
Mario Trentim aborda inteligência artificial e gestão de programas na Embraer
| 24/08/26Mario Trentim apresentou na Embraer UnConference 2026 uma abordagem sobre IA, coerência de dados e gestão de programas de engenharia.
Mario Trentim apresentou na Embraer UnConference 2026 uma abordagem sobre IA, coerência de dados e gestão de programas de engenharia.
Em resumo:
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A Embraer Program Management UnConference 2026 reuniu, em 5 de agosto, profissionais ligados a gestão de programas, PMO, engenharia de sistemas e inteligência artificial no campus da Embraer em Eugênio de Melo, em São José dos Campos.
Entre os participantes esteve Mario H. Trentim, reitor da Allevo Tech.
O especialista apresentou a palestra “O programa termina. O produto não.”, com uma discussão sobre o uso da inteligência artificial em programas de engenharia e sobre a necessidade de integrar dados e processos ao longo do ciclo de vida dos produtos.
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A apresentação foi estruturada a partir do conceito de Program Intelligence Engineering (PIE), desenvolvido por Trentim.
A proposta considera a aplicação da inteligência artificial em diferentes etapas de um programa de engenharia, desde a definição da missão até a evolução da frota em operação.
Um dos princípios apresentados foi o Coherence Principle, segundo o qual o desempenho de programas complexos depende da integração entre diferentes disciplinas, e não apenas da otimização individual de cada área.
A abordagem questiona a adoção isolada de ferramentas de IA para atividades como cronogramas, gestão de riscos e produção de relatórios.
Nesse modelo, diferentes sistemas podem gerar informações sem estabelecer uma relação entre os dados produzidos.
Segundo a proposta apresentada por Trentim, o Intelligent Lifecycle Management busca conectar etapas como missão, produto, sistema, programa, produção, frota, serviços e evolução.
A estrutura também considera conceitos e metodologias como MBSE (Model-Based Systems Engineering), Digital Thread, Digital Twin, INCOSE 2035 e ISO 55000.
“IA sobre dados fragmentados produz respostas rápidas para perguntas erradas.”
Trentim apresentou três níveis de maturidade para a aplicação da inteligência artificial na gestão de programas:
A IA é utilizada para automatizar atividades operacionais, como elaboração de atas, relatórios e documentos.
A tecnologia passa a apoiar análises de cenários, avaliação de riscos, previsões e processos de tomada de decisão.
A IA passa a fazer parte da arquitetura do programa. Entre os exemplos citados estão os Digital Twins e sistemas capazes de incorporar aprendizado ao longo da operação.

A discussão apresentada na UnConference questionou a concentração de iniciativas de IA em aplicações do primeiro nível.
Para Trentim, automatizar tarefas não representa, por si só, uma transformação na gestão de programas.
O PMI Pulse of the Profession 2025 e estudos sobre produtividade e inteligência artificial foram citados durante a apresentação para discutir os desafios relacionados à geração de valor a partir da tecnologia.
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Outro ponto abordado foi a transformação do papel do Program Manager.
Na visão apresentada por Trentim, o profissional precisa deixar de atuar somente como responsável pelo acompanhamento do plano e assumir funções relacionadas à arquitetura de decisões e capacidades.
Nesse contexto, o PMO passa a ter uma função de integração entre disciplinas e de preservação da coerência das informações ao longo do programa.
A proposta também considera que o conhecimento produzido durante o desenvolvimento de um programa deve continuar sendo utilizado durante o ciclo de vida do produto.
Trentim relacionou essa discussão ao Reference Class Forecasting, associado aos estudos de Daniel Kahneman e às pesquisas de Bent Flyvbjerg sobre planejamento e previsão de grandes projetos.
A Theory of Constraints também foi mencionada como uma abordagem para identificar gargalos e pontos de restrição que podem afetar o desempenho de sistemas complexos.
“A função mais importante da IA não é gerar conteúdo. É preservar coerência.”
A Embraer Program Management UnConference 2026 contou com participantes de diferentes organizações e áreas relacionadas à gestão de programas.
Entre os nomes da programação estavam Américo Pinto, Managing Director da PMOGA e do PMI; Natália Silveira, Program Director da Embraer; Raphael Albergarias, presidente do IPMA Brasil; Douglas Pulini, Head of SMO no SPC Brasil; João Victor Nóbrega e Marcelo Henrique, do Grupo Moura.
Também participaram Giuliano Mendonça, Supervisor de Estratégia e Desenvolvimento de IA na Embraer; Ana Claudia Renó, Tech Learning & Capability Leader; Marcelo Antonelli, consultor em Gestão de Valor e VMO; Pedro Silva, especialista em comunicação; e Roberto Paranhos, que encerrou a programação com temas relacionados a projetos e processos.
O formato UnConference permitiu que os participantes discutissem os temas apresentados durante as sessões.
Entre os assuntos debatidos esteve o nível de preparação das organizações para avançar do uso operacional da IA para aplicações relacionadas à tomada de decisão e ao redesenho de sistemas.
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Program Intelligence Engineering (PIE) é um conceito apresentado por Mario Trentim que propõe integrar inteligência artificial ao ciclo de vida de programas de engenharia.
A abordagem tem como um dos fundamentos a preservação da coerência entre diferentes disciplinas e fontes de informação.
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Os três níveis são Eficiência, Decisão e Redesenho do sistema. O primeiro envolve automação de tarefas; o segundo utiliza IA para apoiar análises e decisões; e o terceiro integra a tecnologia à arquitetura dos programas, incluindo recursos como Digital Twins.
Na proposta apresentada por Trentim, o PMO atua na integração entre disciplinas, na preservação da coerência das informações e no apoio à tomada de decisões ao longo do ciclo de vida dos programas.

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.
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