Como a pesquisa foi feita?
A pesquisa utiliza o AI Occupational Exposure (AIOE), índice internacional que mede o grau de exposição das tarefas típicas de cada ocupação à Inteligência Artificial.
Ao cruzar esse indicador com os microdados da PNAD Contínua do IBGE, o estudo quantifica a exposição de mais de 90 milhões de trabalhadores distribuídos em 410 ocupações.
A abordagem permite:
- Comparações entre setores e estados
- Análises por perfil socioeconômico
- Avaliações por categoria profissional
- Estudos históricos com base nas séries dos últimos dez anos
O resultado é um diagnóstico abrangente que pode orientar políticas públicas, decisões empresariais e estratégias educacionais voltadas ao futuro do trabalho.
Quais profissões serão mais afetadas pela IA?
O levantamento da ESPM revela que ocupações altamente cognitivas permanecem entre as mais sensíveis à automação baseada em Inteligência Artificial.
“A inteligência artificial não é apenas uma tendência tecnológica; ela já está reorganizando o mercado de trabalho brasileiro. Entender essas transformações é fundamental para formar profissionais capazes de atuar em um ambiente em que análise crítica, criatividade e adaptabilidade serão cada vez mais essenciais”, aponta a coordenadora do curso de Administração da ESPM-SP, Erika Buzo Martins.
Entre os grupos com maior índice de exposição (AIOE acima de 113, significativamente superior à média nacional) estão:
Atividades ligadas à administração, análise e processamento de informações também figuram entre as mais impactadas.
Em contrapartida, funções predominantemente manuais e contextuais, como pedreiros, trabalhadores da construção civil, agricultores, lavradores manuais e bailarinos, registram índices entre 73 e 85.
“Mapear quem está mais exposto à IA significa mapear como o país deve se preparar. Nosso relatório oferece uma base sólida para governos, empresas e instituições educacionais desenharem políticas de formação e requalificação que reduzam desigualdades e ampliem oportunidades”, afirma o coordenador do PRISMA – Observatório de Negócios da ESPM, Jorge Ferreira dos Santos Filho.