Mário Trentim: como o especialista desenvolveu um framework para aproximar estratégia e execução nas organizações
Conheça a trajetória de Mário Trentim, especialista em governança e gestão, e entenda como surgiu a Hélice da Execução, framework voltado à implementação da estratégia nas organizações.
Elaborar um planejamento estratégico é apenas uma parte do processo de gestão.
Para muitas organizações, o maior desafio começa após a definição dos objetivos: transformar planos em resultados concretos.
Essa dificuldade aparece em diferentes setores da economia e afeta empresas privadas, instituições públicas e organizações do terceiro setor.
Em muitos casos, iniciativas estratégicas são interrompidas, perdem prioridade ao longo do tempo ou deixam de produzir os resultados esperados.
É justamente sobre essa lacuna entre estratégia e execução que o pesquisador, consultor e conselheiro Mário H. Trentim concentra seu trabalho.
Teste vocacional
Qual carreira combina com o seu perfil?
Responda as perguntas e descubra o curso certo e as bolsas ideais para você!
Ao longo de mais de 20 anos de atuação, Trentim desenvolveu uma metodologia voltada para organizações que precisam alinhar planejamento, governança e capacidade de execução.
O modelo recebeu o nome de Hélice da Execução e reúne conceitos relacionados à estratégia adaptativa, governança, gestão de valor e gestão de projetos.
A proposta é oferecer uma estrutura para que organizações consigam acompanhar a implementação da estratégia de forma integrada, reduzindo falhas de coordenação entre áreas e processos.
A dificuldade de executar estratégias continua sendo um desafio para empresas
Durante palestras e apresentações, Trentim costuma destacar um dado frequentemente citado nos estudos sobre gestão estratégica.
Segundo pesquisa publicada por Michael Mankins e Richard Steele na Harvard Business Review, as organizações entregam, em média, 63% do desempenho financeiro previsto em seus planejamentos estratégicos.
O levantamento é utilizado como referência para discutir um problema recorrente: embora muitas empresas consigam elaborar planos estratégicos consistentes, a execução costuma encontrar obstáculos relacionados à governança, à tomada de decisão e ao acompanhamento das iniciativas.
Nesse contexto, Trentim defende que o principal desafio não está necessariamente na formulação da estratégia, mas na existência de mecanismos capazes de conectar planejamento e execução ao longo do tempo.
Segundo o especialista, a ausência de sistemas integrados de gestão pode comprometer a capacidade de transformar objetivos estratégicos em resultados mensuráveis.
A partir da experiência acumulada em projetos de consultoria, liderança e pesquisa acadêmica, Mário Trentim estruturou a Hélice da Execução, um framework desenvolvido para analisar e fortalecer sistemas de execução estratégica.
A metodologia utiliza a metáfora de uma hélice para representar a necessidade de funcionamento simultâneo de diferentes dimensões da gestão.
Assim como uma hélice depende do equilíbrio entre todas as suas pás para gerar movimento, organizações também precisam manter seus principais componentes alinhados para alcançar resultados.
O modelo está estruturado em quatro pilares principais.
O primeiro componente da Hélice da Execução é a Estratégia Adaptativa.
Nesse contexto, estratégia deixa de ser apenas um documento elaborado durante o planejamento anual e passa a funcionar como um conjunto de diretrizes capaz de orientar decisões em diferentes níveis da organização.
Segundo a proposta apresentada por Trentim, a estratégia precisa oferecer clareza suficiente para que gestores e equipes consigam tomar decisões sem depender de validações constantes da alta administração.
Essa abordagem busca aumentar a capacidade de adaptação das organizações diante de mudanças no ambiente de negócios.
Governança enxuta
Outro elemento do framework é a Governança Enxuta.
A proposta consiste em estruturar processos de decisão e mecanismos de controle compatíveis com a realidade da organização, evitando tanto a ausência quanto o excesso de burocracia.
Na prática, isso significa estabelecer níveis de governança capazes de garantir transparência, acompanhamento e responsabilidade, sem comprometer a velocidade de execução das iniciativas estratégicas.
O conceito dialoga com estudos que apontam os impactos da burocracia sobre a produtividade e a capacidade de resposta das organizações.
O terceiro pilar está relacionado à Gestão de Valor.
Nesse componente, o foco está na definição de critérios para priorizar investimentos, selecionar projetos estratégicos e direcionar recursos para iniciativas que apresentem maior potencial de contribuição aos objetivos organizacionais.
A metodologia também considera a necessidade de revisar continuamente o portfólio de projetos, permitindo o encerramento de iniciativas que deixem de gerar resultados ou perderam alinhamento com a estratégia institucional.
Capacidade de entrega
O quarto pilar é a Capacidade de Entrega.
Segundo o framework, organizações precisam desenvolver competências para estruturar equipes, executar projetos estratégicos e incorporar aprendizados ao longo de cada ciclo de implementação.
Essa capacidade não se restringe à gestão tradicional de projetos. O objetivo é fortalecer processos que permitam transformar planejamento em entregas consistentes e repetíveis.
O ritmo de aprendizagem conecta os quatro pilares
Além dos quatro componentes principais, a Hélice da Execução considera o Ritmo de Aprendizagem como elemento responsável por integrar todo o sistema.
A proposta consiste em estabelecer ciclos contínuos de acompanhamento, avaliação e revisão da estratégia, permitindo que ajustes sejam realizados antes que problemas comprometam os resultados.
Segundo Trentim, o desempenho da organização tende a ser limitado pelo componente menos desenvolvido da estrutura.
Dessa forma, o equilíbrio entre estratégia, governança, gestão de valor e capacidade de entrega torna-se fundamental para o funcionamento do modelo.
Embora a Hélice da Execução tenha sido sistematizada recentemente, sua construção começou muito antes da formalização do modelo.
A trajetória profissional de Mário Trentim reúne experiências em organizações públicas, consultoria empresarial, pesquisa acadêmica e atuação internacional. Esse conjunto de vivências serviu de base para consolidar os conceitos que posteriormente seriam organizados no framework.
Um dos primeiros capítulos dessa trajetória ocorreu na Força Aérea Brasileira (FAB), onde permaneceu por 15 anos.
Durante esse período, atuou em funções ligadas ao planejamento técnico, planejamento estratégico e inovação, participando de atividades relacionadas à coordenação de projetos e à gestão de sistemas complexos.
Foi nesse ambiente que passou a observar, na prática, como processos de planejamento, governança e execução precisavam funcionar de forma integrada para produzir resultados.
Após deixar a Força Aérea Brasileira (FAB), em 2014, Mário Trentim fundou a ModernPMO, empresa voltada à consultoria em gestão, estratégia e escritórios de projetos.
A atuação da empresa permitiu ampliar a aplicação prática dos conceitos desenvolvidos ao longo da carreira.
Nos anos seguintes, Trentim participou de projetos para organizações públicas e privadas em diferentes segmentos econômicos.
Entre os setores atendidos estão:
energia;
mercado financeiro;
indústria;
agronegócio;
educação;
governo.
Os projetos também alcançaram organizações fora do Brasil, incluindo países do Oriente Médio, Europa e África.
Segundo Trentim, trabalhar em ambientes regulatórios distintos e com equipes multiculturais contribuiu para identificar desafios recorrentes relacionados à governança, aos processos decisórios e à implementação da estratégia.
Essas experiências serviram como base para consolidar a Hélice da Execução como um framework aplicável a diferentes tipos de organizações.
Temas que fazem parte da atuação profissional
Além da consultoria, Mário Trentim atua como palestrante e facilitador de workshops voltados para liderança, governança e gestão estratégica.
A proposta desses encontros é discutir mecanismos que apoiem organizações na implementação de estratégias e na melhoria dos processos de tomada de decisão.
Atuação em governança corporativa
Outro eixo da trajetória de Trentim está relacionado à governança corporativa.
Ao longo da carreira, participou de conselhos e comitês de organizações nacionais e internacionais ligados à gestão de projetos e ao desenvolvimento profissional.
Essa combinação entre experiência prática e formação executiva contribui para sua atuação em temas relacionados à governança, gestão de riscos e processos decisórios.
Formação acadêmica reúne pesquisa e experiência internacional
A atuação profissional de Trentim é complementada pela produção acadêmica.
Segundo o pesquisador, o objetivo é utilizar conceitos da engenharia para compreender como organizações funcionam como sistemas complexos e adaptativos.
Além da atuação no Brasil, também participou de programas executivos em universidades dos Estados Unidos.
A Hélice da Execução integra um projeto mais amplo denominado Adapt OS.
Segundo Trentim, a proposta não consiste em um software de gestão, mas em um modelo organizacional voltado à integração entre estratégia, governança, capacidade de execução e adaptação às mudanças.
O sistema busca reunir conceitos desenvolvidos ao longo da trajetória profissional e acadêmica do pesquisador.
A principal característica da Hélice da Execução é reunir diferentes áreas da gestão em um único modelo de análise.
Enquanto muitas metodologias tratam estratégia, governança ou gestão de projetos de forma isolada, o framework propõe que esses elementos sejam avaliados de maneira integrada.
Segundo Trentim, o desempenho organizacional depende do equilíbrio entre seus componentes. Isso significa que limitações em uma das áreas podem comprometer o funcionamento do sistema como um todo.
A proposta é oferecer uma estrutura que permita diagnosticar gargalos, definir prioridades e fortalecer a capacidade de execução da estratégia.