
O que é a matriz BCG e como ela funciona na prática
Giovana Murça | 29/11/25Entenda o que é a matriz BCG, para que serve, quais seus quadrantes e como aplicá-la no planejamento estratégico
Entenda o que é a matriz BCG, para que serve, quais seus quadrantes e como aplicá-la no planejamento estratégico
Em resumo:
Criada em 1970, a matriz BCG é uma ferramenta clássica de gestão que segue relevante até hoje. Muito usada por empresas de diferentes portes e setores, ela permite analisar e classificar produtos, serviços ou unidades de negócio.
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Neste artigo, saiba os conceitos fundamentais da matriz BCG, os significados dos seus quadrantes — como a conhecida “vaca leiteira” —, exemplos, variações de aplicação e dicas de como construir sua própria análise.
A matriz BCG, também conhecida como Growth Share Matrix, é uma ferramenta de análise estratégica desenvolvida no início da década de 1970 por Bruce D. Henderson, fundador da consultoria Boston Consulting Group.
Sua proposta foi apresentada no ensaio “The Product Portfolio”, publicado pela própria BCG, no qual Henderson argumenta que uma empresa bem-sucedida deve manter um portfólio equilibrado de produtos com diferentes níveis de crescimento e participação no mercado.

Na prática, a matriz BCG classifica produtos, serviços ou unidades de negócio em quatro categorias, cruzando dois critérios: a taxa de crescimento do mercado e a participação relativa de mercado.
Sua aplicação é representada por meio de um gráfico dividido em quatro quadrantes. A partir desse cruzamento de critérios, é possível visualizar quais itens demandam mais investimento, quais geram maior retorno e quais devem ser descontinuados.
A ferramenta ganhou destaque por simplificar decisões complexas de alocação de recursos, sendo amplamente ensinada em cursos de administração e usada por empresas do mundo todo.
Fundador da Boston Consulting Group, Bruce D. Henderson foi um dos nomes mais influentes no desenvolvimento do pensamento estratégico moderno. Engenheiro e economista, Henderson transformou a forma como empresas analisam competitividade, desempenho e posicionamento de mercado.
Seu maior legado é a criação da matriz BCG. Ele também desenvolveu conceitos como a curva de experiência e defendeu o uso de modelos gráficos e matemáticos para embasar decisões gerenciais.
A sigla BCG corresponde ao nome da empresa fundada por Henderson: Boston Consulting Group — que é uma das consultorias estratégicas mais reconhecidas no mundo.
Apesar de outras empresas também utilizarem análises semelhantes, foi a BCG quem estruturou, nomeou e disseminou esse modelo de portfólio, consolidando a ferramenta como referência global em planejamento estratégico.
Enquanto a Matriz BCG analisa e classifica o portfólio de produtos existentes para entender onde alocar recursos, a chamada Matriz Ansoff é uma ferramenta mais voltada para o planejamento estratégico de expansão.
Ela foca em estratégias de crescimento para a empresa, propondo quatro direções de expansão: penetração de mercado, desenvolvimento de produtos, expansão para novos mercados e diversificação.
Saiba mais: O que é Matriz Ansoff? Veja como aplicar e exemplos práticos
A matriz BCG é composta por dois eixos principais: taxa de crescimento do mercado (eixo vertical) e participação relativa de mercado (eixo horizontal). O eixo vertical representa o crescimento do mercado em que o produto ou serviço está inserido, enquanto o eixo horizontal reflete a participação da empresa nesse mercado, comparada com a de seus principais concorrentes.
O cruzamento desses dois eixos dá origem a quatro quadrantes estratégicos, que ajudam a classificar os produtos ou unidades de negócios de acordo com seu desempenho. A posição de cada produto na matriz indica a necessidade de investimento, a geração de caixa ou até mesmo a possibilidade de descontinuação.

A seguir, confira o que representa cada um dos quatro quadrantes que compõem essa análise estratégica.
Os produtos Estrela têm alta participação de mercado e estão em mercados de alto crescimento, o que os torna promissores e com grande potencial de gerar receita. No entanto, esses produtos exigem investimentos contínuos para manter a liderança e sustentar seu crescimento.
Além disso, a curva de experiência se aplica a esses produtos: quanto mais a empresa os produz, mais eficiente ela se torna, reduzindo custos e aumentando a competitividade. Com o tempo, esses produtos têm o potencial de se transformar em Vacas Leiteiras, à medida que o mercado amadurece e o crescimento desacelera.
Os produtos Vacas Leiteiras têm alta participação de mercado, mas baixo crescimento, gerando um fluxo constante de caixa sem exigir grandes investimentos para manter a competitividade.
Esses produtos são fundamentais para a estratégia da empresa, pois o dinheiro gerado pode ser usado para financiar o crescimento de outros produtos, especialmente aqueles no quadrante Interrogação.
Normalmente encontrados em mercados maduros, as Vacas Leiteiras são a base financeira da empresa, sustentando o sucesso do portfólio. Embora a competição seja intensa, a demanda por esses produtos permanece sólida, fazendo deles uma fonte confiável de recursos para a operação e expansão da empresa.
Os produtos classificados como Abacaxis ou Cães têm baixa participação de mercado e baixo crescimento, o que indica que eles têm pouco potencial para gerar lucros no futuro.
Geralmente, esses produtos não devem receber novos investimentos e, em muitos casos, podem ser descontinuados ou vendidos, a menos que haja uma estratégia específica que justifique mantê-los no portfólio.
Característicos de mercados saturados ou em declínio, esses produtos não contribuem de forma significativa para o crescimento da empresa. As empresas devem decidir se continuam operando com margens baixas ou se cortam as perdas para focar em áreas com maior potencial de crescimento.
Produtos Interrogação têm alto crescimento, mas baixa participação de mercado, o que os torna potenciais Estrelas com o investimento adequado. No entanto, apresentam risco significativo, pois a alta taxa de crescimento não garante sucesso no longo prazo.
Esses produtos exigem investimentos substanciais para aumentar a participação de mercado e, se bem-sucedidos, podem se transformar em Estrelas ou Vacas Leiteiras. Caso contrário, podem ser rebaixados para Cães e descontinuados.
A Matriz BCG serve como uma ferramenta estratégica para a alocação eficiente de recursos e o balanceamento do portfólio de produtos. Ao classificar os produtos nos quatro quadrantes, ela ajuda as empresas a entenderem onde concentrar seus esforços e investimentos, maximizando os resultados a longo prazo.
Um dos principais objetivos da matriz é identificar produtos com maior potencial de geração de caixa, como as Vacas Leiteiras, que podem financiar o crescimento de outros produtos.

Ao mesmo tempo, ela também auxilia a identificar produtos com maior necessidade de investimento, como as Estrelas e as Interrogações, permitindo que a empresa direcione seus recursos de maneira mais estratégica e fundamentada.
Além disso, a matriz facilita a avaliação contínua do portfólio, ajudando a empresa a tomar decisões informadas sobre quais produtos devem ser mantidos, aprimorados ou descontinuados, com base no contexto de crescimento do mercado e participação relativa.
A Matriz BCG tem aplicações variadas em diferentes áreas dentro das empresas, facilitando a tomada de decisões estratégicas de maneira eficiente. Confira alguns exemplos de uso da matriz:
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A seguir estão os passos para aplicar a Matriz BCG em uma empresa, classificando produtos ou serviços nos quadrantes corretos e orientando decisões estratégicas mais eficazes.
Primeiramente, é necessário levantar dados sobre cada produto ou serviço, incluindo a taxa de crescimento do mercado e a participação relativa de cada um. Isso envolve coletar informações sobre o desempenho de cada produto dentro do mercado em que compete.
O próximo passo é calcular a participação relativa de mercado, comparando a participação de cada produto com a de seu principal concorrente. Esse cálculo ajuda a identificar o posicionamento de cada item em relação aos líderes do mercado.
Em seguida, é preciso analisar as tendências do mercado e as projeções de crescimento. Esse processo ajuda a entender onde o mercado está se expandindo e quais produtos estão em setores com maior potencial de desenvolvimento.
Com base nas informações obtidas, é possível posicionar os produtos nos quadrantes da matriz, considerando a participação de mercado e o crescimento do setor. Esse posicionamento orienta decisões sobre os produtos que devem ser mais investidos e os que podem ser descontinuados ou mantidos.
A Coca-Cola é um exemplo clássico de como a Matriz BCG pode ser usada para analisar produtos em diferentes quadrantes. A Coca-Cola Clássica é um produto Vaca Leiteira, pois, embora tenha alta participação de mercado, seu crescimento é baixo devido à maturação do mercado de refrigerantes. Como líder global, ela gera fluxo constante de caixa, sendo uma das principais fontes de receita da empresa.
Por outro lado, a empresa também tem novos produtos, como as bebidas saudáveis e não carbonatadas, que estão em crescimento, mas ainda com baixa participação de mercado, posicionando-os no quadrante Interrogação. São produtos que, com o investimento correto, podem se tornar futuros Estrelas ou Vacas Leiteiras, caso aumentem sua participação no mercado.
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Apesar de sua utilidade, a Matriz BCG apresenta algumas limitações. Uma delas é a ênfase excessiva em participação de mercado como indicador de sucesso, ignorando outros fatores importantes, como a qualidade do produto ou a lealdade do consumidor.
Além disso, a matriz tem dificuldade de aplicação em mercados de nicho, onde a participação de mercado pode ser pequena, mas a lucratividade é significativa. Também pode se tornar obsoleta em contextos ágeis e digitais, nos quais as mudanças no mercado são rápidas e imprevisíveis, tornando a análise mais complexa.
Em um cenário de transformação digital e novos modelos de negócios, a análise de portfólio se torna ainda mais essencial. Afinal, as empresas precisam tomar decisões rápidas e baseadas em dados para se adaptar às mudanças constantes do mercado.
Embora a Matriz BCG tenha suas limitações, ela continua sendo uma ferramenta útil, ainda mais quando combinada com abordagens como análise preditiva e metodologias ágeis.
Isso permite que as empresas identifiquem áreas estratégicas para investir, descontinuar ou melhorar, alinhando o portfólio às exigências de um mercado em constante evolução.
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