A vida universitária, porém, não é novidade para todos os alunos sênior. Alguns, como o professor Abdias Jesus dos Santos, 58 anos, estudante do curso de Psicologia da Anhanguera em Ribeirão Preto, já conhecem de longa data a rotina de estudante universitário. Quase 30 anos depois ingressar no curso de Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Assis, voltou aos bancos escolares.
Para ele, a experiência tem sido recompensadora. “Eu sou professor, mas sempre gostei de psicologia. Quando me aposentei, resolvi investir nesse sonho e pretendo exercer essa profissão depois de formado”, conta.
Abdias também ressalta outra característica comum a quem encara o curso superior depois dos 30 é a presença no mercado de trabalho: a menor preocupação com o retorno financeiro que a nova profissão irá proporcionar.
“A grande maioria desse público já tem a profissão e consegue se manter com recursos próprios, o que é bem mais raro entre os jovens. Ao invés da preocupação com conseguir uma profissão e ingressar no mercado de trabalho, o mais comum é encontrar pessoas que buscam novos conhecimentos”, relata.
E essa realidade expressa por Abdias é ainda mais verdadeira entre os universitários com mais de 60 anos. E o fenômeno, segundo a gerontologista Rosa Chubaci, da USP (Universidade de São Paulo), deve ser cada vez mais observado.
“Antes, dizia-se que a terceira idade era marcada por um declínio da capacidade de aprendizado. Hoje, vemos, cada vez mais, um envelhecimento ativo. Os idosos de hoje querem oportunidades, querem concretizar seus sonhos”, avalia.
É o que sente a estudante mestranda em pedagogia Tereza Brandolim Moro, 65, que iniciou a graduação aos 58 anos e engatou a pós na sequência. “Não quero saber de tricô”, brinca ela.
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