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Como criar um PMO do zero em 90 dias: passo a passo

Aprenda como criar um PMO do zero em 90 dias, com etapas, prioridades, custos, estrutura mínima e estratégias para gerar valor desde o início.



Em resumo:

  • Criar um PMO em 90 dias é possível, mas o primeiro passo deve ser conquistar legitimidade junto às partes interessadas.
  • Os primeiros 90 dias podem ser divididos em três fases: diagnóstico e escuta, estruturação e primeira entrega, ajustes e formalização.
  • Patrocínio executivo, adaptação ao contexto e entrega de valor no curto prazo estão entre os principais fatores para o sucesso do PMO.

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Criar um PMO do zero em 90 dias é possível. Para que o escritório de projetos funcione e tenha continuidade, porém, a organização precisa estabelecer sua legitimidade antes de definir metodologia, ferramentas ou estrutura de equipe.

O PMO precisa ser reconhecido pelas partes interessadas como uma estrutura capaz de resolver problemas reais.

Sem essa percepção, mesmo processos bem desenhados podem encontrar resistência e perder espaço dentro da organização.

Por isso, os primeiros 90 dias devem combinar diagnóstico, relacionamento, estruturação e entrega de valor.

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Por que os PMOs falham nos primeiros meses?

Um erro comum na criação de um PMO é começar pela metodologia. A empresa contrata um especialista ou promove um profissional da área de projetos e, em seguida, passa a definir ferramentas, templates, processos e indicadores.

O resultado pode ser um conjunto de documentos bem estruturados, mas com pouca adesão das equipes.

Os gerentes de projetos continuam trabalhando da mesma maneira, a liderança não identifica claramente os benefícios do PMO e a própria existência do escritório passa a ser questionada.

O problema, nesse caso, não está necessariamente na metodologia. Está na falta de legitimidade do PMO.

Pesquisas de Brian Hobbs e Monique Aubrey sobre escritórios de gerenciamento de projetos mostram a importância do reconhecimento das partes interessadas para a sobrevivência e o desempenho do PMO.

Cada organização possui uma combinação própria de cultura, maturidade, estrutura de poder e desafios operacionais. Por isso, um modelo pronto precisa ser adaptado ao contexto antes de ser implementado.

Frameworks como PMI e PRINCE2 podem servir como referências, mas não substituem o diagnóstico da organização.

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Como criar um PMO em 90 dias?

A criação de um PMO pode ser dividida em três etapas principais:

  1. Dias 1 a 30: diagnóstico, mapeamento e escuta.
  2. Dias 31 a 60: definição da estrutura e primeira entrega de valor.
  3. Dias 61 a 90: ajustes, governança e formalização.

O objetivo não é criar um PMO perfeito em três meses. É construir uma estrutura funcional, reconhecida e capaz de demonstrar resultados.

Dias 1 a 30: mapeamento e escuta

O primeiro mês deve ser dedicado principalmente à compreensão do ambiente.

Antes de criar processos, é necessário descobrir quais são os problemas enfrentados pelas equipes e o que a liderança espera do PMO.

O que fazer no primeiro mês?

O diagnóstico pode incluir:

  • Entrevistas com a liderança: identificar quais problemas a diretoria espera que o PMO resolva.
  • Conversas com gerentes de projetos: entender dificuldades, processos existentes e principais gargalos.
  • Mapeamento de poder e influência: identificar quem pode apoiar ou resistir à criação do PMO.
  • Diagnóstico de maturidade: avaliar como os projetos são planejados, executados, monitorados e encerrados.
  • Levantamento de ferramentas: identificar sistemas e processos que já são utilizados pelas equipes.

Ao final dos primeiros 30 dias, o responsável pelo PMO deve conseguir responder a uma pergunta:

Qual problema mais urgente o PMO pode resolver para as pessoas que precisam reconhecer seu valor?

Essa resposta orientará as decisões das próximas etapas.

+ O que separa o PMO que gera valor do PMO que gera relatório

Dias 31 a 60: estruturação e primeira entrega

O segundo mês é dedicado à criação da estrutura mínima do PMO e à entrega de um primeiro resultado concreto.

Nesse momento, é importante evitar o excesso de processos. Um PMO recém-criado não precisa implementar dezenas de procedimentos simultaneamente.

Estrutura mínima de um PMO

A estrutura inicial pode incluir:

  • Definição do escopo do PMO;
  • Identificação dos projetos sob sua responsabilidade;
  • Definição dos serviços oferecidos pelo escritório;
  • Escolha do tipo de PMO mais adequado;
  • Criação de três a cinco processos prioritários;
  • Critérios para priorização de projetos;
  • Dashboard para acompanhamento do portfólio;
  • Definição das responsabilidades de governança.

Escolha o tipo de PMO

O modelo também precisa ser compatível com a necessidade da organização.

Um PMO pode atuar, por exemplo, como:

  • PMO de suporte, oferecendo orientação, ferramentas e conhecimento às equipes;
  • PMO de controle, acompanhando padrões, indicadores e conformidade;
  • PMO diretivo, assumindo maior responsabilidade pela gestão dos projetos.

A escolha deve considerar a maturidade da empresa e o nível de autoridade que o PMO terá.

Entregue valor antes do dia 60

A primeira entrega de valor deve ser perceptível para as partes interessadas.

Pode ser:

  • um dashboard de portfólio;
  • uma visão consolidada dos projetos;
  • um processo de aprovação mais simples;
  • um modelo de priorização;
  • uma redução de reuniões desnecessárias;
  • uma forma mais clara de acompanhar riscos e prazos.

A primeira entrega funciona como uma demonstração prática da utilidade do PMO.

Em vez de pedir que a organização confie em uma estrutura que ainda está sendo construída, o escritório passa a mostrar resultados concretos.

+ O que faz um PMO na prática? Funções, tipos e diferença para o gerente de projetos

Dias 61 a 90: ajustes e formalização

O terceiro mês deve ser usado para analisar os resultados iniciais e ajustar o funcionamento do PMO.

Nesse período, algumas práticas provavelmente precisarão ser modificadas. O feedback das equipes deve orientar essas decisões.

As principais atividades incluem:

  • Coletar feedback das partes interessadas;
  • Revisar processos que geraram resistência;
  • Ajustar indicadores e rotinas;
  • Documentar o modelo de governança;
  • Definir indicadores de desempenho do PMO;
  • Formalizar responsabilidades;
  • Apresentar os resultados dos primeiros 90 dias à liderança;
  • Elaborar o plano de evolução para os próximos seis meses.

Ao final desse período, o PMO não precisa estar completamente maduro.

O objetivo é que a organização compreenda por que o PMO existe, quais problemas ele resolve e qual valor ele entrega.

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O que determina o sucesso de um PMO nos primeiros 90 dias?

A sobrevivência de um PMO não depende apenas da ferramenta utilizada ou da metodologia escolhida.

Três fatores merecem atenção especial.

1. Patrocínio executivo

O PMO precisa contar com um sponsor com autoridade para defender sua atuação e facilitar o relacionamento com outras áreas.

O patrocínio executivo deve ser mais do que uma manifestação genérica de apoio. A liderança precisa participar das decisões e ajudar a remover obstáculos.

2. Adaptação ao contexto

O modelo utilizado em uma empresa de construção civil pode ser diferente daquele adotado por uma empresa de tecnologia.

A metodologia deve partir das necessidades da organização.

O framework é uma referência, não um modelo que precisa ser aplicado integralmente.

3. Entrega de valor no curto prazo

Um PMO que passa meses criando documentos sem demonstrar resultados pode perder credibilidade.

Por isso, a primeira entrega deve resolver um problema reconhecido pelas equipes ou pela liderança.

A pergunta mais importante nos primeiros 90 dias não é apenas “qual metodologia devemos utilizar?”.

É: quem precisa reconhecer o PMO como útil para que ele tenha espaço para cumprir sua função?

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Quanto custa criar um PMO do zero?

O investimento necessário varia de acordo com o tamanho da empresa, o número de projetos e a estrutura escolhida.

Como referência, um PMO inicial em uma empresa de médio porte pode envolver:

  • Responsável pelo PMO: R$ 10 mil a R$ 20 mil por mês, considerando contratação ou alocação profissional.
  • Ferramenta de gestão de projetos: R$ 500 a R$ 5 mil por mês, dependendo do sistema e do número de usuários.
  • Treinamentos: R$ 5 mil a R$ 20 mil por ciclo.

Também é necessário considerar um recurso que costuma ser subestimado: o tempo das lideranças.

Entrevistas, workshops, apresentações e reuniões de alinhamento exigem participação dos gestores. Esse envolvimento é parte do investimento necessário para estruturar o PMO.

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PMO ou escritório de transformação: qual escolher?

Outra decisão importante é diferenciar um PMO tradicional de um escritório de transformação.

O PMO tende a ter uma atuação contínua, acompanhando o portfólio de projetos da organização e contribuindo para processos de governança, priorização e acompanhamento.

Já o escritório de transformação costuma ser criado para conduzir uma mudança específica, como:

  • transformação digital;
  • fusão ou aquisição;
  • reestruturação organizacional;
  • implantação de uma estratégia;
  • programas corporativos de mudança.

Nesse modelo, o escritório pode ter caráter temporário. Após a conclusão do programa, suas funções podem ser encerradas ou incorporadas por uma estrutura permanente, como o PMO.

+ PMO em transformação digital: qual é o papel do escritório de projetos?

Perguntas frequentes sobre como criar um PMO

Quanto tempo leva para criar um PMO?

Um PMO mínimo viável pode ser estruturado em cerca de 90 dias. Entretanto, a maturidade da estrutura leva mais tempo.

Um PMO com processos consolidados, reconhecimento das partes interessadas e atuação estratégica pode levar de um a dois anos para amadurecer.

O prazo depende de fatores como tamanho da organização, maturidade em gestão de projetos e nível de patrocínio executivo.

Quem deve liderar a criação do PMO?

O responsável deve ter conhecimento de gestão de projetos e capacidade para construir relacionamentos com diferentes áreas da organização.

Certificações como PMP ou IPMA podem contribuir para a credibilidade técnica, mas a capacidade de negociação e articulação também é importante.

Além disso, o profissional precisa ter um mandato claro da liderança para atuar junto às áreas envolvidas.

Qual ferramenta usar em um PMO?

Ferramentas como Microsoft Project, Asana, Monday.com e Jira podem atender diferentes necessidades de um PMO.

A escolha deve considerar:

  • ferramentas que a organização já utiliza;
  • número de usuários;
  • custo;
  • funcionalidades necessárias;
  • facilidade de adoção;
  • integração com outros sistemas.

Não existe uma ferramenta universalmente adequada. A melhor opção é aquela que atende às necessidades do PMO e consegue ser adotada pelas equipes.

O PMO precisa ter uma área dedicada?

Não necessariamente.

Em empresas menores, o PMO pode começar como uma função dentro de áreas como TI, estratégia ou operações.

O mais importante é estabelecer claramente quem será responsável pela coordenação dos projetos, pela governança e pela consistência dos processos.

Qual é o tamanho ideal de uma equipe de PMO?

O tamanho depende da quantidade e da complexidade dos projetos.

Como referência, empresas com até 20 projetos ativos podem começar com uma equipe de uma a três pessoas.

Para portfólios maiores, uma referência possível é ter uma pessoa de PMO para cada oito a 12 projetos ativos, além de um coordenador ou gerente responsável pela visão geral da estrutura.


Sobre o autor

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, Reitor da Allevo Tech / Qeevo Group, doutorando do ITA e autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica.

Atua como conselheiro e conector estratégico em organizações em transformação.

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