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História Geral

Crise de 1929

Otávio Spinace
Publicado por Otávio Spinace
Última atualização: 4/9/2018

Introdução

Em 1929, o capitalismo passou por sua maior crise até então. Seu epicentro aconteceu nos Estados Unidos, que já haviam se consolidado como principal economia do mundo após a Primeira Guerra Mundial, mas seu alcance alcançou o mundo todo.

A crise de 1929, marcada pela quebra da bolsa de Nova York, foi seguida por uma grande depressão econômica que resultou na falência de diversas empresas e no aumento da pobreza e do desemprego.

Politicamente, a crise econômica que se espalhou pelo mundo contribuiu com a chegada ao poder de regimes totalitários em países que ainda sofriam as consequências da Grande Guerra.

Contexto histórico

Apesar de ter entrado na Primeira Guerra Mundial apenas um ano antes do seu término, em 1917, os Estados Unidos foram o país que mais obteve ganhos com a guerra.

Além de não ter sofrido ataques em seu território, a economia americana se consolidou como a mais importante do mundo, fornecendo tanto produtos agrícolas como industriais, e até mesmo crédito aos países fragilizados pela guerra.

Apesar de não ter consolidado seu plano de paz, como proposto pelo presidente Woodrow Wilson, após um curto período de dificuldades, a década de 1920 foi de grande crescimento econômico e otimismo para a economia americana.

Com a recuperação dos países europeus, os americanos recuperaram os empréstimos que haviam feito durante a guerra e puderam incrementar sua indústria. Também nesse período se consolidou o American way of life, expressão que sintetiza o estilo de vida americano, baseado no bem-estar e no consumo, e utilizado como propaganda do país.

Em resumo, a década de 1920 marcou o expansionismo americano não apenas pela exportação de seus produtos, mas também de sua cultura para o mundo capitalista. O sentimento otimista que se espalhou pelo país, aliado ao liberalismo econômico quase irrestrito implantado pelo governo, intensificou os investimentos na produção industrial e agrícola, assim como a especulação no mercado financeiro.

Contudo, apesar do cenário favorável, gradativamente o processo de boom na produção encontrou obstáculos no consumo, que não era capaz de absorver a grande quantidade de mercadorias produzidas.

A concentração de renda, estabelecida principalmente com a formação de grandes monopólios e oligopólios, acabou afetando o mercado consumidor que havia se formado entre os trabalhadores americanos.

Em paralelo, a mecanização dos processos de produção e as dificuldades vividas na agricultura contribuíram com o aumento do desemprego nos Estados Unidos, fazendo com que as famílias no país não conseguissem mais consumir da mesma forma.

Esse processo gradual gerou uma crise de superprodução na economia americana, ou seja, a produção de bens superou em muito a capacidade de consumo pelo mercado, processo que se manifestou com maior intensidade a partir de 1929.

A Grande Depressão

Junto com o crescimento econômico, o mercado de ações havia se popularizado nos Estados Unidos ao longo dos anos 1920. Com a crise o que atingia o país, milhares de pessoas, não apenas grandes empresários e investidores, passaram a ficar receosas em relação a seus investimentos na bolsa.

O clima de pessimismo se espalhou e provocou a venda em massa de ações na Bolsa de Nova York, no dia 24 de outubro de 1929, conhecida como quinta-feira negra (em inglês, Black Thursday).

Com a quebra da bolsa, muitas empresas entraram em falência, e a crise econômica, iniciada como uma crise de superprodução, se transformou na Grande Depressão. Esse período durou aproximadamente até 1933, e é comumente lembrado como um dos momentos mais difíceis da história dos Estados Unidos.

Empresários perderam todo seu patrimônio e houve um aumento brusco do desemprego. Em razão da piora da economia, ocorreu uma epidemia de suicídios nos EUA, tanto entre empresários que perderam seus negócios, como entre trabalhadores que não conseguiam sustentar suas famílias.

Em razão também da interdependência da economia capitalista, a crise dos Estados Unidos se espalhou pelo mundo. Os países da América Latina, que dependiam fortemente da exportação de produtos primários para os EUA, foram muito abalados, pois não havia mais quem comprasse seus produtos.

No caso do Brasil, houve uma crise sem precedentes na indústria do café, o que acabou gerando consequências políticas. A República de Weimer (Alemanha) também foi muito atingida, já que desde a Primeira Guerra Mundial dependia muito de investimentos americanos.

O aumento da crise na Alemanha acabou favorecendo a ascensão do nazismo e a chegada de Hitler ao poder em 1933. O único país que escapou relativamente ileso da crise foi a União Soviética, que na década de 1920 já havia iniciado a transição para o socialismo através da planificação de sua economia.

O New Deal

Depois do impacto imediato da crise de 1929 e as consequências da Grande Depressão, os Estados Unidos iniciam sua recuperação com maior intensidade em 1933, ano de lançamento do New Deal (novo acordo), implementado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito no ano anterior.

O plano econômico, desenvolvido principalmente pelo economista britânico John Keynes, se opunha ao liberalismo vigente na década anterior. Para isso, propunha um novo papel para o Estado, regulamentando a atividade econômica para criar demanda e restabelecer o consumo, pilar fundamental da economia capitalista.

Desse modo, apesar de crítico ao laissez-faire (expressão francesa que representa o liberalismo econômico), o new deal não rompia com o capitalismo, mas, ao contrário, procurava salvá-lo. O novo plano de Roosevelt aumentava os investimentos em obras públicas e reduzia a jornada dos trabalhadores, procurando, assim, criar empregos.

Além disso, foram feitos investimentos para recuperar a produção agrícola e criados novos órgãos para resolução de conflitos trabalhistas. Embora o new deal tenha sido fundamental para recuperar a economia dos Estados Unidos, seu verdadeiro ponto de inflexão se dará durante a Segunda Guerra Mundial. Com a reabilitação de indústria bélica e a ajuda aos países mais afetados, os Estados Unidos de fato reativam sua economia e se consolidam no posto de maior potência do mundo capitalista.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2017)

“Mas a Primeira Guerra Mundial foi seguida por um tipo de colapso verdadeiramente mundial, sentido pelo menos em todos os lugares em que homens e mulheres se envolviam ou faziam uso de transações impessoais de mercado. Na verdade, mesmo os orgulhosos EUA, longe de serem um porto seguro das convulsões de continentes menos afortunados, se tornaram o epicentro deste que foi o maior terremoto global medido na escala Richter dos historiadores econômicos — a Grande Depressão do entreguerras.”

(HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Cia. das Letras, 1995.)

A Grande Depressão econômica que se abateu nos EUA e se alastrou pelo mundo capitalista deveu-se ao(à)

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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