de tempo para organizar suas ideias.
Por outro lado, evitar conflitos importantes pode permitir que problemas se acumulem e prejudiquem o andamento do projeto.
O compromisso representa um equilíbrio intermediário entre assertividade e cooperação.
Os envolvidos fazem concessões para encontrar uma solução aceitável para ambas as partes, mesmo que nenhum dos lados consiga atender completamente às suas expectativas.
Em projetos, esse estilo pode ser útil quando existem limitações de prazo, orçamento ou recursos e é necessário chegar a um acordo viável.
A colaboração apresenta alta assertividade e alta cooperação. Os envolvidos procuram compreender as necessidades uns dos outros e construir uma solução que contemple os interesses das partes.
É especialmente indicada para conflitos complexos, nos quais a decisão afeta diferentes áreas e exige uma análise conjunta.
Embora possa produzir soluções mais completas, a colaboração exige tempo, comunicação e disposição para discutir diferentes alternativas.
Não existe um estilo universalmente correto. A escolha depende da natureza do conflito, da urgência da decisão e do impacto que a divergência pode provocar no projeto.
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Além de identificar os estilos de resposta, o gerente de projetos precisa compreender a natureza da divergência.
Uma discussão sobre a melhor solução técnica não representa necessariamente o mesmo problema que uma disputa pessoal entre dois integrantes da equipe.
A pesquisadora Karen Jehn, em estudo publicado em 1995 na revista Administrative Science Quarterly, investigou os efeitos dos conflitos no desempenho dos grupos e contribuiu para a diferenciação entre conflitos relacionados às tarefas e aos relacionamentos.
O conflito de tarefa acontece quando os profissionais apresentam opiniões diferentes sobre aspectos relacionados ao trabalho.
Entre os exemplos estão:
Quando existe abertura para o diálogo, essas divergências podem contribuir para decisões mais bem fundamentadas.
Isso acontece porque os profissionais precisam apresentar argumentos, avaliar alternativas e considerar perspectivas diferentes antes de definir um caminho.
O conflito de relacionamento envolve tensões interpessoais, desconfiança e dificuldades de convivência.
Pode surgir de situações como:
Esse tipo de conflito tende a prejudicar a colaboração, reduzir a qualidade das interações e comprometer os resultados.
A principal responsabilidade do gestor é permitir que divergências profissionais sejam discutidas sem que se transformem em ataques pessoais.
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Em projetos, diferentes áreas precisam trabalhar de maneira coordenada para alcançar objetivos comuns. Isso significa que divergências sobre recursos, prazos e responsabilidades podem surgir durante todas as etapas da iniciativa.
Quando esses problemas não são identificados e tratados, podem provocar consequências como:
A segurança psicológica também tem papel importante nesse processo. Quando os profissionais se sentem seguros para discordar, os gestores conseguem identificar problemas antes que eles comprometam as entregas.
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Por outro lado, equipes que evitam discussões podem apresentar uma aparente harmonia, enquanto resistências e divergências permanecem escondidas.
Por que algumas ideias nunca se transformam em projetos reais?
A gestão de conflitos exige mais do que conversas informais para amenizar desentendimentos. O gerente de projetos precisa compreender os interesses envolvidos e estabelecer procedimentos para resolver divergências.
Três estratégias podem ajudar nesse processo.
Quando existe tensão entre dois profissionais ou stakeholders, uma alternativa é conversar separadamente com cada envolvido antes de organizar uma discussão conjunta.
O objetivo é compreender:
Essa preparação ajuda o gestor a compreender o conflito antes de reunir as partes.
Com mais informações, a conversa coletiva pode ser direcionada para a identificação de soluções, em vez de se transformar em uma disputa de argumentos.
Uma equipe precisa ter espaço para questionar decisões, principalmente quando elas envolvem riscos relevantes para o projeto.
O gerente pode incluir uma etapa específica de contestação nas reuniões decisórias.
Antes de encerrar uma discussão importante, por exemplo, pode perguntar:
Esse procedimento ajuda a normalizar a discordância e demonstra que apresentar objeções faz parte do processo de decisão.
Também é importante registrar os pontos discutidos e os motivos que justificaram a escolha final.
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Nem todas as divergências precisam ser resolvidas diretamente pelo gerente de projetos.
Algumas podem ser solucionadas pelos próprios integrantes da equipe. Outras exigem a participação do gestor ou dos patrocinadores do projeto (sponsors).
Por isso, é importante estabelecer previamente os critérios de escalonamento.
Uma divisão possível é:
| Nível do conflito | Responsável pela resolução |
|---|---|
| Divergências operacionais simples | Integrantes envolvidos |
| Conflitos entre áreas ou responsáveis por entregas | Gerente de projetos |
| Impasses estratégicos, orçamentários ou de autoridade | Sponsor ou alta gestão |
Essa organização evita que problemas simples dependam constantemente da liderança e impede que conflitos relevantes permaneçam sem encaminhamento.
A escolha do estilo deve considerar o contexto e as consequências da divergência.
Veja algumas situações em que cada abordagem pode ser utilizada:
| Estilo | Quando utilizar |
|---|---|
| Competição | Situações urgentes que exigem uma decisão rápida e autoridade definida |
| Acomodação | Quando a questão é pouco relevante para uma das partes ou quando o outro lado apresenta argumentos mais consistentes |
| Evitação | Quando o conflito é pouco significativo ou precisa ser discutido em outro momento |
| Compromisso | Quando existem limitações e os envolvidos precisam chegar a um acordo viável |
| Colaboração | Quando o problema é complexo e exige uma solução que considere diferentes interesses |
O erro não está necessariamente em utilizar determinado estilo, mas em aplicá-lo sem considerar as características da situação.
Um gestor que evita todas as divergências pode deixar problemas importantes sem solução. Da mesma forma, uma liderança excessivamente competitiva pode reduzir a participação dos profissionais e prejudicar a confiança na equipe.
Algumas práticas podem dificultar a resolução de divergências, mesmo quando existe a intenção de melhorar o relacionamento entre os integrantes.
Entre os principais erros estão:
A gestão eficiente também exige acompanhamento. Depois de estabelecer um acordo, o gerente precisa verificar se as medidas definidas foram executadas e se o conflito foi efetivamente resolvido.
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A gestão de conflitos é uma competência importante para profissionais que coordenam projetos e precisam conciliar diferentes interesses, conhecimentos e responsabilidades.
O modelo Thomas-Kilmann mostra que existem diferentes maneiras de responder às divergências, enquanto as pesquisas sobre segurança psicológica ajudam a compreender por que a abertura ao diálogo influencia o desempenho coletivo.
Na prática, o gerente de projetos precisa identificar a natureza do conflito, escolher uma abordagem adequada e estabelecer condições para que os envolvidos participem da resolução.
O objetivo não é eliminar todas as divergências, mas impedir que elas comprometam a colaboração e os resultados. Quando são conduzidos com clareza, respeito e critérios definidos, os conflitos podem ampliar a análise dos problemas, antecipar riscos e contribuir para decisões mais consistentes.

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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