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Negócios

Handover: o que é a prática de “passar adiante” nas empresas

Entenda o que é handover, como funciona na rotina empresarial e por que esse processo é essencial para a continuidade do trabalho

Em resumo:

  • Handover é a transferência estruturada de responsabilidades, tarefas e informações entre pessoas, equipes ou etapas.
  • O processo evita perda de conhecimento, reduz falhas operacionais e garante continuidade do trabalho.
  • Pode ser aplicado em diferentes contextos, como projetos, vendas para Customer Success e trocas de colaboradores.
  • Um handover malfeito gera retrabalho, desalinhamento entre áreas, perda de dados e queda de performance.
  • Boas práticas incluem mapeamento de processos, definição clara de responsabilidades, documentação padronizada e comunicação estruturada.
  • Na gestão de projetos, o handover deve ser planejado desde o início e formalizado na fase de encerramento.
  • Ferramentas, checklists e modelos visuais ajudam a padronizar a transição e reduzir riscos.

Trocas de função, mudanças de equipe, novos projetos entrando em fase decisiva. Uma empresa pode ter tudo isso acontecendo em um intervalo de poucos dias. Para dar conta de múltiplos fluxos, um processo é indispensável: o handover — termo que define a transferência estruturada de responsabilidades, tarefas e informações.

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Saber como aplicar o handover evita que o conhecimento fique restrito a uma única pessoa, reduz falhas operacionais e assegura a continuidade do trabalho sem atropelos. Quando bem aplicado, ele facilita a transição de processos entre pessoas, áreas ou etapas, mantendo o contexto e o ritmo do que já foi construído.

Neste artigo, entenda melhor o que é handover empresarial ou corporativo, como ele contribui para a eficiência de processos em ambientes corporativos e quais são as boas práticas para estruturar transições claras, organizadas e sustentáveis.

O que é handover e para que serve?

Handover é um termo de origem inglesa que significa, literalmente, “passar adiante”. No contexto corporativo, refere-se à transferência organizada de informações, responsabilidades e tarefas entre pessoas, equipes ou áreas. 

Diferente de uma simples comunicação informal, o handover segue um processo estruturado, com o objetivo de garantir clareza, continuidade e eficiência nas operações, mesmo diante de mudanças.

Esse tipo de transição é comum em diversos momentos, como trocas de função, desligamentos, afastamentos temporários, reestruturações internas ou mudanças de fase em projetos. Nessas situações, o handover atua como uma ponte que assegura que nada se perca pelo caminho. 

Quando bem feito, esse processo mantém o alinhamento entre as partes, evita retrabalho e preserva o histórico e o contexto do que já foi realizado. Por outro lado, se o handover não é feito de maneira adequada, aumentam os riscos de perda de dados, desalinhamento entre áreas, falhas operacionais e queda na performance.

Por isso, mais do que uma etapa operacional, o handover cumpre um papel estratégico. Ele protege o capital intelectual da empresa, garante a fluidez entre etapas e evita rupturas que afetam a entrega final.

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Principais tipos de handover corporativo

Existem diferentes formas de handover no ambiente corporativo, cada uma com objetivos e dinâmicas específicas. Ainda que os contextos mudem, todas compartilham um mesmo princípio: assegurar que a continuidade do trabalho não dependa exclusivamente de uma pessoa ou equipe. 

A seguir, estão os tipos mais frequentes e suas particularidades.

Handover em projetos

No ciclo de vida de um projeto, é comum que atividades sejam repassadas de um time para outro à medida que etapas são concluídas. Por exemplo, a transição entre a execução e o time de QA (Quality Assurance), ou entre desenvolvimento e operações. 

Para que essa troca aconteça sem ruídos, o “PMBOK Guide” recomenda a formalização de entregáveis e responsabilidades, além da documentação de decisões, riscos e aprendizados. 

Além disso, é importante estabelecer critérios claros para o aceite de cada fase, bem como manter canais de comunicação abertos entre os squads envolvidos.

Veja mais: Ciclo de vida de projeto: 5 boas práticas essenciais
+ Fases de um projeto: as 5 etapas que garantem resultados 

Handover de vendas para Customer Success

Em áreas comerciais, o handover entre vendas e Customer Success representa um momento crítico. Quando bem feito, permite que o time de CS tenha acesso ao histórico completo do cliente — desde dores e expectativas até detalhes do processo de negociação.

Isso evita perguntas repetidas, melhora a experiência de onboarding e contribui diretamente para a retenção. A prática de mapear as informações essenciais e integrá-las à ferramenta de gestão de clientes reduz as falhas de comunicação e acelera a geração de valor no pós-venda.

Leia: Customer Success: como entregar valor e reter clientes
+ Pós-venda: estratégias que retém e fidelizam clientes 

Handover entre colaboradores (por desligamento ou férias)

A substituição temporária ou definitiva de um profissional exige um handover cuidadoso. A ausência de registros claros e atualizados pode comprometer o andamento de tarefas rotineiras, causar retrabalho e até afetar a entrega de projetos em andamento. 

Para que não haja problemas nessa transição, a recomendação é usar checklists e documentos compartilhados. Além disso, manter o histórico de conversas com clientes, anotações e materiais de apoio centralizados ajuda a preservar o conhecimento e minimizar os impactos da troca.

Como fazer um handover bem feito: passo a passo

Um estudo sobre boas práticas em organizações de médio porte mostra que empresas que padronizam seus fluxos de transição conseguem minimizar riscos operacionais, melhorar a comunicação entre áreas e garantir entregas com mais consistência. 

Por isso, o handover não deve ser tratado como uma formalidade, mas como um componente essencial da rotina de trabalho. Sua eficácia depende menos do porte da empresa e mais da forma como o processo é estruturado.

Confira um passo a passo básico para estruturar um handover.

1. Mapeamento de processos e pontos de transição

A primeira etapa envolve a identificação de onde ocorrem os principais pontos de entrega e passagem de responsabilidade. Mapear esses momentos permite antecipar gargalos e estruturar fluxos mais eficientes. 

Essa prática reduz falhas entre áreas e melhora o tempo de resposta, especialmente em ciclos comerciais. Gráficos de fluxo, diagramas de processos e sistemas de acompanhamento ajudam a visualizar essas transições de forma clara e estratégica.

2. Definição clara de responsabilidades

A ausência de clareza sobre quem entrega e quem assume é uma das maiores causas de desalinhamento em handovers. Modelos como a matriz RACI — que define quem é responsável, quem aprova, quem deve ser consultado e quem precisa ser informado — ajudam a eliminar zonas de ambiguidade.

Ao formalizar papéis, o processo se torna mais transparente e reduz a dependência de intermediações informais.

3. Registro e documentação padronizada

Sem registros organizados, o conhecimento se perde no caminho. Por isso, o uso de checklists, documentos padronizados, arquivos compartilhados e sistemas acessíveis é fundamental. 

O guia de projetos PMBOK indica que as entregas de projetos incluam, obrigatoriamente, a documentação técnica e operacional necessária para continuidade. Ter um repositório central e atualizado fortalece a rastreabilidade do processo e reduz a curva de aprendizado de quem assume as tarefas.

4. Comunicação ativa e alinhamento de expectativas

Mais do que transmitir informações, o handover exige alinhamento entre quem entrega e quem recebe. Reuniões de transição, onboarding interno, trocas de mensagens registradas e uma cultura aberta ao feedback são elementos que tornam a passagem mais eficaz.

Esses rituais ajudam a construir confiança e dão espaço para esclarecer dúvidas, definir prioridades e garantir que o histórico não se perca na transição.

5. Avaliação pós-handover

Após a transição, a etapa de avaliação permite medir se o processo funcionou conforme o esperado. É importante revisitar o handover com todos os envolvidos, observando pontos de melhoria e sugerindo ajustes para os próximos ciclos.

Essa abordagem de melhoria contínua transforma o handover em um processo cada vez mais eficaz e alinhado aos objetivos da organização.

Confira: Gestão de pessoas: pilares, práticas e tendências
+ Departamento pessoal: o que faz, rotinas e importância

Boas práticas de handover na gestão de projetos

Em projetos, o handover é uma etapa crítica que deve ser prevista desde os primeiros planejamentos. O “PMBOK Guide”, referência em gerenciamento de projetos, trata essa transição como parte integrante da fase de encerramento, destacando a necessidade de registros formais e validação de entregas.

A transição eficiente não se resume à conclusão de tarefas, mas inclui a mudança de ownership — ou seja, a transferência de responsabilidade sobre processos, produtos ou sistemas. 

Esse movimento exige clareza sobre quem passa a responder por cada item, além de uma comunicação alinhada com o que está registrado no stakeholder register, assegurando que todas as partes interessadas sejam informadas corretamente.

Entre as boas práticas recomendadas, destacam-se:

  • Entrega formal de documentos e produtos (deliverables), com registro de status, pendências e histórico de decisões.
  • Checklist de encerramento, com critérios definidos de aceite e validação do projeto.
  • Documentação técnica acessível, para que os novos responsáveis tenham respaldo ao assumir o controle.
  • Comunicação estruturada com stakeholders, com roteiros claros de repasse e canais definidos para dúvidas ou solicitações.
  • Planejamento do handover desde o início do projeto, reduzindo riscos de improviso ou omissão de etapas relevantes.
  • Atuação ativa da liderança, garantindo suporte à equipe durante a transição e acompanhamento do desempenho pós-entrega.

Segundo a pesquisa “Best Practices for Project Handover in Middle-Size Organization”, o sucesso dessa etapa está diretamente ligado à preparação prévia.

Projetos que estruturam o handover com antecedência e envolvem gestores na definição das etapas críticas tendem a apresentar melhores índices de continuidade e satisfação entre as partes envolvidas.

Saiba mais: Ferramentas de gestão de projetos: quais usar e como escolher
+ O que é cronograma: 6 passos para criar um projeto ideal 

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