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Geografia

Capitalismo

Maria Clara Cavalcanti
Publicado por Maria Clara Cavalcanti
Última atualização: 6/11/2018

Introdução

O capitalismo é um sistema econômico que se expandiu historicamente para os âmbitos da política, da cultura, das concepções éticas e do escopo social como um todo. A primeira vez que o capitalismo se estabeleceu como sistema predominante foi na Europa Ocidental, a partir do Século XV.

A propriedade privada, o controle dos meios de produção pela burguesia e o objetivo do máximo lucro são algumas das características principais do capitalismo.

Pode-se afirmar que o capitalismo é um sistema econômico que tem por principal propósito a acumulação de capital a partir do uso da mão-de-obra de trabalhadores assalariados. Em sua estrutura, são determinantes também o livre mercado, a livre regulação e a pouca intervenção do Estado. Sendo assim, o lucro é o motor fundamental do sistema capitalista.

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Princípios fundamentais

O sistema capitalista objetiva constantemente o aumento dos lucros e o acúmulo de capital. Para isso, o trabalho assalariado, a propriedade privada, o sistema de preços e mercados competitivos são premissas fundamentais.

A estrutura do capitalismo é sustentada por um sistema onde a burguesia, proprietária dos meios de produção (maquinário, terras, indústrias, empresas, etc), compra a força de trabalho do proletariado, que são os trabalhadores assalariados que vivem da venda de seu tempo de trabalho e produzem riquezas para a burguesia.

Lógica semelhante a essa pode ser encontrada também na relação entre latifundiários e camponeses. Essa divisão é constituinte de uma sociedade de classes.

A propriedade privada e liberdade individual garantem que os meios de produção possam pertencer exclusivamente à classe burguesa, sendo por isso, a quem pertence os lucros gerados.

Karl Marx - um importante filósofo e sociólogo nascido na Prússia e que viveu a maior parte da vida Reino Unido - definiu o aumento dos rendimentos e a obtenção dos lucros a partir do trabalho do proletariado como “mais-valia”.

Karl Marz, filósofo, economista, sociólogo e jornalista; autor de livros importantes como “O Capital” e “A Ideologia Alemã”. Karl Marz, filósofo, economista, sociólogo e jornalista; autor de livros importantes como “O Capital” e “A Ideologia Alemã”. 

No capitalismo, as restrições de comercialização e industrialização são geralmente mínimas e o poder público pouco se envolve no funcionamento das organizações privadas. Ou seja, ao Estado cabe apenas a criação das leis a fim de proteger o sistema e promover o bem estar social a partir do investimento no espaço público, em educação, saúde, etc. Entretanto, é importante pontuar que essa relação entre o Estado e economia variou de acordo com a fase do capitalismo.  

A globalização foi o processo que disseminou o sistema capitalista por praticamente o mundo inteiro, embora de forma desigual. Entre nações, ou no interior delas, as discussões sobre o sistema capitalista giram em torno de diversas questões, dentre elas as desigualdade sociais resultantes desse sistema. Isso porque o capitalismo é uma estrutura que pressupõe o distanciamento razoável entre as classes sociais, beneficiando principalmente às classes mais altas.

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Surgimento do Capitalismo

A disseminação do capitalismo no mundo data do Século XV, no processo de transição da Idade Média para Idade Moderna.

Antes disso, entretanto, podemos apontar que desde o Século XIII, na Baixa Idade Média, com a formação dos burgos (pequenas sociedade comerciais), o sistema capitalismo começou a se delinear. Os burgos desestruturam a ordem das antigas sociedades feudais quando o poder das classes burguesas passou a aumentar e expandir, assim como o ideal do acúmulo de capital.

Nos séculos XIV e XV, intensificaram-se o processo de crescimento e urbanização das cidades e gradativamente o sistema feudal começou a entrar em crise. O advento das Grandes Navegações entre os séculos XV e XVII foi determinante para o sucesso do novo modelo econômico na Europa.

Fases de desenvolvimento do capitalismo

O capitalismo possui três principais fases:

Capitalismo comercial

Também chamado de pré-capitalismo, o capitalismo comercial foi marcado pelas trocas comerciais e de riqueza. Sendo assim, o poder econômico e político das nações era medido pelo acúmulo de riquezas, metais, matérias-primas ou especiarias.

Entre os séculos XV e XVIII, o desenvolvimento do capitalismo se deu sob a luz das Grandes Navegações, da Expansão Ultramarina e do consequente processo de colonização dos continentes americano, asiático e africano. Foi nesse momento também que se desenvolveram as políticas mercantilistas, o metalismo e a balança comercial favorável.

Nesse contexto, o mercantilismo favoreceu o fortalecimento dos Estados Nacionais a partir da forte relação e intervenção dos governos na economia.

Capitalismo Industrial

A transição do século XVIII para o século XIX foi marcada pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa. Ambos os eventos contribuíram para o fortalecimento do poder da burguesia e tornaram as indústrias as atividade econômicas centrais do período.

É claro que foi a Europa que mais avançou e encabeçou esse processo, a partir dos intensos processos de industrialização, enriquecendo às custas do imperialismo e colonialismo.  

Foi nesse momento que surgiu o liberalismo econômico - cunhado por Adam Smith -, o socialismo como sistema alternativo, a invenção da máquina a vapor e o uso do carvão como fonte de energia.

Busto de Adam Smith, mais importante teórico do liberalismo econômico. Busto de Adam Smith, mais importante teórico do liberalismo econômico. 

Capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro data do século XX e tem como marcas a chamada Segunda Revolução Industrial, o investimento do capital bancário nas indústrias e o surgimento de grandes empresas.

Ou seja, ao contrário do capitalismo industrial, onde a economia baseava-se nas práticas industriais, no capitalismo financeiro são as práticas especulativas que movimentam a economia, a partir do surgimento das ações de empresas que são negociadas como mercadorias.

Desde o começo do século XX, em que o petróleo foi descoberto como fonte de energia, houve intenso investimento na indústria automobilística e de transportes e milhares de empresas, grandes corporações e transnacionais surgiram.

A Revolução Tecnológica ou Terceira Revolução Industrial veio para reorganizar a indústria, as formas de trabalho e o acesso tecnológico no mundo.

Nos últimos anos, o capitalismo encontrou formas de sobreviver às crises, se intensificou e se adaptou a diversas realidades.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2015)

O impulso para o ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro não tem, em si mesma, nada que ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiu. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte e condição humanas em todos os tempos e em todos os países, sempre que se tenha apresentada a possibilidade objetiva para tanto. O capitalismo, porém, identifica-se com a busca do lucro, do lucro sempre renovado por meio da empresa permanente, capitalista e racional. Pois assim deve ser: numa ordem completamente capitalista da sociedade, uma empresa individual que não tirasse vantagem das oportunidades de obter lucros estaria condenada à extinção.

WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Martin Claret, 2001 (adaptado).

O capitalismo moderno, segundo Max Weber, apresenta como característica fundamental 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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