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Biologia

Poríferos

William Mira
Publicado por William Mira
Última atualização: 22/10/2018

Introdução

Também chamados de espongiários - ou apenas esponjas -, os poríferos são considerados os organismos mais primitivos dentro do Reino Animal.

São seres aquáticos e predominantemente marinhos, havendo poucos indivíduos em água doce. São organismos sésseis, ou seja, sem capacidade locomotora na maior parte da sua vida, vivendo fixados em estruturas rochosas, em bancos de areia no oceano ou em corais.

Dentro do filo dos poríferos (Poriphera), os indivíduos são divididos em três classes, que levam em conta o material encontrado nas espículas que formam o seu endoesqueleto (esqueleto interno). Os organismos espongiários podem ser, então, classificados em:

  • Calcarea: organismos com espículas calcárias;
  • Hexactinellida: organismos com espículas de sílica.
  • Demospongiae: organismos geralmente sem espículas, possuindo esqueleto de material mais maleável chamado espongina.

Por muito tempo, os poríferos foram utilizados como esponjas naturais pelo ser humano. A classe desmospongiae, por possuir um esqueleto cartilaginoso, era a mais utilizada para essa finalidade. Alguns espongiários podem, ainda, liberar substâncias de defesas que estão atualmente sendo estudadas, devido ao seu caráter urticante e antibiótico.

Esponja marinha.Esponja marinha.
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Características

Os poríferos, assim como todos os animais, são organismos eucariontes, heterotróficos e pluricelulares.

Apesar dessas semelhanças, os espongiários não possuem a capacidade de formar tecidos e órgãos (devido a ausência da lâmina basal). Por isso, não sendo necessária a formação do celoma durante o desenvolvimento embrionário, esses indivíduos são chamados de acelomados.

A estrutura corporal dos poríferos pode se assemelhar a um cilindro, barril, vaso ou tubo, contendo em seu interior uma cavidade chamada de átrio ou espongiocele. Na parte oposta à base, encontra-se uma abertura para o meio externo chamada de ósculo, por onde saem os materiais absorvidos.

O nome porífero está relacionado com a presença de poros que garantem a absorção de água e nutrientes pelo organismo. Esses poros, também chamados de óstios, são formados por células específicas chamadas de porócitos - que formam um canal entre o meio externo e interno do porífero.

O revestimento externo dos espongiários é chamado de pinacoderme, por ser formado por uma camada de células conhecidas como pinacócitos. O revestimento interno, em contato com a espongiocela, é formado por células fixas e flageladas, chamadas de coanócitos.

Entre as camadas interna e externa, há uma camada chamada meso-hilo ou mesênquima, onde estão presentes as espículas que irão formar o esqueleto dos poríferos, além dos amebócitos - células totipotentes (podem se diferenciar nos demais tipos celulares presentes no organismo) que apresentam a função de transporte de substâncias.

Estrutura corporal de um porífero.
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Nutrição

Os poríferos são animais filtradores, ou seja, através dos porócitos, eles conseguem absorver água para a espongiocele. Essa água carrega consigo compostos orgânicos e até pequenos organismos, como fitoplânctons e protozoários, que servirão de alimento para o organismo.

No interior da espongiocele, os coanócitos movimentam seus flagelos promovendo um fluxo contínuo de água. As partículas orgânicas são capturadas e digeridas pelos coanócitos e o produto dessa digestão pode ser transportado para outras células através dos amebócitos, por difusão. O restante da água presente no átrio é, então, liberado através do ósculo para o meio externo.

Resumidamente, o fluxo de nutrientes em um espongiário se inicia com a entrada de água pelos poros até a espongiocele e se finaliza com a saída dela pelo ósculo. A digestão, por ocorrer no interior das células dos coanócitos, é chamada de digestão intracelular.

Respiração

A respiração possui um processo similar ao da nutrição: a água que entra pelos poros carrega oxigênio que é, então, absorvido por difusão pelos coanócitos para o processo de respiração celular.

O gás carbônico, produto da respiração, é liberado para a espongiocele e carregado pela água ao deixar o organismo pelo ósculo.

A água que é absorvida, portanto, tem grande quantidade de gás oxigênio e, quando liberada para o meio externo, possui grande quantidade de dióxido de carbono (CO2).

Reprodução

Os espongiários podem apresentar reprodução assexuada ou sexuada.

Devido a sua reprodução assexuada ser similar a encontrada em plantas, por muito tempo os poríferos foram considerados um filo dentro do Reino Plantae. São organismos geralmente monóicos ou hermafroditas, embora existam poucas espécies de esponjas dióicas (indivíduos com sexo separados, sendo uns organismos masculinos e outros femininos).

A reprodução assexuada, embora não promova a variabilidade genética - ou seja, todos os indivíduos gerados serão idênticos ao organismo inicial -, se torna importante em ambientes que não são habitados por poríferos ou em condições ambientais em que uma área precisa ser povoada rapidamente, como após uma catástrofe ambiental, por exemplo.

A reprodução assexuada pode ocorrer por:

  • Fragmentação: esponjas apresentam uma grande capacidade de regeneração, de modo que fragmentos retirados do corpo de um organismo pode se desenvolver em um novo organismo;
  • Brotamento: a partir do organismo materno, brotos podem ser gerados formando uma colônia (broto + corpo materno). Com o desenvolvimento, o broto pode se separar e formar um indivíduo independente.
  • Gemulação: em condições inviáveis de sobrevivência, alguns amebócitos podem se diferenciar em células chamadas de arqueócitos, que são, então, envolvidas por uma camada protetora, formando uma gêmula. Quando o ambiente passa a ter condições favoráveis de sobrevivências, essas gêmulas são liberadas no ambiente e geram novos organismos. Esse processo permite com que poríferos sobrevivam longos períodos em condições adversas, como secas e elevadas temperaturas.

A reprodução sexuada de espongiários envolve a formação dos gametas: o óvulo é formado a partir do amebócito e o espermatozóide é formado a partir do amebócito ou do coanócito. Em espécies monóicas, os gametas são formados em períodos diferentes.

Uma vez formados, os espermatozóides são liberados pelo ósculo e podem ser absorvidos pelos poros de outra esponja.

No interior do átrio, o espermatozóide é capturado por um coanócito e levado até o óvulo, para que ocorra a fecundação. A partir da fecundação, é gerado um zigoto, que se desenvolve até formar uma larva flagelada que consegue se locomover na água.

Essa larva, chamada de anfiblástula - quando possui flagelos em uma metade do seu corpo - ou de parenquímula - quando possui flagelos em todo o seu corpo - é então liberada para o ambiente e se locomove até encontrar um ambiente de condições favoráveis para se fixar e se desenvolver em uma esponja adulta.

Classificação Morfológica

Os poríferos podem ser classificados quanto a morfologia (formato) que apresentam em:

  • Asconóide: apresenta parede delgada e espongiocele ampla. É o tipo mais simples de espongiário. Possui apenas esqueleto de calcário.
  • Siconóide: apresenta dobramentos na parede do corpo, aumentando assim a sua superfície e a quantidade de coanócitos, o que intensifica o fluxo de água pelo organismo. Esse tipo de morfologia pode apresentar esqueleto tanto de calcário quanto de sílica.
  • Leuconóide: forma mais complexa das esponjas. Possui parede do corpo espessa e dotada de inúmeras câmaras vibráteis, forradas de coanócitos que promovem um intenso fluxo de água. A espongiocele é reduzida ou ausente, e esses organismos podem possuir ainda mais de um ósculo para liberação de água e outras substâncias. Seu esqueleto pode ser tanto de calcário, como de sílica ou espongina.

Diferentes formas morfológicas dos Poríferos.Diferentes formas morfológicas dos Poríferos.

Aplysina aerophoba.Aplysina aerophoba.


Exercícios

Exercício 1
(FUVEST)

A característica abaixo que não condiz com os poríferos é:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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