
Summit de gestão de projetos da África revela gargalo que atrasa projetos no mundo
| 17/09/26Summit do PMI na África mostra que falta de projetos bem preparados pode ser um obstáculo maior que a falta de capital para grandes investimentos.
Summit do PMI na África mostra que falta de projetos bem preparados pode ser um obstáculo maior que a falta de capital para grandes investimentos.
Em resumo:
Veja mais informações a seguir!

Em 14 de setembro de 2026, o Cape Town International Convention Centre, na África do Sul, recebeu o PMI Global Summit Series Sub-Saharan Africa, um dos principais eventos de gestão de projetos do continente africano.
A programação reuniu profissionais e lideranças de 55 países sob o tema “Africa Delivers M.O.R.E Together”. O keynote foi apresentado por H.E. Wamkele Mene, secretário-geral da AfCFTA, a Zona de Livre Comércio Continental Africana.
Entre os participantes estava Mario H. Trentim, membro do Board of Directors do PMI para o mandato 2025-2027.
A participação de Trentim também trouxe uma perspectiva baseada em sua experiência profissional no continente. Entre 2016 e 2020, ele atuou como instrutor e consultor no Quênia, na Nigéria e na Etiópia.
Os debates do Summit reforçaram uma questão que ultrapassa as fronteiras africanas: a dificuldade de transformar recursos, planejamento e aprovação em projetos efetivamente preparados para execução.
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A falta de financiamento costuma aparecer como uma das principais explicações para os desafios de infraestrutura na África.

O Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB) estima que a África Subsaariana necessita de US$ 130 bilhões a US$ 170 bilhões por ano em investimentos em infraestrutura. O gap anual de financiamento é estimado em aproximadamente US$ 60 bilhões.
Durante o Summit, porém, outro gargalo ganhou destaque: a capacidade de transformar recursos disponíveis em projetos preparados para receber investimentos.
Na avaliação apresentada no evento, projetos bem estruturados, com estudos, riscos e modelos financeiros definidos, são necessários para que o capital possa efetivamente ser direcionado às iniciativas.
O PIDA, programa da União Africana voltado ao desenvolvimento de infraestrutura no continente, reúne 69 projetos ativos nos setores de energia, transporte, digital e água. O portfólio soma aproximadamente US$ 161 bilhões, segundo os dados citados no texto-base.
Ao mesmo tempo, existe um gap relacionado à preparação dos projetos, que envolve etapas como:
Segundo a análise de Trentim, o problema de conversão entre recursos e projetos executáveis não é exclusivo da África.
“O problema de conversão não é africano. É universal. A África só torna ele impossível de ignorar — porque a escala do gap é visível a olho nu.”
A experiência de Trentim no continente africano também ajuda a identificar padrões que aparecem em diferentes organizações e setores.
Uma das principais questões apontadas é a subestimação da etapa de preparação.
Estudos preliminares, análise de stakeholders, definição de escopo e modelagem de riscos podem ser tratados como atividades anteriores à execução. Quando isso acontece, o projeto pode avançar para etapas posteriores com informações insuficientes.
Entre os possíveis efeitos estão:
A preparação, portanto, precisa ser considerada parte da gestão do projeto e não apenas uma etapa burocrática anterior à execução.
Outro ponto destacado por Trentim é a diferença entre o problema percebido e a restrição que efetivamente limita o projeto.
Em algumas organizações, atrasos são associados imediatamente à falta de orçamento. Uma análise mais detalhada, porém, pode identificar outros fatores, como:
Identificar a restrição real é necessário para evitar que recursos sejam direcionados para resolver um problema que não representa o principal gargalo do sistema.
Projetos de infraestrutura que envolvem diferentes países, governos, empresas, financiadores e órgãos reguladores apresentam uma complexidade diferente daquela encontrada em projetos convencionais.
Em iniciativas desse tipo, nem sempre existe uma organização com autoridade sobre todos os participantes.
Por isso, governança, gestão de stakeholders e coordenação entre diferentes instituições passam a ter papel central.
O desafio não está apenas em acompanhar cronogramas e entregas. É necessário criar mecanismos capazes de alinhar organizações que possuem interesses, responsabilidades e estruturas de decisão diferentes.
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A discussão apresentada no Summit também pode ser relacionada à realidade de organizações brasileiras.
Para Trentim, o desafio está na capacidade de converter diferentes etapas do ciclo de investimento em resultados concretos.
“Há capital. Há aprovação formal. Há projetos no pipeline. O que falta é a taxa de conversão: do projeto aprovado para o preparado; do preparado para o bancável; do bancável para o executado; do executado para o ativo que entrega valor.”
Essa lógica ajuda a explicar por que uma organização pode ter recursos e uma carteira extensa de projetos e, ainda assim, enfrentar dificuldades para entregar resultados.
O problema pode estar no processo que conecta estratégia, capital, preparação, execução e geração de valor.
A BCG (Boston Consulting Group) publicou, em 2025, uma análise segundo a qual cada US$ 1 bilhão investido em projetos transnacionais africanos com governança adequada teria potencial para gerar US$ 6 bilhões em valor de PIB.
O exemplo reforça a relação entre estrutura de governança, capacidade de execução e resultados econômicos.
O debate realizado em Cape Town também traz implicações para quem pretende trabalhar com gestão de projetos.
Projetos de grande escala em áreas como infraestrutura, energia e integração regional envolvem cada vez mais participantes, regulamentações, fontes de financiamento e dependências entre iniciativas.
Nesse cenário, o profissional de projetos precisa dominar competências que vão além do acompanhamento de cronogramas e orçamento.
Entre elas estão:
Segundo Trentim, essa mudança também afeta o papel dos PMOs.
“A próxima geração de PMOs deve gerenciar a conversão de estratégia e capital em resultados — não apenas a execução de atividades.”
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O PMI Global Summit Series Sub-Saharan Africa é um evento voltado a profissionais e lideranças de gestão de projetos na África.

A edição de 2026 foi realizada em Cape Town, África do Sul, nos dias 14 e 15 de setembro, com o tema “Africa Delivers M.O.R.E Together”.
O evento reuniu representantes de 55 países e discutiu desafios relacionados à execução de projetos, infraestrutura e desenvolvimento no continente.
O PMI (Project Management Institute) é uma organização global voltada à gestão de projetos. Mario H. Trentim integra o Board of Directors do PMI no mandato de 2025 a 2027.
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A discussão realizada no evento mostra que o crescimento dos investimentos em grandes projetos também aumenta a necessidade de profissionais capazes de estruturar e coordenar iniciativas complexas.
Para estudantes e profissionais que estão entrando na área, alguns dos conhecimentos destacados no Summit podem ganhar espaço no mercado de gestão de projetos, especialmente em iniciativas que envolvem múltiplos stakeholders e organizações.
A preparação de projetos, a governança, a gestão de riscos e a capacidade de transformar estratégia e recursos financeiros em entregas concretas aparecem como elementos importantes desse cenário.
A discussão também abre espaço para uma questão mais ampla: qual será a demanda por gestores de projetos diante do crescimento de grandes investimentos em infraestrutura e desenvolvimento na África?
Esse tema é aprofundado no artigo complementar desta série: “A África vai precisar de milhões de gestores de projetos. O que isso significa para profissionais brasileiros?”
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Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.
Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.


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