O que muda para gestores de projetos com a IA? Especialista explica impactos na carreira
Mário Trentim explica como a inteligência artificial está mudando a gestão de projetos, quais habilidades ganham importância e o que dizem estudos do McKinsey, WEF e PMI.
A inteligência artificial já faz parte da rotina de grande parte das organizações, mas ainda gera dúvidas sobre os impactos para diferentes profissões.
Na gestão de projetos, o avanço da tecnologia tem alimentado debates sobre automação e mudanças nas competências exigidas pelo mercado.
Segundo Mario H. Trentim, membro do Board of Directors do Project Management Institute (PMI) para o mandato 2025–2027 e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a principal transformação ocorre na forma de executar atividades operacionais, enquanto decisões estratégicas continuam dependendo da atuação humana.
“O erro mais comum que vejo nas organizações é tratar a IA como substituta do julgamento profissional. IA automatiza tarefas. Não automatiza decisões que envolvem ambiguidade, política organizacional e gestão de expectativas de múltiplos stakeholders”, afirma.
O uso da inteligência artificial já faz parte da realidade da maioria das empresas.
Segundo o McKinsey Global Survey on AI 2025, 88% das organizações utilizam alguma aplicação de IA em suas operações. No entanto, apenas 6% relatam impacto mensurável nos resultados dos negócios.
Para Trentim, esse cenário indica que muitas empresas ainda estão na fase inicial de adoção da tecnologia e de adaptação de processos.
Outro levantamento, o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), estima que 39% das habilidades profissionais serão transformadas até 2030. O mesmo relatório aponta a gestão de projetos entre os 15 cargos com perspectiva de crescimento no mercado global.
O relatório Pulse of the Profession 2025, do PMI, mostra que organizações que utilizam inteligência artificial em projetos registram ganho médio de 23% de produtividade durante a etapa de planejamento.
Na avaliação de Trentim, os resultados mostram que a tecnologia tem capacidade para automatizar atividades repetitivas, mas ainda depende da atuação dos gestores em processos que exigem análise e tomada de decisão.
“Enquanto o debate se concentra em ‘a IA vai me substituir?’, a pergunta mais urgente é: ‘quais habilidades humanas se tornam mais valiosas quando a IA assume as tarefas repetitivas?’. Negociação, julgamento sob incerteza e comunicação de riscos ao board são competências que continuam sendo decisivas”, afirma.
Especialista defende desenvolvimento de competências humanas
Para Trentim, a adoção da inteligência artificial amplia a importância de competências ligadas à liderança e à gestão.
“O que mais me preocupa não é a velocidade da IA, mas a lentidão com que as organizações desenvolvem as competências humanas complementares”, afirma.
Na avaliação do especialista, os profissionais que conseguem integrar ferramentas de IA às atividades de gestão tendem a ampliar sua capacidade de análise e de tomada de decisão, sem substituir o papel desempenhado pelo gestor.