Em resumo:
- Estudo aponta a fonoaudiologia como uma das profissões menos substituíveis por IA devido à natureza relacional da comunicação humana
- A inteligência artificial atua como ferramenta de apoio em avaliações e terapias, sem substituir o olhar clínico profissional
- A formação exige graduação reconhecida, estágios supervisionados e registro no conselho para atuação no mercado
Veja mais informações abaixo.
Encontre bolsas de estudo de até 80%
O avanço da inteligência artificial na saúde tem transformado diagnósticos, tratamentos e processos clínicos.
No entanto, nem todas as profissões seguem a mesma tendência de automatização.
Um levantamento da ISE Business School em parceria com a consultoria IDados aponta a fonoaudiologia como uma das áreas menos suscetíveis à substituição por IA.
A justificativa está na natureza do cuidado envolvido no desenvolvimento da comunicação humana.
A atuação fonoaudiológica depende de vínculo, escuta clínica e interação direta, fatores que não podem ser reproduzidos integralmente por sistemas digitais.
Para a fonoaudióloga Christiane Nicodemo, mestre em distúrbios da comunicação e linguagem e integrante do corpo clínico do Hospital Paulista, a comunicação humana se constrói a partir de experiências relacionais desde os primeiros momentos de vida.
Esse processo sustenta o desenvolvimento da linguagem, da cognição e das habilidades sociais.
+ Fonoaudiologia: veja 5 cursos de pós-graduação em alta em 2025
Linguagem e vínculo: a base humana da comunicação
O desenvolvimento da linguagem começa na relação entre mãe e bebê. O contato pele a pele e a amamentação estimulam a liberação de ocitocina, hormônio associado à formação do vínculo afetivo.
Esse estímulo ativa estruturas do sistema límbico, relacionadas às emoções, memória e construção da comunicação.
Os estímulos sensoriais, motores e emocionais formam a base da cognição humana.
Essa estrutura inicial sustenta o desenvolvimento da linguagem ao longo da vida. A tecnologia pode atuar como recurso complementar, mas não substitui a base relacional construída no início do desenvolvimento.
Esse entendimento sustenta recomendações de entidades médicas que contraindicam o uso de telas por crianças menores de dois anos, devido aos impactos no desenvolvimento da linguagem social e cognitiva.
+ 50 melhores faculdades de Fonoaudiologia, segundo o MEC
O papel da inteligência artificial na prática fonoaudiológica
A inteligência artificial já está presente em diferentes recursos utilizados na fonoaudiologia.
Entre as aplicações estão ferramentas para avaliação auditiva, estímulos cognitivos, reabilitação e terapias assistidas por tecnologia.
Esses recursos ampliam possibilidades terapêuticas e favorecem processos de neuroplasticidade.
No entanto, a definição de condutas, a interpretação dos dados e a adaptação das intervenções dependem do olhar clínico do profissional.
A IA atua como ferramenta de apoio. O fonoaudiólogo permanece responsável pelo diagnóstico funcional, planejamento terapêutico e acompanhamento individualizado do paciente.