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Biologia

Cocaína

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 20/8/2018

Introdução

A cocaína é um composto alcalóide considerado ilícito e utilizado principalmente como droga recreativa.

É extraída de plantas do gênero Erythroxylum e possui função estimulante e analgésica, entrando nas categorias de drogas estimulantes junto com as metanfetaminas.

A cocaína é a segunda droga ilícita mais consumida mundialmente, de acordo com dados das Nações Unidas (ONU). A maconha fica em primeiro. No Brasil, ainda que esteja entre as drogas ilícitas mais consumidas, está perdendo espaço para drogas sintéticas como LSD, ecstasy, MDMA, etc.

A substância é encontrada principalmente nas folhas da planta Erythroxylum coca, nativa da América Central e do Sul, onde era utilizada desde a antiguidade pelos nativos que mascavam a folha para suportarem o frio, inibir o apetite e a fadiga.

A folha ainda é utilizada para fazer chás em países como a Bolívia, já que a concentração de cocaína não chega a 10% da concentração de compostos nas folhas, não representando um risco para quem consumir.

Vegetal Erythroxylum coca de onde é extraído a cocaínaVegetal Erythroxylum coca de onde é extraído a cocaína

Proibição

A cocaína foi estudada por suas funções analgésicas e como tratamento para substituir a morfina. Devido aos seus efeitos tóxicos do composto, a cocaína foi proibida nos Estados Unidos em 1914 e em 1920 no Brasil.

Produção

Para a extração e produção da cocaína como entorpecente primeiro as folhas de coca são maceradas na presença de ácido sulfúrico (H2SO4) (ou a gasolina é empregada como substituta do ácido) resultando em uma pasta conhecida como extrato da cocaína.

A segunda etapa consiste em misturar o extrato com ácido clorídrico (HCl) formando o pó branco característico da droga.

Fórmula estrutural da cocaína.Fórmula estrutural da cocaína

Cocaína no organismo

O pó branco gerado após a extração da cocaína submetida ao tratamento com os ácidos pode ser consumido por aspiração (mais comum), fumado e até injetado.

Neste último caso, os efeitos são notados mais rapidamente, mas os mesmos riscos que qualquer outra droga injetada, principalmente a transmissão de doenças e o aumento na possibilidade de overdose.

A forma mais comum de consumo, através da aspiração, também está relacionada com patologias nasais como destruição de septo e diminuição da absorção de oxigênio.

Cocaína encontrada na forma mais comum, como um pó branco.Cocaína encontrada na forma mais comum, como um pó branco

Após ser consumida, os efeitos têm início dentro de poucos minutos e podem durar de cinco a sessenta minutos.

A cocaína age estimulando o sistema nervoso central e suprimindo o apetite. É um inibidor da enzima monoamina oxidase que é responsável pela recaptação de neurotransmissores como a adrenalina e dopamina.

Uma vez que a cocaína inibe a ação dessa enzima, as concentrações de noradrenalina e dopamina no cérebro aumentam, mostrando os efeitos mais característicos como euforia e sensação de bem estar.

A cocaína possui uma elevada taxa de dependência, sendo notada logo após seu primeiro uso, fazendo com que o indivíduo tenha necessidade de consumir mais e o uso contínuo da substância aumenta a tolerância do organismo para ela.

Isso ocorre porque o organismo reduz a ação dos receptores cerebrais onde há ação da droga. Com a redução da ação dos receptores, a ação do entorpecente não se completa e isso faz com que o usuário sinta com menos força o efeito da droga.

Como consequência, os indivíduos acabam ficando dependentes da cocaína e consumindo cada vez mais concentrações, aumentando as chances de uma overdose.

Efeitos

O uso da cocaína produz efeitos físicos e psicológicos de curto e longo prazo.

Efeitos de curto prazo

Psicológicos

  • Sensação de felicidade;
  • Ausência de medo;
  • Comportamento violento;
  • Euforia;
  • Perda de apetite;
  • Insônia;
  • Paranóia e alucinações;
  • Náuseas.

Físicos

  • Taquicardia (batimentos cardíacos elevados);
  • Espasmos musculares;
  • Hipertensão;
  • Temperatura corporal elevada;
  • Ritmo respiratório acelerado;
  • Pupilas dilatadas;
  • Hiperglicemia (aumento da concentração de glicose no sangue);
  • Suor e salivação excessivos;
  • Urgência de urinação.

Efeitos de longo prazo

Psicológicos

  •  Desorientação, apatia, exaustão e confusão;
  •  Perda de memória;
  •  Irritabilidade e transtornos do humor;
  •  Depressão.

Físicos

  •  Aumenta o risco de ataques cardíacos e derrame cerebral;
  •  Insuficiência respiratória;
  •  Danos permanentes nos vasos sanguíneos;
  •  Se for inalada: ocorre a destruição dos tecidos nasais;
  •  Se for fumada: causa insuficiência respiratória;
  •  Se for injetada: causa doenças infecciosas;
  •  Perda de peso até os níveis de desnutrição.

Efeitos em doses elevadas

  • Convulsões;
  • Ataques epilépticos;
  • Taquicardia;
  • Dormência de membros;
  • Morte por overdose;

Efeitos em abstinência

A cocaína também acarreta fortes efeitos na sua abstinência. A abstinência é o momento em que o nível de concentração da droga cai no organismo. Neste momento, os efeitos podem ser:

  • Depressão;
  • Fissura pela droga;
  • Pânico e psicose.

Crack

O crack é uma droga produzida a partir da cocaína, possuindo os mesmos efeitos em grau mais elevado, porém com tempo mais curto de duração e com aumento dos riscos do seu consumo.

Ele é produzido a partir da pasta que sobra das etapas de síntese da cocaína com adição de bicarbonato de sódio.

Por ser uma droga mais barata que a cocaína e ainda produzir efeitos mais intensos, o crack acaba sendo consumido por dependentes químicos que já não encontram na cocaína a sensação de bem estar que tinham no início.

O uso de crack ainda é muito estigmatizado com a população mais marginalizada, sendo em muitos lugares conhecidos como a “cocaína dos pobres e mendigos”.

Pedra de Crack que é sua forma mais encontradaPedra de Crack que é sua forma mais encontrada

Teste de Detecção

Os principais testes para detectar o uso de cocaína e outras drogas são através da análise do sangue e da urina.

Os exames de sangue possuem uma janela de detecçãode até dois dias e pouca eficiência do resultado, podendo apontar falsos positivos.

A janela de detecção é o período após o consumo em que ainda é possível detectar a substância. Já um falso positivo é quando o exame dá um resultado dizendo que o paciente consumiu cocaína quando na verdade não consumiu.

O exame de urina, embora possua uma janela de detecção maior (até três dias) também possui eficiência baixa e também pode acusar falsos positivos.

O melhor teste de detecção de cocaína é por meio de amostras de pêlos ou cabelos. Este possui noventa dias de janela de detecção, eficiência nos resultados e não há possibilidade de falsos positivos.

A cocaína, uma vez metabolizada, fica armazenada nessas glândulas por muito tempo até ser secretada no suor.

Tratamento

Os tratamentos para dependentes químicos obedecem a padrões específicos de cada país.

No caso da cocaína, geralmente, sua dose é diminuída ou substituída por outro estimulante, que também terá sua dose diminuída gradativamente. Quando ocorrem distúrbios psiquiátricos, estes são tratados com antidepressivos e antipsicóticos.

Estudos recentes apontam para uma imunização ativa, uma vacina contra a cocaína. A vacina é composta por uma molécula de cocaína unida a um ácido e uma proteína transportadora da toxina da cólera asiática.

Em resumo, a vacina pode impedir a cocaína de entrar no sistema nervoso central por interferência de anticorpos que irão reconhecer a droga. O mecanismo impossibilita o usuário de sentir os efeitos da droga após o consumo.

Os testes em humanos dessa vacina que pode ser um promissor mecanismo de tratamento foram iniciados em 2008.


Exercícios

Exercício 1
(UPE/2013)

O Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína, conforme pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O estudo ouviu 4,6 mil pessoas com mais de 14 anos em 149 municípios do país. Os resultados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) apontam ainda que o Brasil representa 20% do consumo mundial do crack.

Adaptado de: Redação Época, com Agência Brasil, 05/09/12

Das alternativas abaixo, qual se relaciona com as doenças e os efeitos provocados pelo uso do crack?

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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