Organizações passaram a precisar revisar decisões com mais frequência, enquanto modelos de planejamento estratégico continuam, em muitos casos, estruturados em ciclos anuais ou semestrais.
É nesse contexto que Mario H. Trentim desenvolveu o Adapt OS. A proposta é criar um sistema de gestão capaz de conectar planejamento, tomada de decisão e execução em ambientes nos quais as condições externas podem mudar durante a implementação de uma estratégia.
O framework não foi criado para substituir metodologias já utilizadas pelas empresas.
A proposta é funcionar como uma camada de integração entre ferramentas como OKR, Balanced Scorecard (BSC), metodologias ágeis e processos de planejamento estratégico.
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Por que o Adapt OS foi criado
Segundo a proposta apresentada por Trentim, diferentes ferramentas de gestão atendem a necessidades específicas das organizações.
O PMBOK, o BSC, os OKRs e as metodologias ágeis, por exemplo, possuem objetivos e aplicações diferentes.
O problema identificado pelo framework está na falta de integração entre essas abordagens quando elas são utilizadas dentro de uma mesma organização.
O Adapt OS parte dessa lacuna.
A ideia é estabelecer uma estrutura capaz de conectar as diferentes práticas e criar uma lógica comum para decisões e execução.
O framework, portanto, não pretende substituir as ferramentas existentes, mas organizar a relação entre elas.
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O que é o Adapt OS
O Adapt OS é apresentado como um “sistema operacional de gestão”. A comparação busca explicar a função do framework dentro das organizações.
Em um computador, o sistema operacional fornece uma infraestrutura para que diferentes programas funcionem em conjunto.
No ambiente empresarial, o Adapt OS pretende cumprir função semelhante ao conectar diferentes métodos e processos de gestão.
Na prática, isso significa que uma empresa pode continuar utilizando OKRs, planejamento estratégico e práticas ágeis, enquanto adota uma estrutura comum para orientar decisões, governança e execução.
A proposta é direcionada principalmente a organizações que precisam tomar decisões em contextos de mudança frequente.
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Quais são os quatro princípios do Adapt OS
O framework é estruturado em quatro princípios.
Velocidade de aprendizado
O primeiro princípio considera que, em ambientes de alta incerteza, a capacidade de aprender rapidamente pode ser mais importante do que aumentar a precisão de um planejamento elaborado com base em informações que podem mudar.
A lógica é utilizar os resultados da execução para atualizar decisões e estratégias.
Ciclo curto de decisão
O segundo princípio propõe ciclos mais frequentes para decisões de médio e alto impacto.
Em vez de concentrar avaliações em períodos anuais ou semestrais, a organização pode estabelecer ritmos mais curtos para acompanhar mudanças e revisar decisões.
Governança lean
O terceiro princípio está relacionado à governança. A proposta é reduzir estruturas e etapas que aumentam o tempo necessário para tomar uma decisão sem contribuir proporcionalmente para sua qualidade.
A governança deve estabelecer mecanismos de coordenação sem criar obstáculos desnecessários à execução.
Execução distribuída
O quarto princípio envolve a distribuição das decisões operacionais.
A proposta considera que decisões tomadas próximas do contexto em que os problemas ocorrem podem responder mais rapidamente às mudanças.
A descentralização, porém, não significa ausência de alinhamento. A estrutura precisa definir responsabilidades, limites e critérios de decisão.
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Como o Adapt OS é aplicado nas organizações
O framework parte do diagnóstico dos problemas de execução de cada organização.
Por isso, sua aplicação pode variar de acordo com o setor, o porte e o nível de maturidade da empresa.
O material apresenta três situações para ilustrar essa aplicação.
Empresa de energia
Em uma empresa do setor de energia com operações em diferentes estados, o problema identificado estava relacionado à demora na tomada de decisões operacionais.
As solicitações passavam por diferentes níveis hierárquicos, mesmo quando essas instâncias não tinham informações suficientes sobre o contexto local.
A aplicação dos princípios de governança lean e execução distribuída levou à reorganização dos níveis de decisão.
A mudança estabeleceu quais decisões deveriam ser tomadas em cada nível, quais informações seriam necessárias e em que frequência os assuntos deveriam ser avaliados.
O objetivo foi aumentar a velocidade de resposta sem alterar o alinhamento estratégico.
Organização pública
Em uma organização pública, o problema era diferente.
A instituição tinha uma estrutura de planejamento consolidada, mas a revisão estratégica ocorria anualmente.
O ritmo era incompatível com um ambiente regulatório que apresentava mudanças em ciclos menores.
Nesse caso, os princípios de velocidade de aprendizado e ciclo curto de decisão foram utilizados para criar uma rotina intermediária de revisão.
A estratégia formal não precisava ser modificada a cada mudança. A organização passou a contar com um mecanismo para avaliar alterações no contexto e realizar ajustes durante a execução.
Empresas de médio porte
Em empresas de médio porte que crescem rapidamente, um dos problemas apresentados é a diferença entre o ritmo de expansão do negócio e a maturidade dos processos de gestão.
Decisões que antes eram tomadas diretamente pelo fundador precisam ser distribuídas entre outros líderes.
Ao mesmo tempo, a distribuição das responsabilidades precisa preservar a coerência entre as diferentes áreas.
Nesse contexto, o Adapt OS propõe uma evolução da estrutura de gestão sem exigir a adoção imediata de sistemas considerados excessivamente complexos para o estágio da empresa.
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O que muda na rotina dos líderes
A proposta do Adapt OS também altera a forma como os líderes distribuem seu tempo.
Segundo o material, a mudança não está necessariamente na quantidade de compromissos da agenda, mas no tipo de decisão que chega aos gestores.
Quando problemas recorrentes de coordenação passam a ser tratados por estruturas e processos, os líderes podem concentrar mais tempo em decisões de maior impacto.
A coordenação continua existindo, mas deixa de depender da participação constante da liderança em questões operacionais.