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Geografia

Industrialização Brasileira

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 19/9/2019

Introdução

O processo de industrialização brasileira - ou seja, o fortalecimento dos investimentos no setor fabril e a expansão e crescimento econômico das indústrias - é considerado tardio, uma vez que, enquanto as potências europeias já experienciaram suas revoluções industriais desde os primeiros anos do século XIX, o Brasil ainda vivia sob o regime de economia colonial.

Foi só a partir de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas, que o Brasil passou a investir no segundo setor - ou setor industrial - e passou por profundas mudanças econômicas, políticas e sociais.

Mais tarde, durante o governo de Juscelino Kubitschek, o país viu seu ramo industrial crescer exponencialmente, diante do slogan “50 anos em 5” do então presidente.

Veremos, aqui, os fatores centrais da industrialização brasileira durante esses períodos. 

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Antecedentes

Enquanto o Brasil teve Portugal como metrópole (1500-1808), a implantação de indústrias foi proibida na colônia, a fim de se evitar a concorrência comercial dos produtos e, principalmente, que o país conquistasse autonomia financeira suficiente para uma possível independência.

Por isso, durante mais de 300 anos, a produção no Brasil foi exclusivamente artesanal, salvo o caso dos engenhos de açúcar

Em 1808, com a chegada da família real portuguesa no Brasil, o cenário começou a mudar: a implantação de indústrias foi permitida e a importação de matéria-prima para abastecimento das fábricas também.

Entretanto, alguns requisitos deveriam ser cumpridos, como o pagamento de taxas de importação de 15%.

As primeiras indústrias surgidas no Brasil dedicavam-se à produção de tecidos, sabão, alimentos e outros produtos que não demandavam alto grau de tecnologia.

Apesar do surgimento dessas indústrias neste período, até os últimos anos da década de 1920 o maior interesse e investimento econômico no país era direcionado para a ampliação e exportação do café

A partir de 1929, o Brasil viveu uma grave crise do modelo agrário-exportador, com a intensa queda do rendimento de lucro das plantações de café.

Crise do Café fez com que os investimentos passassem a ser direcionados para atividades urbanas como as indústrias e, devido à redução das importações, tornou-se necessária a produção de bens de consumo, o que também impulsionou as indústrias. 

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A Industrialização Brasileira começa

Entre 1930 e 1955, o setor industrial recebeu muitos investimentos dos ex-cafeicultores que haviam acumulado lucros. Com a crise do café, não investiriam mais no setor agrário.

Além disso, outros fatores foram importantes para possibilitar o crescimento da indústria no Brasil:

  • a chegada dos imigrantes estrangeiros e suas técnicas industriais;
  • a dificuldade de importação de produtos em decorrência da Primeira Guerra Mundial;
  • o começo da formação da classe média urbana consumidora.

Governo Getúlio Vargas

A industrialização brasileira teve como consequência a transformação do espaço geográfico e mudanças em diversos aspectos sociais e econômicos, impulsionados pelo Governo Getúlio Vargas.

Dentre elas podemos citar:

  • melhoria dos meios de transporte (malha ferroviária e malha rodoviária, principalmente) para facilitar a distribuição dos produtos;
  • criação da Companhia Siderúrgica Nacional (1942-1947) em Volta Redonda, responsável pela produção de metais - principalmente aço - fornecidos como matéria-prima para outras fábricas;
  • criação da Companhia Vale do Rio Doce, empresa de exploração de mineração;
  • criação da Petrobrás, empresa estatal produtora de energia;
  • criação das Leis Trabalhistas pelo governo de Getúlio.

Construção da Companhia Siderúrgica Nacional

É importante pontuar que a maior parte das indústrias neste período encontravam-se no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. A concentração de infra-estrutura, mercado consumidor e mão de obra qualificada tornaram a Região Sudeste pioneira na industrialização do país.

Entre 1930 e 1955, as indústrias produziram tanto bens de consumo duráveis - como automóveis - quanto bens de consumo não duráveis - desde calçados e roupas até alimentos.

Industrialização no Governo JK

O processo de industrialização brasileiro adquiriu novos rumos a partir do governo do presidente Juscelino Kubitschek, entre 1956 e 1960. 

Governo JK é considerado nacional-desenvolvimentista, uma vez que o Estado é o grande responsável pelo desenvolvimento econômico e industrial nacional, ao mesmo tempo em que existe certa abertura para o capital estrangeiro. É por conta dessa política que JK acabou por aumentar muito a dívida externa brasileira

Foi durante esse período que houve um grande crescimento industrial e o consequente aumento do padrão de vida, além da possibilidade de consumo de uma parcela da população: a classe média.

Entretanto, houve também o grande aumento da desigualdade social.  

Algumas das características centrais das políticas para a indústria nesse período foram:

  • internacionalização da economia: ou seja, abertura para o capital internacional, o que levou a entrada de grandes indústrias multinacionais no país - principalmente automobilísticas - como a Ford, General Motors etc;
  • economia baseada em três pilares:
  • o Estado e seu capital investindo nas indústrias de base e infra-estrutura;
  • o capital privado nacional direcionado às indústrias de bens de consumo não durávei;
  • o capital internacional, com investimentos na produção de bens duráveis;
  • grande desenvolvimento das áreas urbanas: enquanto foram escassos os investimentos nas áreas rurais.

Inauguração da fábrica da GM pelo presidente JK 

E os últimos anos?

As premissas básicas das políticas industriais de JK, apesar de adaptadas, permanecem no país até hoje.

Durante a Ditadura Militar, por exemplo, foi intensificada a entrada de empresas e capital estrangeiro, o que veio a comprometer a autonomia do crescimento econômico do país.

Além disso, a modernização econômica que deu origem ao chamado “Milagre Econômico”, entre 1968 e 1973, que aconteceu diante do aprofundamento da dívida externa.

O desgaste causado pelas políticas dos militares foi sentido na década de 1980, quando Brasil teve sua atividade industrial reduzida e altas taxas de inflação

Desde a década de 1990, as políticas industriais têm sido marcadas pela perspectiva neoliberal, com privatizações de empresas estatais, flexibilização das leis trabalhistas, redução de investimentos em âmbitos sociais etc. 


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2013)

Observe a charge abaixo:

imagem-010.jpg

Meta de Faminto

JK   —  Você agora tem automóvel brasileiro, para correr em estradas pavimentadas com asfalto brasileiro, com gazolina brasileira. Que mais quer?

JECA — Um prato de feijão brasileiro, seu doutô!

(THÉO. In; LEMOS, R. (Org ). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001) Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras & Expressões, 2001)

A charge ironiza a política desenvolvimentista do governo Juscelino Kubitschek, ao:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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