O Brasil registra média de 40,1 horas semanais de trabalho, abaixo da média global de 42,7 horas, ocupando posição intermediária no ranking internacional.
Brasileiros trabalham mais horas que em diversas economias desenvolvidas, mas menos que em vários países emergentes e em desenvolvimento.
A posição do país é explicada por fatores estruturais, como nível de desenvolvimento, produtividade, informalidade e composição do mercado de trabalho.
Entenda mais abaixo!
Um levantamento do economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), feito a partir de um estudo internacional sobre jornada de trabalho revelou que os brasileiros trabalham, em média, 40,1 horas semanais em atividades remuneradas, número inferior à média mundial, de 42,7 horas.
Entre 86 países com dados superiores a duas décadas, o Brasil aparece em 38º posição em horas trabalhadas. Ainda assim, o desempenho do país no ranking global é intermediário e indica um cenário mais complexo quando comparado a diferentes economias.
Na prática, os dados indicam que os brasileiros trabalham mais horas que trabalhadores de diversas economias desenvolvidas, como França, Estados Unidos e Japão, mas menos que países emergentes e em desenvolvimento.
A seguir, entenda melhor como interpretar essa posição e quais fatores ajudam a explicar as diferenças entre países.
Funcionária trabalhando no computador. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
É possível afirmar que os brasileiros trabalham menos que a média mundial?
Em termos estatísticos, sim, a média brasileira é inferior à média global, o que indica que o país apresenta jornada semanal menor que a observada mundialmente.
No entanto, essa comparação isolada não traduz totalmente a realidade. O estudo mostra que a distribuição das horas trabalhadas varia significativamente entre países e regiões, o que coloca o Brasil em posição intermediária no ranking.
Além disso, vale ressaltar o estudo não apresenta um ranking textual direto com a lista ordenada de países. A posição do Brasil é inferida a partir da base de dados construída pelos pesquisadores.
Isso significa que a interpretação exige contexto. Na prática:
trabalhadores brasileiros dedicam mais horas semanais ao trabalho do que trabalhadores de diversas economias desenvolvidas, como França, Alemanha, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá;
trabalhadores brasileiros dedicam menos horas semanais ao trabalho do que trabalhadores de diversos países emergentes e em desenvolvimento, como México, Peru, Colômbia, Vietnã, Indonésia, Etiópia, Nigéria e Índia.
Assim, a posição brasileira reflete uma combinação de características típicas de economias de renda média, com elementos de formalização e proteção social, mas também presença relevante de informalidade.
Quais fatores explicam a posição do Brasil no ranking de horas de trabalho?
O estudo indica que a quantidade média de horas trabalhadas em um país não depende apenas da disposição das pessoas para trabalhar, mas principalmente de características estruturais da economia e do mercado de trabalho.
Esses elementos ajudam a explicar por que o Brasil ocupa uma posição intermediária no ranking global:
Nível de desenvolvimento econômico
O desenvolvimento econômico influencia diretamente a jornada de trabalho. Em países mais ricos, a maior produtividade permite gerar renda com menos horas trabalhadas.
Já economias de renda média, como o Brasil, tendem a apresentar jornadas mais extensas porque ainda convivem com menor produtividade média e maior necessidade de horas trabalhadas para manter o nível de renda.
Estrutura do mercado de trabalho
A composição do mercado de trabalho brasileiro é bastante heterogênea, com presença significativa de informalidade, trabalho autônomo e ocupações com jornadas variáveis. Esse cenário aumenta a dispersão das horas trabalhadas e influencia a média nacional.
Em países com maior formalização, as jornadas tendem a ser mais padronizadas e reguladas.
Regulação trabalhista e proteção social
Benefícios como férias remuneradas, licenças e limites legais de jornada contribuem para reduzir a carga horária média em economias desenvolvidas.
A produtividade é um dos fatores centrais para entender as diferenças entre países. Economias com maior produtividade conseguem produzir mais em menos tempo, o que reduz a necessidade de jornadas longas.
Já em economias emergentes, a menor produtividade média pode levar à manutenção de cargas horárias maiores.
Composição setorial da economia
Os setores predominantes em cada país também influenciam a jornada média. Atividades agrícolas e informais costumam apresentar jornadas diferentes das observadas em setores industriais e de serviços formais. No Brasil, a diversidade setorial contribui para uma média intermediária.
O padrão observado pelo estudo
O estudo identifica um padrão relevante na comparação internacional: as horas trabalhadas seguem uma trajetória semelhante a uma curva em formato de “U invertido”.
Na prática, isso significa que:
países muito pobres apresentam jornadas moderadas, muitas vezes associadas ao trabalho agrícola;
economias de renda média tendem a registrar jornadas mais altas, devido à transição estrutural e menor produtividade;
países ricos reduzem a carga horária média, impulsionados por produtividade elevada e maior proteção social.
Esse padrão ajuda a explicar por que o Brasil, como economia de renda média, aparece no meio do ranking global de horas trabalhadas.
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