O que são ações afirmativas próprias das instituições?
As ações afirmativas próprias são políticas adicionais, definidas por cada universidade ou instituto federal, com o objetivo de ampliar o acesso ao ensino superior. Diferentemente da reserva de vagas, elas não criam novas categorias de concorrência previstas em lei.
Na prática, o edital do Sisu não cria bônus, apenas autoriza que as instituições adotem esse tipo de ação, caso desejem. Cada universidade define se haverá bônus, quem pode concorrer e quais critérios serão utilizados.
O professor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, Thiago Braga, ressalta que “a mudança torna o processo mais justo e eficiente, garantindo que as vagas de cotas sejam ocupadas por quem realmente necessita, e pode ajudar a reduzir a ociosidade de vagas nas universidades públicas”.
Quais são os tipos de ações afirmativas próprias?
Segundo as regras oficiais do Sisu, as ações afirmativas próprias das IES podem ser de dois tipos:
Bônus
Nesse modelo, a instituição concede um bônus na nota do Enem, aumentando a pontuação do candidato. Com isso, ele passa a disputar as vagas da ampla concorrência com a nota bonificada.
Esse tipo de ação pode ser direcionado, por exemplo, a pessoas com deficiência, estudantes de determinadas regiões ou outros grupos definidos pela universidade.
“O edital não cria bônus. Ele apenas autoriza que as universidades usem bônus, se quiserem”, reforça o coordenador do Curso Anglo, Rodrigo Machado.
Reserva de vagas
Nesse caso, a instituição cria vagas adicionais para grupos específicos, como refugiados, indígenas ou outros públicos definidos em sua política interna.
Essas vagas são contabilizadas dentro do total da ampla concorrência, o que significa que não afetam a reserva mínima de 50% das vagas da Lei de Cotas, obrigatória para as instituições federais.
Qual a diferença entre cotas e ações afirmativas próprias?
A distinção é central no Sisu 2026:
- Reserva de vagas (cotas): prevista na Lei nº 12.711/2012, garante, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas, com recortes de renda, raça, deficiência e pertencimento a povos indígenas ou quilombolas;
- Ações afirmativas próprias: são políticas institucionais, como bônus na nota, criadas por cada IES, sem obrigatoriedade legal.
Rodrigo Machado destaca que, apesar do maior detalhamento, a base legal permanece a mesma. “Nos editais de 2025 e 2026, a Lei de Cotas continua sendo a mesma. O que muda é a forma como o edital organiza e deixa mais claro o uso das ações afirmativas próprias”, afirma.