Por que 88% das organizações falham na execução da estratégia?
Entenda por que a maioria das organizações não consegue executar suas estratégias e como uma arquitetura de decisão pode melhorar a governança, a priorização e os resultados.
Vou começar com um dado que deveria fazer parte da agenda de qualquer executivo: 88% das organizações falham sistematicamente na execução de suas estratégias.
Não se trata de um problema isolado ou de casos específicos. O cenário se repete em diferentes setores e países.
Esse resultado aparece em pesquisas da McKinsey e é reforçado por outro indicador relevante.
O PMI Pulse of the Profession mostra que mais da metade dos escritórios de projetos criados para melhorar a execução da estratégia deixam de existir em até três anos.
Quando esse assunto surge, normalmente aparecem três explicações.
A organização não sabe executar.
A estratégia foi mal formulada.
A liderança não está comprometida.
Na minha experiência, nenhuma dessas respostas explica o problema por completo.
O problema está na forma como as organizações tomam decisões
Depois de anos pesquisando esse tema no ITA, participando de conselhos internacionais e trabalhando com organizações de diferentes setores, cheguei a uma conclusão.
O maior obstáculo para executar uma estratégia não é a estratégia.
Arquitetura de decisão é o conjunto de processos, critérios, responsabilidades e fóruns que orientam como uma organização define prioridades, distribui recursos e toma decisões ao longo da execução da estratégia.
Sem essa estrutura, as prioridades mudam constantemente.
Projetos passam a competir entre si.
Os recursos são direcionados conforme a urgência do momento.
A estratégia deixa de orientar a operação e passa a disputar espaço com demandas do dia a dia.
O que organizações que executam bem fazem de diferente
Ao analisar organizações que conseguem transformar estratégia em resultados, encontrei características recorrentes.
Essas organizações contam com:
critérios definidos para estabelecer prioridades;
papéis e responsabilidades claros;
fóruns apropriados para decisões estratégicas;
acompanhamento periódico da execução;
mecanismos de governança para corrigir desvios.
Esses elementos reduzem decisões improvisadas e tornam a execução mais consistente.
Peter Drucker diferenciou eficiência e eficácia ao afirmar que eficiência significa fazer certo as coisas, enquanto eficácia significa fazer as coisas certas.
Daniel Kahneman acrescentou outro aspecto importante. Sob pressão, as pessoas tendem a tomar decisões influenciadas por vieses cognitivos.
Sem um sistema estruturado, justamente as decisões mais relevantes acabam sendo tomadas nos momentos de maior pressão.
Foi para contribuir com esse desafio que comecei a publicar a Estratégia em Ação, uma newsletter semanal disponível gratuitamente no Substack.
O objetivo é construir um repositório em língua portuguesa sobre temas relacionados à governança, estratégia, execução e inteligência artificial aplicada à gestão.
Todas as edições utilizam referências de fontes primárias, entre elas: