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Graduação no exterior: estudantes falam sobre as vantagens e desafios de se formar em outro país

por Patrícia Carvalho em 17/08/20

“Quando eu era mais nova, eu fui morar no México. Lá eu passei três anos e foi um processo de crescimento muito grande. Fui exposta a culturas muito diferentes, a um ambiente completamente diferente, conheci gente do mundo inteiro e mesmo pequena eu comecei a perceber que o mundo é muito maior do que eu estava acostumada. E com isso eu fiquei com a ideia de que eu queria estudar fora de novo”, relata Camila Gedanken, que mais tarde se tornou aluna da dupla graduação em Administração e Relações Internacionais, na Universidade de Emory, nos Estados Unidos.

Assim como Camila, mais de 50 mil brasileiros começaram uma graduação em outro país no ano de 2018, de acordo com a pesquisa Selo Belta 2019, realizada pela Associação das Agências Brasileiras de Intercâmbio (Belta). 

Ao fazer essa escolha, além de embarcar rumo a uma região, idioma e cultura diferentes, também ocorre a migração para uma nova forma de aprender, que se distingue do sistema de ensino superior do país de origem.

É importante ressaltar, porém, que nem todos os países abrem as portas para estudantes estrangeiros. Dentre os que disponibilizam essa oportunidade, os mais buscados por brasileiros, são: Estados Unidos, Canadá e Portugal, de acordo com a Belta. A América Latina também registrou um avanço no número de estudantes brasileiros em países como Argentina, Bolívia e Paraguai, segundo dados do Ministério de Relações Exteriores coletados pelo jornal O Estado de S. Paulo. Juntos, os países concentram mais de 60 mil universitários brasileiros.

O ensino superior do outro lado da fronteira

Para além da fronteira geográfica que separa o Brasil de países como a Argentina e o Paraguai, também há uma linha imaginária que os divide no ingresso ao ensino superior.

Vestibulares ou processos seletivos não fazem parte do cotidiano dos candidatos à graduação nos dois países, nem mesmo para estrangeiros. Em vez disso, o acesso ao ensino superior é feito por meio da inscrição no curso de nivelação que conta com algumas matérias básicas, as quais podem variar de acordo com o curso escolhido. 

A inscrição pode ser feita diretamente no site da instituição desejada, e apenas dois documentos são exigidos: a carteira de identidade e o certificado de conclusão do ensino médio. 

Já para ser aceito no país, outras documentações podem ser solicitadas e algumas taxas podem vir a ser cobradas. A própria instituição escolhida informa ao candidato quais procedimentos devem ser realizados. 

Hugo Capobianco, estudante do curso de Medicina na Universidade Internacional Três Fronteiras, que fica na Ciudad del Este, no Paraguai, conta que o processo de admissão foi simples e justifica sua escolha pelo rápido acesso à faculdade e o baixo custo da mensalidade. “Escolhi o Paraguai por conta da mensalidade, que é de 6 a 10 vezes menor que no Brasil. Lá custa de R$ 800,00 a R$ 1.500,00 no primeiro ano. No Brasil a mais barata custa R$ 5.000,00”. Em compensação, segundo o universitário, a alimentação é mais cara quando comparada aos produtos consumidos pelos brasileiros em supermercados. 

Ele destaca, porém, que boa parte dos estudantes estrangeiros são mantidos pelos pais. Ainda assim, há quem trabalhe em empregos mais flexíveis como motoristas de aplicativos de carona, por exemplo, no tempo disponível do regime integral do curso.

Foto: Divulgação
Estudantes de medicina em laboratório de anatomia
Estudantes de Medicina em laboratório de Anatomia Humana, na Universidade Internacional Três Fronteiras (Uninter)

Em relação ao curso, Capobianco dá destaque a algumas variações no ensino brasileiro e paraguaio. “Acho que a maior diferença além do preço, é que no Paraguai [o curso] é muito teórico, e no Brasil é mais prático. E que nós, brasileiros, temos o maior sistema de saúde público do mundo que é o Sistema Único de Saúde (SUS). Já no Paraguai há uma sistema de saúde público e a maioria [dos hospitais] são deficitários”, explica.

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Apesar de ter escolhido um país vizinho ao que Capobianco está e o mesmo curso, Ana Azzolini teve uma experiência distinta na Argentina. A começar pelo processo de ingresso, em que ela contratou uma assessoria para cuidar de toda a documentação. 

É preciso saber o básico de espanhol para começar os estudos, mas a universitária compartilha que não sabia nada quando chegou no país. “Eu aprendi, depois de seis meses eu já estava falando fluente” o segredo, segundo ela, foi ter convivido com pessoas que falam o idioma.

Na nova rotina, o maior gasto de Azzolini foi com o aluguel. Ainda assim, seu gasto médio não ultrapassou R$ 3.000,00 por mês, devido à sua escolha de morar sozinha, diferente de grande parte dos universitários brasileiros que dividem a moradia com outros estudantes e gastam menos.

A graduanda em Medicina se inscreveu para a Universidade de Buenos Aires (UBA), universidade pública e gratuita até mesmo para brasileiros, onde concluiu e foi aprovada no ciclo básico, mas não se adaptou. “Você tem que ser muito autodidata pra estar na [universidade] pública. Tinha aula três vezes por semana e a diferença para a privada é que tinha aula todos os dias”, relata. Por causa disso, ela fez a transferência para a Universidade Aberta Interamericana (UAI), também em Buenos Aires.

Foto: Divulgação
Campus da Universidade Aberta Interamericana (UAI), em Buenos Aires
Campus da Universidade Aberta Interamericana (UAI), em Buenos Aires

Diferente do Paraguai e do Brasil, em que o curso de Medicina é integral, na UAI a graduação acontece em um único período que pode ser o matutino, vespertino ou noturno. Um dos motivos por trás da grade horária não ser integral como no Brasil, é o fato de ser comum para os estudantes, principalmente os argentinos, conciliar trabalho e estudos.

Nesse período como universitária brasileira em território argentino, Azzolini conta que o maior desafio é ficar longe da família. “As outras coisas é só uma questão de você se acostumar, vão ter coisas que demoram um ano pra se acostumar, por exemplo, o jeito dos argentinos, que são um pouco mais frios. Agora a saudade da sua família é uma coisa que você sempre vai ter”, desabafa.

Autonomia dos alunos é destaque no ensino norte-americano 

A aproximadamente nove mil quilômetros ao norte da Argentina, a forma de ingresso nos Estados Unidos também é extensa. 

“O processo em si vai desde ter que fazer uma prova, que nem a gente tem o Enem até a entrega de documentação. Você tem que fazer essa prova, depois tem que escrever redações para cada uma das universidades, e aí cada uma tem seu próprio tópico, tema que eles pedem nas redações. Depois você tem que enviar seu currículo, atividades extracurriculares, sua nota da escola, tem que ter carta de recomendação dos professores, além de toda a parte legal de documentação. O processo em si é bem mais demandante, acho que são várias coisas que eles observam e aí eles não querem ver só sua nota da prova. Eles querem tentar quase te avaliar como pessoa pra ver se você vai ser um bom feat ou não com a universidade”, conta Gedanken.

A estudante de Administração e RI contratou uma assessoria para auxiliá-la com a aplicação, mas o consulado norte-americano lista cinco passos para aqueles que desejam estudar nos Estados Unidos:

  1. Pesquisar opções de instituições que atenda suas necessidades
    Para isso, é preciso saber quais são os seus objetivos e identificar qual universidade é compatível.
    Clique aqui para consultar a lista com todas as instituições que aceitam estudantes estrangeiros.

  2. Planejar-se financeiramente
    O custo de vida pode variar entre as regiões do país, por isso, é importante pesquisar preços e tentar conciliar a escolha entre uma instituição que atenda o seu perfil e que tenha mensalidades que caibam no seu orçamento

  3. Dedicar-se à aplicação, pois leva tempo e concentração
    Segundo o consulado, cada aplicação é diferente e requer redações, recomendações e provas

  4. Solicitar o visto de estudante
    Essa etapa é essencial para que legalizar o status de imigrante nos Estados Unidos e deve ser feita na embaixada norte-americana

  5. Organizar a documentação

    Nessa etapa, que pode causar mais dúvidas, é possível entrar em contato com um centro de aconselhamento, que tem como função orientar os candidatos sobre os próximos passos. Veja a lista completa de centros de aconselhamento nesse link.

Como o período de aplicação é longo, o órgão recomenda que o candidato dê entrada com um ano e meio de antecedência, até para se planejar financeiramente. Os custos incluem taxa escolar, que possui um reajuste anual de 6% a 10%, despesas de moradia e outras taxas que podem variar de acordo com a universidade.

Segundo Veronica Arinze, que se formou em Biologia na Universidade de Nevada, em Reno, os gastos podem ultrapassar o valor de dois mil dólares mensais, o equivalente a R$ 11.000,00 por mês na cotação de dólar atual (R$5,43).

As bolsas de estudo para graduação são majoritariamente ofertadas de forma parcial. Normalmente elas são disponibilizadas por mérito acadêmico, esportivo ou por outro talento. As instituições que oferecem bolsas de estudo nessas modalidades podem ter regulamentos diferentes, por isso é necessário entrar em contato com a de seu interesse.

Foto: Divulgação
Fachada da Universidade de Nevada, em Reno, nos Estados Unidos
Fachada da Universidade de Nevada, em Reno, nos Estados Unidos

Outro fator que deve ser esclarecido antes da aplicação, é que diferente do Brasil onde os termos faculdade e universidade são consideradas sinônimas, nos Estados Unidos eles possuem as palavras college e university, usadas em contextos completamente diferentes. College é utilizado para se referir a instituições de ensino que ofertam cursos de graduação em determinada área de ensino, como saúde ou negócios. Já University é usado para falar sobre instituições maiores, que além da graduação também oferecem cursos de pós-graduação e têm um foco maior para pesquisas acadêmicas.

Mas a diferença entre o ensino norte-americano e o brasileiro não para por aí. Gedanken conta que em vez de ter aula da mesma disciplina várias vezes por semana, os alunos possuem menos aulas e o restante do conteúdo e das atividades é visto pelo aluno fora da sala de aula. 

“Sinto que quando você está estudando nos Estados Unidos, tem uma preocupação muito maior em você se desenvolver como pessoa e não só se desenvolver como estudante. O estímulo a atividades extracurriculares, a você fazer alguma coisa além da sala de aula, a você se desafiar, vai muito além do que só estudar para fazer uma prova ou fazer um projeto. Eu sinto que você é estimulado e encorajado a se expor e ser exposto a ambientes completamente diferentes e coisas que talvez você não tivesse acostumado. Acho que todo esse estímulo complementa muito o ambiente acadêmico e te faz perceber coisas sobre si mesmo que às vezes quando você está só estudando você não tem acesso”, esclarece Gedanken.

Foto: Divulgação
Campus da Universidade de Emory, Atlanta, Estados Unidos
Campus da Universidade de Emory, Atlanta, Estados Unidos

Em solo norte-americano, os universitários com visto de estudante de graduação podem trabalhar por meio período, normalmente na biblioteca da instituição ou em cafeterias, por exemplo. Porém, eles contam com as férias de verão que duram três meses, para que as pessoas busquem um trabalho de férias. Gedanken conta que  “a ideia é que você estude durante quatro meses, aí você tem férias de três meses e depois estuda outros quatro meses. E nessas férias de três meses, a ideia é você realmente procurar uma empresa ou procurar um estágio e passar dois a três meses trabalhando nessa empresa e ganhando experiência profissional”. 

Portugal e a experiência intercultural no meio acadêmico

Um oceano separa Portugal do continente americano, mas, além do idioma em comum, o país também compartilha o mesmo processo de ingresso ao ensino superior que o Brasil para os brasileiros que desejam fazer graduação em terras portuguesas.

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) passou a ser aceito em Portugal em maio de 2014, pela Universidade de Coimbra. Atualmente, mais de 50 universidades portuguesas aceitam a nota da prova, de acordo com o Ministério da Educação (MEC).

Eu descobri o processo seletivo através de uns amigos na escola, alguns professores mencionaram, e o grande incentivo era que a universidade aceitava o Enem, isso fez toda diferença. Era notório que havia uma via de acesso bastante clara e distinta, e não era como outras universidades estrangeiras em que a gente precisaria fazer um processo seletivo não muito percorrido por outras pessoas da nossa nacionalidade, teria que ir atrás de uma série de documentos, montar todo um currículo. Eu apliquei à Universidade de Coimbra através da própria universidade, ou seja, a própria universidade dispunha de uma plataforma em que eu pude aplicar com as minhas notas do Enem”, explica Vittorio Alves, formado em Jornalismo e Comunicação na Universidade de Coimbra.

Depois de ser aprovado, ele conta que cuidou de todo o processo de documentação sozinho, o que não foi muito trabalhoso já que a instituição detalhava todos os passos que precisavam ser seguidos.

Ao chegar no país, Alves conta que foi recebido com muito carinho e acolhimento, mas ressalta que não é assim para todo mundo. “Uma pessoa como eu, homem, branco e que vem pra cá, é recebida de uma maneira totalmente distinta de uma mulher e ainda mais de uma pessoa negra. Existem essas gradações de preconceitos”, segundo ele, baseadas nos estereótipos sobre os brasileiros.

Mas foi justamente o contato com pessoas diferentes que lhe chamou a atenção em toda sua experiência. “Acho que a melhor coisa de estudar em uma universidade fora do Brasil, é que existe uma experiência muito marcante de contato com outras culturas, de aprendizado, de escuta. Eu fiz incontáveis amigos de outros países da Europa, mas principalmente da África, com quem eu expandi meus horizontes. Alguns amigos da Ásia, alguns amigos do Timor Leste também. Essa dimensão intercultural é a mais marcante da minha experiência de estudar fora do Brasil”, destaca. 

Foto: Marta Costa
Paço das Escolas, Universidade de Coimbra
Paço das Escolas, Universidade de Coimbra

Coimbra, cidade portuguesa onde Vittorio Alves se formou em junho de 2020, não é uma cidade de muitos gastos, de acordo com ele. Quando ele chegou no país, há três anos, gastava pouco mais de R$ 2.000,00. Com a queda do real, porém, o custo de vida se tornou bem mais caro. “Em cidades propriamente universitárias como Coimbra, a mobilidade é muito acessível, não há necessidade sequer de transporte público para os estudantes que vivem perto da universidade, que é a maioria. Então os meus gastos com transporte acabaram, a comida também tem a comida da universidade, que é aquele preço estabelecido para os universitários, então dá pra viver com um certo padrão de vida que a gente tem no Brasil”, pontua.

Existe a possibilidade de conseguir bolsa de estudo, mas elas são oferecidas por mérito e, se o estudante conseguir a bolsa e ao final do ano letivo não atingir a nota necessária, ele perde o benefício. 

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O trabalho é uma possibilidade para os estudantes estrangeiros, desde que eles tenham o visto com permissão. Entretanto, como o regime de estudo habitual é integral, é um pouco mais difícil conciliar a formação com o trabalho. Alves conta que conhece amigos que trabalharam em bicos ou como freelancer, mas argumenta que “não vale a pena ninguém vir pra cá contando com isso pra se manter. Porque são oportunidades que às vezes, num determinado momento, não existem. Para trabalhar com carteira assinada, jornada de trabalho de seis a oito horas diárias é necessário estar inscrito em regime parcial na universidade”, complementa.

O regime parcial é uma alternativa ao regime integral, e ambas opções são disponibilizadas aos candidatos durante o momento de inscrição. No regime parcial, é possível organizar as matérias de forma que sobra tempo para cumprir uma jornada de trabalho de oito horas, com carteira assinada. Nesse caso, o estudante se forma no dobro do tempo previsto.

Agora que já concluiu sua graduação, Alves se prepara para continuar os estudos na Bélgica. Para ele, estudar em outro país é uma oportunidade de engrandecimento pessoal.  “Eu valorizo muito o meu período aqui, sinto que amadureci num período de três anos muito mais do que eu teria amadurecido se eu tivesse sob a guarda dos meus pais, principalmente. Porque a gente precisa lidar com uma série de burocracias, de processos cotidianos que não estão presentes na vida de um nativo, de um cidadão do país. A gente precisa lidar com uma certa rotina de imigrante mesmo, e isso exige que as nossas responsabilidades venham a frente de uma maneira mais determinante”, conta.

Ao redor do mundo

Além dos destinos mais procurados pelos brasileiros, existem outras instituições de ensino em países da Europa, da Ásia e da Oceania que também aceitam brasileiros nos cursos de graduação.

Em países como o Reino Unido, China e Austrália, por exemplo, o sistema de aplicação é parecido com o dos Estados Unidos. É necessário apresentar um exame de proficiência do idioma nativo - no caso da China, algumas instituições aceitam o exame de proficiência em inglês - e se inscrever diretamente na instituição desejada. 

Os documentos solicitados e as etapas do exame podem variar, assim como os gastos de morar em cada um desses países, mas normalmente incluem cartas de apresentação, histórico escolar e uma pontuação mínima no exame. Algumas instituições de ensino oferecem bolsas de estudo por mérito acadêmico e, para concorrer, é necessário acessar o site da universidade de seu interesse.

A seguir, veja alguns sites com a lista de universidades que aceitam estrangeiros na Austrália, China e Reino Unido, respectivamente:

Existem diversas agências de intercâmbio que auxiliam aqueles que desejam estudar em outro país e até mesmo alternativas gratuitas, como a Fundação Estudar, que oferece conteúdos no site e um curso preparatório gratuito para as aplicações. Veja a seguir um vídeo publicado pela organização:
  

Os próximos passos

Após concluir a formação em outro país, caso o recém-formado tenha interesse em voltar para o Brasil, ele precisa revalidar seu diploma estrangeiro para exercer a profissão em território nacional. Sem o reconhecimento do documento, o profissional que exercer as funções o faz de forma ilegal.

Esse procedimento é iniciado por meio da plataforma on-line Carolina Bori e leva até 180 dias para ser concluído. Nesse meio tempo, uma universidade pública brasileira que ofereça o mesmo curso de formação do recém-formado é a responsável por revalidar o documento. O site também dá detalhes sobre quais documentos deve ser enviados para o andamento do processo. Para acessá-lo, clique aqui.

Leia também: Se formou no exterior? Veja como revalidar seu diploma no Brasil

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