Você consome mais conteúdo sobre gestão. Então por que ainda se sente despreparado?
Consumir cursos, vídeos e livros de gestão não garante competência profissional. Entenda por que a prática, o feedback e a aprendizagem em comunidade fazem diferença.
Nunca foi tão fácil acessar conhecimento sobre gestão. Cursos on-line, vídeos, podcasts, newsletters, livros e artigos especializados estão disponíveis a poucos cliques.
Ainda assim, muitos profissionais chegam ao primeiro cargo de liderança ou responsabilidade com a sensação de que não estão preparados para enfrentar situações do dia a dia.
Essa percepção aparece com frequência entre os mais de 465 mil alunos que acompanham meus cursos no LinkedIn Learning.
A dúvida mais recorrente não costuma ser sobre o conteúdo estudado. Ela surge depois da conclusão das aulas.
A pergunta é simples:
“Terminei o curso. E agora?”
Os alunos conhecem conceitos, reconhecem metodologias e conseguem explicar frameworks.
Porém, quando precisam conduzir uma reunião difícil, negociar prioridades ou resolver um conflito em um projeto, descobrem que existe uma distância entre conhecer um assunto e conseguir aplicá-lo.
Consumir conteúdo não basta para desenvolver competências
O acesso ao conhecimento nunca foi tão amplo. Ao mesmo tempo, pesquisas sobre empregabilidade mostram que profissionais em início de carreira frequentemente relatam insegurança ao assumir funções de maior responsabilidade.
Isso não acontece por falta de dedicação.
A explicação está em um erro comum: tratar o consumo de conteúdo como sinônimo de desenvolvimento de competência.
Esses conceitos não são equivalentes.
Ler sobre feedback não significa saber conduzir uma conversa delicada com um colaborador.
Assistir a uma aula sobre gestão de stakeholders não prepara alguém, por si só, para negociar interesses conflitantes em um projeto.
Conhecer a definição de gestão de projetos também não garante a capacidade de entregar resultados em cenários marcados por incerteza, equipes reduzidas ou prazos comprometidos.
O mercado recompensa quem consegue resolver problemas concretos, e não apenas quem domina a teoria.
O mercado não remunera quem sabe definir gestão de projetos. Remunera quem entrega resultados em projetos mal definidos, com equipes incompletas e prazos já comprometidos.
O que a pesquisa mostra sobre o desenvolvimento de competências
A contribuição de Anders Ericsson
O pesquisador Anders Ericsson, conhecido pelos estudos sobre prática deliberada, demonstrou que a competência não é construída apenas pela exposição ao conhecimento.
Segundo seus estudos, a evolução acontece quando três fatores trabalham juntos:
prática em situações reais;
repetição;
feedback qualificado.
Assistir durante horas a vídeos sobre gestão de crises dificilmente produzirá o mesmo aprendizado obtido ao participar de uma situação real, acompanhado por alguém capaz de identificar erros e orientar melhorias.
Sem esse ciclo de prática e retorno, o conhecimento tende a permanecer apenas no campo conceitual.
Étienne Wenger acrescenta outro elemento importante ao estudo da aprendizagem.
Para ele, o conhecimento se consolida dentro das chamadas comunidades de prática, grupos de pessoas que compartilham desafios semelhantes, discutem experiências e aprendem umas com as outras.
Nesse ambiente, os conceitos deixam de ser apenas definições e passam a ganhar contexto.
Uma discussão entre profissionais que enfrentam problemas semelhantes costuma gerar mais aprendizado do que a leitura isolada de vários artigos sobre o mesmo tema.
Cada participante contribui com experiências diferentes, amplia perspectivas e ajuda os demais a interpretar situações reais.
O que realmente transforma conhecimento em competência
As pesquisas convergem para um mesmo diagnóstico.
Competência profissional é resultado da combinação entre diferentes elementos.
Conteúdo de qualidade;
prática em situações reais;
feedback constante;
aprendizagem em comunidade.
O conteúdo continua sendo indispensável.
Entretanto, ele representa apenas o início do processo.
A verdadeira aprendizagem acontece quando o conhecimento é colocado em prática, discutido, questionado e aprimorado diante de desafios concretos.
Foi justamente a partir dessa constatação que surgiu a comunidade Estratégia em Ação.
A proposta não é oferecer apenas mais um canal de publicação de artigos ou vídeos.
O objetivo é criar um ambiente em que cada conteúdo funcione como ponto de partida para discussões, troca de experiências e aplicação prática.
Em vez de apenas consumir informação, os participantes têm a oportunidade de levar problemas reais para debate, comparar abordagens e receber contribuições de profissionais que enfrentam desafios semelhantes.
A diferença entre ler um artigo e discutir esse mesmo conteúdo com pessoas que o aplicam diariamente é a diferença entre informação e conhecimento em ação.
Se o conteúdo é apenas o ponto de partida, o próximo passo é criar condições para que ele seja aplicado no dia a dia.
A comunidade Estratégia em Ação foi estruturada com esse objetivo: transformar conhecimento em prática por meio da interação entre profissionais.
Os recursos disponíveis procuram estimular a continuidade do aprendizado, permitindo que os participantes discutam desafios reais, compartilhem experiências e recebam feedback.
Artigo semanal
Toda sexta-feira, às 8h, a comunidade publica um artigo sobre gestão, estratégia e inteligência artificial.
Os textos apresentam análises fundamentadas, referências e exemplos práticos. A proposta é que cada publicação sirva como ponto de partida para novas discussões.
Versão em áudio
Cada artigo também está disponível em formato de áudio.
A opção atende quem prefere consumir conteúdo durante deslocamentos, caminhadas ou outras atividades do cotidiano.
Aplicativo para iOS e Android
Os membros podem acessar a comunidade por meio de aplicativo para dispositivos móveis.
O recurso inclui leitura offline, permitindo acompanhar os conteúdos mesmo sem conexão com a internet.
Espaço para discussão
O ambiente de conversa é um dos principais diferenciais da comunidade.
Nele, gestores, consultores, empreendedores e profissionais em transição de carreira compartilham dúvidas, experiências e soluções para problemas enfrentados em diferentes organizações.
É nesse espaço que o conhecimento ganha contexto.
Podcast
Previsto para agosto de 2026, o podcast amplia os temas apresentados nos artigos semanais.
Os episódios reúnem análises, convidados e debates sobre gestão, estratégia e inteligência artificial.
Lives e aulas mensais
A partir de setembro de 2026, a programação inclui encontros ao vivo.
Durante as transmissões, os participantes podem apresentar perguntas, discutir casos e trocar experiências em tempo real.
Esse formato aproxima o aprendizado do ciclo descrito por Anders Ericsson, no qual prática e feedback caminham juntos.
Mentorias em grupo
Também previstas para setembro de 2026, as mentorias mensais permitem que os participantes levem situações reais para discussão.
Os encontros são voltados à análise de desafios relacionados à carreira, projetos e tomada de decisão, sempre com foco na aplicação prática do conhecimento.
Os participantes passam a ter direito a uma bolsa equivalente a 60% de desconto em um programa executivo da California State University Northridge (CSUN).
O benefício cobre aproximadamente US$ 4.800 do valor do curso.
50 indicações
A última etapa oferece uma mentoria individual de uma hora.
Durante o encontro, o participante pode discutir um desafio específico relacionado à carreira, projetos ou decisões profissionais.
Aprender em comunidade reduz o tempo entre teoria e prática
Ao longo dos anos em que coordeno programas executivos na California State University Northridge, um aspecto sempre chamou minha atenção.
Profissionais de diferentes países compartilham problemas semelhantes, mas evoluem mais rapidamente quando aprendem em conjunto.
A convivência com pessoas que atuam em contextos diversos amplia perspectivas, acelera a tomada de decisão e ajuda a transformar conhecimento em competência.
Isso não elimina a necessidade de experiência profissional.
Entretanto, reduz o tempo necessário para converter teoria em prática.
Esse é o propósito da comunidade Estratégia em Ação.
Criar um ambiente em que o aprendizado não termine quando o artigo acaba ou quando o vídeo é encerrado, mas continue nas discussões, nos desafios compartilhados e nas experiências construídas coletivamente.
Se conhecimento é importante, contexto faz toda a diferença.
Sobre o autor
Durante palestra, Mario Trentim apresenta seus canais de conteúdo, incluindo a newsletter Estratégia em Ação, dedicada à gestão estratégica e inteligência artificial.
Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI Global no mandato 2025–2027, sendo o único brasileiro na composição atual.
É doutorando no ITA, autor de 13 livros e responsável por 48 cursos publicados no LinkedIn Learning, plataforma em que reúne mais de 465 mil alunos.
Também coordena programas executivos na California State University Northridge (CSUN) e é criador da comunidade Estratégia em Ação, iniciativa voltada ao desenvolvimento de competências em gestão, estratégia e inteligência artificial por meio da aprendizagem em comunidade.