GestãoNegócios e Empreendedorismo

Empresas aprovam 2,6 vezes mais projetos do que conseguem entregar; entenda o porquê

Empresas aprovam mais projetos do que conseguem entregar. Mario Trentim analisa o excesso de projetos, os impactos na gestão e a importância da priorização estratégica.



Em resumo:

  • Organizações aprovam cerca de 2,6 vezes mais projetos do que têm capacidade de executar, criando atrasos e disputas por recursos.
  • O problema começa no processo de aprovação de portfólio, quando faltam critérios claros para definir prioridades e cancelar iniciativas.
  • Profissionais de gestão com capacidade de priorizar, analisar cenários e recomendar decisões difíceis ganham relevância nas organizações.

Veja mais informações a seguir!

Clique aqui para acessar gratuitamente podcast, newsletter e materiais para download do Mario Trentim

Acervo Pessoal

Existe um padrão que aparece em empresas de diferentes setores: o volume de projetos aprovados cresce em um ritmo superior à capacidade real de execução.

O resultado é uma sobrecarga operacional que afeta prazos, custos e resultados.

O problema não está necessariamente na quantidade de ideias ou na busca por inovação. A questão está no desequilíbrio entre o número de projetos iniciados e os recursos disponíveis para entregá-los.

Muitas organizações enfrentam esse cenário porque têm dificuldade em estabelecer critérios objetivos para decidir quais projetos devem avançar.

“A maioria das organizações não tem critério claro para dizer não a projetos. Dizer sim é sempre politicamente mais fácil. O resultado é um portfólio que cresce além da capacidade de entrega e onde cada novo projeto, no momento em que entra, já degrada o desempenho dos anteriores”.

Teste vocacional

Qual carreira combina com o seu perfil?

Responda as perguntas e descubra o curso certo e as bolsas ideais para você!

+ Por que 88% das organizações falham na execução da estratégia?

++ O que muda para gestores de projetos com a IA? Especialista explica impactos na carreira

O excesso de projetos reduz a capacidade de entrega

O conceito conhecido como portfolio overload descreve o momento em que uma organização aprova mais projetos do que consegue administrar com eficiência.

Quando isso acontece, os recursos passam a ser divididos entre diversas iniciativas simultâneas.

Equipes precisam alternar constantemente entre demandas, gestores enfrentam mais decisões de prioridade e os projetos passam a competir entre si por pessoas, orçamento e atenção executiva.

Dados apresentados pelo Project Management Institute (PMI) indicam que organizações com mais de 50 projetos ativos simultaneamente apresentam uma taxa de entrega no prazo 40% menor em comparação com empresas que mantêm portfólios abaixo de 20 projetos ativos.

A consequência não é apenas o atraso individual de algumas iniciativas. O excesso de projetos altera o funcionamento de toda a organização.

Cada nova aprovação adiciona uma demanda sobre estruturas que já operam próximas do limite.

Sem uma revisão de prioridades, projetos estratégicos podem perder velocidade junto com iniciativas de menor impacto.

Quanto ganha um gerente de projetos no Brasil em 2026?

A aprovação de projetos é o ponto central do problema

O principal erro ocorre antes da execução. O processo de aprovação precisa considerar a capacidade disponível, os objetivos estratégicos e os impactos sobre projetos já existentes.

O problema não começa na execução. Começa na aprovação.

A dificuldade está relacionada a fatores técnicos e organizacionais. Em muitos ambientes corporativos, aprovar um novo projeto representa uma oportunidade de demonstrar iniciativa, atender uma área interna ou responder rapidamente a uma demanda de mercado.

Por outro lado, interromper uma iniciativa já aprovada pode envolver conflitos, mudanças de expectativas e pressão política.

Esse cenário faz com que muitos portfólios cresçam continuamente, sem uma análise equivalente sobre a capacidade de entrega.

Mário Trentim: como o especialista desenvolveu um framework para aproximar estratégia e execução nas organizações

Dados mostram impacto financeiro da baixa maturidade em projetos

O relatório Pulse of the Profession 2025, do PMI, aponta que organizações desperdiçam, em média, 12 centavos de cada dólar investido em projetos devido à ausência de práticas maduras de gestão.

Em grandes portfólios corporativos, esse desperdício representa valores significativos e ajuda a explicar a diferença entre o planejamento apresentado na aprovação e os resultados efetivamente alcançados.

O pesquisador Bent Flyvbjerg, professor da Universidade de Oxford e autor do livro How Big Things Get Done (2023), também identificou padrões semelhantes em grandes projetos internacionais.

Segundo seus estudos, uma parcela significativa dos megaprojetos ultrapassa prazos, custos ou ambos.

O levantamento indica que apenas uma pequena proporção consegue cumprir simultaneamente prazo, orçamento e benefícios previstos.

Os dados apontam para um problema estrutural: muitas organizações ainda tratam a aprovação de projetos como uma decisão isolada, sem considerar os efeitos acumulados sobre todo o portfólio.

O problema do mercado de gestão no Brasil — e o repositório que está tentando corrigi-lo

O papel estratégico do profissional de gestão

Nesse contexto, a capacidade de priorizar projetos passa a ser uma competência estratégica para profissionais de gestão.

O gestor de portfólio não atua apenas acompanhando cronogramas ou controlando entregas.

Ele precisa avaliar quais iniciativas geram maior valor, quais podem ser adiadas e quais devem ser interrompidas.

O profissional mais valioso em um portfólio sobrecarregado não é o que abraça mais projetos. É o que ajuda a organização a entender o custo de ter projetos demais.

Essa atuação exige análise de dados, visão estratégica e capacidade de apresentar argumentos baseados em critérios objetivos.

Para profissionais em início ou meio de carreira, desenvolver essa habilidade representa uma mudança de perspectiva.

A capacidade de questionar prioridades e propor alternativas pode gerar mais impacto do que assumir um volume maior de atividades.

Mario Trentim lança livro sobre gestão de projetos com inteligência artificial

A gestão eficiente depende de escolhas estratégicas

O excesso de projetos não é resolvido apenas com mais pessoas, mais reuniões ou novas ferramentas.

A solução passa por uma revisão dos critérios utilizados para selecionar e manter iniciativas.

Organizações com maior maturidade em gestão de portfólio conseguem alinhar seus projetos aos objetivos estratégicos e concentrar recursos nas iniciativas com maior potencial de resultado.

O desafio está em transformar a aprovação de projetos em um processo de decisão estratégica, e não apenas em uma resposta às demandas internas.

A capacidade de escolher quais projetos entram, quais permanecem e quais devem ser encerrados é parte central da gestão moderna.

O paradoxo da superaprovação tem uma solução conhecida: criar mecanismos de priorização, estabelecer critérios claros e desenvolver profissionais preparados para tomar decisões fundamentadas.

PMP vale a pena em 2026? Os números que respondem


Acervo Pessoal

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI Global (2025–2027), doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), autor de 13 livros sobre gestão e estratégia e criador do Adapt OS.

Mais informações em trentim.com e no Substack Estratégia em Ação: trentim.substack.com.

Logo do Querobolsa

Gostando da matéria?

Inscreva-se e receba nossos principais posts no seu e-mail

Banner FOQA Últimas Notícias

Revista Vídeos

As profissões mais bem pagas em 2026

Postado em 31/03/2026

Como estudar pro ENEM 2026 do ZERO

Postado em 23/04/2026


Pronto para estudar pagando menos?

Bolsas de até 80% de desconto em milhares de faculdades por todo o Brasil.
Encontrar minha bolsa