
Ciclo de vida do produto: saiba o que é e quais suas fases
Giovana Murça | 18/01/26Veja o que é o ciclo de vida do produto, quais são suas fases e como ele impacta na gestão estratégica de produtos
Veja o que é o ciclo de vida do produto, quais são suas fases e como ele impacta na gestão estratégica de produtos
Em resumo:
Desde o momento em que surge como uma ideia até o instante em que deixa de ser ofertado no mercado, todo produto passa por mudanças que refletem seu desempenho — um processo conhecido como ciclo de vida do produto.
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Assim como qualquer organismo vivo, um produto nasce, cresce, amadurece e, eventualmente, enfrenta o declínio. Acompanhar essa dinâmica é fundamental para orientar decisões em marketing, inovação e gestão.
Neste texto, entenda o conceito de ciclo de vida do produto, quais são suas fases, sua importância estratégica e como esse modelo influencia escolhas ao longo de toda a jornada de um produto no mercado.
O ciclo de vida do produto é um modelo que descreve as etapas que um produto percorre no mercado, desde sua entrada até a retirada definitiva. Essas fases ajudam a entender como variam o desempenho comercial, a aceitação pelo público, a concorrência e a necessidade de adaptação ao longo do tempo.

A lógica do modelo se baseia na ideia de que nenhum produto mantém seu desempenho constante indefinidamente. Variações nas vendas, na percepção de valor e na competitividade fazem com que cada fase exija movimentos específicos de marketing, inovação, precificação e distribuição.
Tradicionalmente, o ciclo é dividido em cinco fases distintas: desenvolvimento, introdução, crescimento, maturidade e declínio. Em cada uma delas, as empresas devem adotar posicionamentos diferentes para maximizar retorno e prolongar a presença do produto no mercado, seja físico ou digital.
O conceito de ciclo de vida do produto ganhou notoriedade com Theodore Levitt, que era economista e professor da Harvard Business School. Em 1965, Levitt publicou o artigo “Exploit the Product Life Cycle”, defendendo que produtos seguem padrões previsíveis de desempenho e que entender esse comportamento era crucial para competir de forma inteligente.
Com o tempo, a abordagem evoluiu e se tornou um modelo de gestão integrada de produtos. Surgiu então o conceito de Product Lifecycle Management (PLM) — ou gestão do ciclo de vida do produto —, que sistematiza o controle de todas as fases, da concepção até o descarte, com suporte de softwares e metodologias robustas.
O PLM passou a ser aplicado em setores como indústria automotiva, tecnologia e manufatura, permitindo que equipes de engenharia, design, marketing e logística atuem de forma coordenada desde o início do projeto até o fim da linha de um produto.
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O ciclo de vida do produto é tradicionalmente dividido em cinco fases. Cada uma apresenta características próprias que afetam decisões de marketing, inovação, investimento e operação.

A seguir, conheça melhor cada fase do ciclo do produto.
A primeira etapa do produto é o desenvolvimento. É a fase anterior ao lançamento, marcada por pesquisa, testes, validação de conceito e planejamento de mercado. Produtos ainda não geram receita e exigem alto investimento em tempo, tecnologia e equipe.
O grau de incerteza é elevado: é nesse momento que ideias são refinadas, protótipos são testados e ajustes são feitos com base em feedbacks preliminares. A inovação desempenha papel central aqui — especialmente no uso de metodologias ágeis, design centrado no usuário e análise de viabilidade técnica e comercial.
Na fase de introdução ocorre o lançamento oficial: o produto chega ao mercado e passa a ser exposto ao comportamento real dos consumidores. Os custos de marketing e comunicação costumam ser elevados, já que é preciso gerar visibilidade, educar o público e conquistar os primeiros clientes.
O ritmo de vendas tende a ser baixo no início, o que exige atenção à estratégia de posicionamento e diferenciação. Um exemplo típico é o lançamento de um aplicativo recém-desenvolvido, que precisa captar usuários iniciais e validar sua proposta de valor em meio à competição e ao desconhecimento do público.
Na etapa de crescimento, o produto ganha tração. Ele passa a ser mais conhecido, e as vendas começam a crescer em ritmo acelerado. A entrada de concorrentes é comum nessa fase, o que pressiona a empresa a escalar operações, expandir canais de distribuição e consolidar a marca.
Os desafios nessa fase incluem manter a qualidade da entrega, ajustar preços conforme volume e fortalecer a proposta de valor diante da concorrência. Estratégias de growth marketing, otimização de funil de vendas e expansão para novos segmentos são especialmente relevantes aqui.
A maturidade é a fase mais estável — e muitas vezes mais lucrativa — do ciclo. O produto já atingiu amplo reconhecimento e boa penetração de mercado, o que exige menos esforços de introdução, mas impõe o desafio de manter a relevância frente a alternativas e mudanças no comportamento do consumidor.
A estagnação nas vendas é um risco comum, por isso o foco se volta à diferenciação, fidelização de clientes e aumento da eficiência operacional. A adoção de estratégias como extensões de linha, programas de recompra e melhorias incrementais costuma ser útil para manter a competitividade nessa etapa.
Com a queda da demanda, o produto entra na fase de declínio. Isso pode ocorrer por mudanças tecnológicas, novos hábitos de consumo ou surgimento de soluções mais eficientes. O desempenho financeiro diminui, exigindo decisões estratégicas: descontinuar, reposicionar, reinventar ou substituir.
Um exemplo clássico é o de aparelhos de DVD, que perderam espaço para serviços de streaming. Em muitos casos, a alternativa viável é investir em inovação para lançar uma nova versão ou retirar o produto do portfólio, realocando esforços em ofertas mais promissoras.
O iPod, da Apple, é um exemplo clássico de produto que percorreu todas as fases do ciclo de vida. Lançado em 2001, ele foi desenvolvido com foco em design e integração com o ecossistema da marca.
Na introdução, o produto contou com forte investimento em marketing e parcerias. Com a rápida adesão do público, o iPod entrou em crescimento e teve sua linha expandida globalmente.
Na maturidade, o produto dominou o mercado até perder relevância com a chegada do iPhone e do streaming. Em 2022, o iPod entrou em declínio definitivo e teve sua produção encerrada — uma decisão alinhada à estratégia de consolidar funções em dispositivos mais completos.
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A chamada matriz BCG é uma ferramenta estratégica que classifica produtos com base em dois critérios: participação de mercado e taxa de crescimento do mercado.

Quando combinada ao ciclo de vida do produto, a matriz permite identificar o estágio em que cada item do portfólio se encontra e quais movimentos priorizar. Cada quadrante da matriz corresponde a uma fase ou transição do ciclo — com exceção da etapa de desenvolvimento, que ainda não gera dados de mercado.
Veja a relação entre os dois modelos na tabela a seguir:
| Matriz BCG | Características | Fase do CVP associada |
| Interrogação | Baixa participação, alto crescimento. Potencial incerto. | Introdução |
| Estrela | Alta participação e alto crescimento. Precisa de investimento. | Crescimento |
| Vaca leiteira | Alta participação, baixo crescimento. Gera lucro estável. | Maturidade |
| Abacaxi (ou cão) | Baixa participação e baixo crescimento. Retorno limitado. | Declínio |
A matriz ajuda a visualizar o papel estratégico de cada produto, facilitando decisões sobre investimento, manutenção ou retirada. Quando usada em conjunto com o ciclo de vida, ela oferece uma visão mais ampla e fundamentada da saúde do portfólio.
Veja mais: O que é a matriz BCG e como ela funciona na prática
Em produtos digitais, o ciclo de vida tende a ser mais curto e dinâmico. Lançamentos ocorrem de forma mais ágil, com versões mínimas viáveis (MVPs) colocadas no ar para validação rápida.
Ao invés de grandes saltos entre fases, o que se observa é uma evolução contínua por meio de atualizações, testes A/B e feedbacks de usuários. O comportamento iterativo permite que um produto digital transite entre crescimento, maturidade e recomeços em ciclos menores — o que exige monitoramento constante.
Outro diferencial é a base de usuários como ativo estratégico. Engajamento, taxa de retenção e adaptação às demandas do público são fatores que impactam diretamente a permanência ou o declínio de uma solução digital.
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Gerenciar o ciclo de vida do produto de forma estratégica permite identificar o momento certo de manter, evoluir ou retirar uma oferta do mercado. Essa análise é fundamental para orientar ações de marketing, inovação e vendas com base no desempenho real e no comportamento do mercado.

Acompanhando cada fase, é possível antecipar mudanças e agir de forma proativa — evitando desperdício de recursos em produtos com baixo potencial e aproveitando oportunidades de expansão em fases mais favoráveis.
Nesse contexto, a gestão ativa do ciclo, conhecida como Product Lifecycle Management (PLM), estrutura o controle desde a concepção até o fim do produto. O PLM integra áreas como engenharia, marketing, supply chain e tecnologia para centralizar informações, agilizar decisões e reduzir riscos.
A atuação não se limita à fase de mercado: começa ainda no desenvolvimento, com planejamento técnico, validação de conceito, testes, estimativas de custos e definição estratégica.
Esse acompanhamento desde o início permite reduzir o tempo de lançamento (time-to-market) e alinhar o produto às demandas reais do mercado logo nas primeiras entregas.
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