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Literatura

Cecília Meireles

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 11/9/2018

Introdução

Você já ouviu a canção “Mulher de fases” da banda Raimundos? Ela fala sobre uma mulher que muda de comportamento o tempo inteiro, com várias fases, como a lua. Mas você sabia que essa percepção da mulher cheia de fases, como o satélite lunar, já havia sido exposto na poesia por Cecília Meireles? Em um de seus mais belos poemas, “Lua adversa”, a poeta disse:

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua…

(...)

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Já deu pra perceber que a poesia da Cecília Meireles é profunda e bem íntima. Se identificou com as fases líricas dessa poeta? Venha conhecer, então, um pouco mais da sua história.

Quem foi Cecília Meireles?

Ela foi uma escritora carioca da segunda fase do Modernismo Brasileiro, apesar de ter grande influência do Simbolismo. Além disso, também foi professora, pintora e jornalista.

Ficou bastante conhecida pelas suas poesias e foi figura notável da chamada “Poesia de 30”.

Sua poética é extremamente intimista, voltada para dentro do ser humano. Logo, é possível compreender o porquê da psicanálise ter tido tanta influência em sua vida. A poeta queria colocar o lado mais profundo da alma humana em seus versos.

Suas obras, tanto as voltadas para o público adulto quanto as voltadas para o público infantil, foram traduzidas para diversos países. A autora ganhou prêmios muito importantes, como o Prêmio Jabuti e o Prêmio Machado de Assis.

O notável tradutor Paulo Rónai afirmou que a poesia de Cecília Meireles era a mais elevada de toda a poesia moderna da língua portuguesa.

Poesia intimista

A presença do Simbolismo em Cecília Meireles está justamente em seu afeto pela poesia intimista. Essa poética valorizava uma jornada do eu lírico rumo a um estado mais introspectivo, solitário, em que ele pudesse olhar para dentro de si e pensar em suas emoções. Esses sentimentos logo seriam traduzidos para os versos de poemas.

Essa jornada rumo ao interior fica bem nítida no poema a seguir de Cecília Meireles:

Lua adversa

Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua…

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua…)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua…

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu…

A poesia intimista também se preocupava com os conflitos internos do ser humano, envolvendo questões psicológicas e, até mesmo, espirituais e metafísicas.

Por meio de versos extremamente sonoros, o poema entrava em um mundo de sonhos e de sentimentos que apenas a alma humana contém.

A presença da Psicanálise surge em 1920, com a descoberta do inconsciente por Freud. A poesia intimista, que Cecília Meireles tanto admirava e usava, fazia questão de buscar questões presentes no inconsciente humano e usá-los dentro da poética.

Um exemplo disso é o seu poema “Retrato”, em que o eu lírico reflete sobre sua aparência:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

— Em que espelho ficou perdida

a minha face?

Obras

A carreira de Cecília Meireles começa em 1919. Com apenas 19 anos, a poeta lança a obra “Espectros”, com forte influência simbolista.

Ao longo de sua vida, a autora lançou muitas obras. Todavia, seu livro mais conhecido é “Romanceiro da Inconfidência”, de 1953. Nele, a autora faz, por meio de poemas, uma jornada pela história de Minas Gerais no início do Brasil colonial, principalmente o evento da Inconfidência Mineira.

Além de poemas voltados para o público adulto, Cecília Meireles também escreveu diversos poemas para crianças, mostrando sua sensibilidade e versatilidade como artista.

A bailarina

Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré

mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá

Mas inclina o corpo para cá e para lá

Não conhece nem lá nem si,

mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar

e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu

e diz que caiu do céu.

Esta menina

tão pequenina

quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,

e também quer dormir como as outras crianças.

Conclusão

Cecília Meireles é um exemplo de representatividade feminina na poesia brasileira. Sua sensibilidade pode ser sentida por diversos públicos, desde crianças até adultos. Sua obra poética é um grande exemplo de como as questões pessoais do ser humano podem ser traduzidas de forma transcendental pela poesia.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2012)

Leia o seguinte poema de Cecília Meireles:

Ai, palavras, ai, palavras

que estranha potência a vossa!

Todo o sentido da vida

principia a vossa porta:

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,

ai! Com letras se elabora...

E dos venenos humanos

sois a mais fina retorta:

frágil, frágil, como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam...

(MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento))

O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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