Info Icon Help Icon Como funciona Ajuda
Whatsapp Icon 0800 123 2222
Envie mensagem ou ligue
História Geral

Descolonização da África e da Ásia

Otávio Spinace
Publicado por Otávio Spinace
Última atualização: 20/8/2018

Introdução

Após a Segunda Guerra Mundial, movimentos que lutavam pela independência de seus países em relação às potências coloniais ganharam força na África e na Ásia.

Além dessas lutas internas, cada vez mais ficava evidente no cenário internacional a contradição entre o discurso de liberdade usado na guerra contra o nazifascismo na Europa e a manutenção de impérios coloniais.

Nesse contexto, a segunda metade do século XX assistiu a diversos povos dos continentes africano e asiático conquistarem sua independência do domínio colonial e formarem novos países.

Contexto histórico

Ainda durante o século XIX, diversos países europeus utilizaram seu poder militar e força econômica para implantar um domínio imperialista sobre outros países, em especial na África e na Ásia.

Essa política ficou conhecida como neocolonialismo, e perdurou ao longo da primeira metade do século XX, além de ter sido uma das principais causas da Primeira Guerra Mundial.

Contudo, após o final da Segunda Guerra Mundial, os países que ainda possuíam colônias, em especial Inglaterra e França, além de atravessarem graves dificuldades econômicas, passam a ser cada vez mais questionados pela manutenção de suas colônias.

Não apenas os movimentos internos de libertação nas áreas coloniais reclamavam sua independência, como a existência de colônias era considerada incompatível com os princípios defendidos pelas mesmas potências coloniais na esfera internacional, como na Declaração de Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, por exemplo.

Diante desse quadro geral, podemos elencar as causas principais que levaram aos processos de descolonização a partir da década de 1940: 

  • Declínio das potências coloniais depois da Segunda Guerra Mundial, em especial Inglaterra e França;
  • Apoio das duas superpotências, Estados Unidos e União Soviética, aos processos de descolonização, com o objetivo de conquistar influência sobre os novos regimes que seriam formados; 
  • O crescimento de movimentos nacionalistas, que defendiam seu direito à autodeterminação e a ruptura com a antiga ordem colonial.

Essas causas gerais, aliadas ao contexto interno de cada país e sua relação com a metrópole, moldaram os processos de descolonização africano e asiático no século XX, como veremos a seguir.

A descolonização da Ásia

Ainda antes da Segunda Guerra Mundial, ex-colônias britânicas, como Egito e Iraque, conquistaram suas independências, em 1922 e 1932, respectivamente.

Na década de 1940, outros territórios como a Transjordânia, Palestina e Líbano também se libertaram da dominação colonial. Com isso, percebemos que a luta pela independência do domínio colonial esteve presente na disputa política em diferentes momentos do século XX. 

Contudo, mesmo após a Segunda Guerra, o grande território colonial inglês, a Índia, permanecia sob condição de dominação. Nesse país, os movimentos contra a colonização já atuavam desde o século XIX, mas ainda sem obter sucesso.

Índia x Paquistão

A partir da década de 1940, os líderes hindus Mahatma Gandhi e Jawaharial Nehru intensificaram os protestos pela independência indiana. A marca de suas ações era a desobediência civil: ao contrário de outros movimentos de libertação nacional, Gandhi pregava a resistência através do não pagamento de impostos e do boicote aos produtos ingleses, por exemplo.

Em resposta a ação desses grupos, para manter seu o domínio na Índia, a Inglaterra fez uso de expedientes como a exploração dos conflitos entre os hindus e os muçulmanos, que também viviam no país e eram liderados por Muhammad Ali Jinnah.

Apesar dos esforços ingleses em prosseguir com a dominação colonial, a Índia conquistou sua independência em 1947, mas sem a criação de um único Estado. Além da República da Índia, majoritariamente hindu, foi criada a República Muçulmana do Paquistão, país de maioria muçulmana.

Mesmo com a conquista de seus estados nacionais, o conflito entre hindus e muçulmanos persistiu, o que culminou com o assassinato de Gandhi em 1948 por um militante de um grupo hindu radical, que discordava da política pacifista do líder indiano.

As desavenças entre Índia e Paquistão persistiram após a morte de Gandhi, e resultaram em uma guerra em 1965. As constantes ameaças entre os dois países fizeram com que ambos passassem a investir no desenvolvimento de armas nucleares, criando um cenário de tensão permanente na região.

A Conferência de Bandung e a descolonização da África

Alguns anos depois dos acontecimentos na Índia, em 1955, 29 países, sendo 23 africanos e 6 asiáticos, se reuniram em Bandung, na Indonésia, para discutir a posição dos novos Estados na ordem mundial bipolar, característica da Guerra Fria.

Além da política de não alinhamento automático a nenhuma das duas superpotências, os países presentes na Conferência afirmaram seu direito a autodeterminação e o repúdio a todas as formas de colonialismo. Nesse sentido, o principal resultado da Conferência de Bandung foi o impulso dado aos movimentos de independência no continente africano. 

Os processos de descolonização na África se deram, principalmente, a partir da pressão de movimentos de dentro das colônias. Contudo, esses movimentos não possuíam atuação uniforme, por isso fizeram uso de estratégias diferentes para conquistar a independência de seus países.

Alguns desses movimentos desencadearam conflitos militares contra as metrópoles, como no caso das antigas colônias da Argélia, Congo Belga e África Oriental, contra França, Bélgica e Inglaterra, respectivamente, que resultaram na criação de novos países.

Em outros prevaleceram as negociações diplomáticas, que inclusive preservaram interesses econômicos das metrópoles. Dentre os diferentes casos, também cabe destacar as colônias portuguesas, como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que conquistaram sua independência entre 1973 e 1975, algumas das últimas do continente africano.

Nesse contexto, observamos que os conflitos internos existentes em Portugal, que culminaram na Revolução dos Cravos, derrubando a ditadura portuguesa, contribuíram com a luta dos movimentos de libertação desses países africanos.

Conclusão

Apesar de terem conquistado a independência de seus países, os movimentos de libertação africanos foram marcados por diversos conflitos internos, o que acabou por estimular guerras civis e processos de segregação.

As próprias fronteiras artificiais estabelecidas pelas potências coloniais no século XIX, que não respeitavam traços étnicos e culturais, contribuíram com o surgimento desses conflitos.

O resultado é que, apesar de conquistarem sua independência administrativa, esses países africanos continuaram, em maior ou menor grau, dependentes das antigas potências coloniais, bem como reféns de disputas internas que restringiram seu potencial de desenvolvimento. 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

Inscreva-se abaixo e receba novidades sobre o Enem, Sisu, Prouni e Fies:

Carregando...

Veja também

HISTÓRIA GERAL
Adolf Hitler
Adolf Hitler
HISTÓRIA GERAL
Colonialismo
Colonialismo
HISTÓRIA GERAL
Fascismo
Fascismo
HISTÓRIA GERAL
Guerra Fria
Guerra Fria
HISTÓRIA GERAL
Hiroshima e Nagasaki
Hiroshima e Nagasaki
HISTÓRIA GERAL
Muro de Berlim
Muro de Berlim
HISTÓRIA GERAL
Neocolonialismo
Neocolonialismo
HISTÓRIA GERAL
Nova Ordem Mundial
Nova Ordem Mundial
HISTÓRIA GERAL
Pearl Harbor
Pearl Harbor
HISTÓRIA GERAL
Plano Marshall
Plano Marshall
HISTÓRIA GERAL
Primeira Guerra Mundial
Primeira Guerra Mundial
HISTÓRIA DO BRASIL
Primeira República - República Velha
Primeira República - República Velha
HISTÓRIA GERAL
Revolução Russa
Revolução Russa
HISTÓRIA GERAL
Segunda Guerra Mundial
Segunda Guerra Mundial
HISTÓRIA GERAL
Totalitarismo
Totalitarismo
HISTÓRIA GERAL
URSS - União Soviética
URSS - União Soviética