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Negócios

Task Masking: o hábito de fingir produtividade no trabalho

Saiba o que é Task Masking, por que profissionais fingem produtividade e os efeitos desse fenômeno nas empresas

Em resumo:

  • Task Masking é o ato de fingir produtividade sem gerar entregas reais.
  • A prática inclui ações como reuniões sem pauta, microtarefas e e-mails excessivos.
  • Está ligada à cultura do “sempre ocupado” e à pressão por presença constante.
  • Executivos e gerentes também admitem mascarar tarefas, segundo pesquisa da Workhuman.
  • Pode ser sintoma de sobrecarga, burnout e desalinhamento de prioridades.
  • Geração Z usa o comportamento como reação ao controle e à rigidez corporativa.
  • O fenômeno distorce a gestão por resultados e mantém tarefas desnecessárias ativas.
  • Para combater, é necessário repensar métricas, promover confiança e priorizar o que importa.

Nos corredores de escritórios, uma nova expressão tem ganhado força: Task Masking. O termo, que pode ser traduzido como “mascaramento de tarefas”, descreve o hábito de fingir produtividade no ambiente de trabalho.

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Popularizada em vídeos no TikTok por jovens profissionais da Geração Z, essa prática virou uma maneira performática de demonstrar ocupação no trabalho, mesmo quando pouco se entrega de fato.

Apesar de recente no vocabulário corporativo, o comportamento não é novo. Uma pesquisa de 2024 da plataforma Workhuman mostrou que mais de um terço dos profissionais no Reino Unido já admitiram simular produtividade no trabalho — incluindo 38% dos executivos de alto escalão e 37% dos gerentes.

Neste artigo, entenda o que é Task Masking, por que o fenômeno se popularizou entre trabalhadores jovens e experientes, e quais são os impactos desse comportamento nas empresas.

O que é Task Masking?

Task Masking é o ato de fingir estar ocupado no trabalho para parecer produtivo, mesmo sem realizar entregas de fato. Trata-se de uma forma de produtividade performática, na qual o profissional investe mais energia em parecer atarefado do que em gerar resultados reais. 

Essa performance inclui ações como digitar freneticamente sem necessidade, andar pela empresa com o notebook em mãos, manter planilhas abertas apenas para mostrar movimento na tela, participar de reuniões sem contribuir ou até simular ligações e videochamadas com a intenção de ser visto como alguém engajado.

Esse tipo de comportamento não se limita a cargos iniciantes ou a uma geração específica. A pesquisa da Workhuman revelou que executivos e gerentes também admitem mascarar tarefas como forma de adaptação à cultura empresarial que valorizam mais a aparência de produtividade do que os resultados concretos.

Esse fenômeno está diretamente ligado ao modelo de trabalho que exige presença constante e disponibilidade total, descrito por Cal Newport, em “Slow Productivity”, como parte da cultura “always on”, que transforma o trabalho em um ciclo contínuo de atividade visível, mas nem sempre significativa.

O problema é que essa prática distorce a percepção de desempenho, dificulta a gestão orientada por resultados e contribui para a permanência de tarefas desnecessárias no dia a dia das equipes.

Veja mais: O que é produtividade e como desenvolvê-la
+ 5S: como aplicar a metodologia para aumentar a produtividade 

Por que colaboradores mascaram tarefas no trabalho?

O Task Masking muitas vezes nasce como um mecanismo de defesa em ambientes de trabalho que promovem pressão excessiva por presença e valorizam o desempenho aparente. 

A necessidade de esconder tarefas que não são prioritárias ou disfarçar momentos de inatividade costuma estar ligada ao medo de retaliação, à falta de clareza sobre entregas relevantes e ao receio de parecer improdutivo diante da liderança.

Esse cenário se agrava em culturas empresariais marcadas por sobrecarga, metas infladas e um ritmo de trabalho que não respeita limites saudáveis. Ambientes assim favorecem essa produtividade performática.

Uma das consequências desse fenômeno é o adoecimento silencioso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a síndrome de burnout ou de esgotamento profissional estão entre os principais riscos à saúde mental no ambiente de trabalho.

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Flexibilidade x controle: um conflito geracional?

O mascaramento de tarefas não é exclusividade da Geração Z, mas ganha ainda mais visibilidade por meio das redes sociais. No caso dessa geração, o Task Masking também pode funcionar como uma resposta ao excesso de controle e à rigidez corporativa. Profissionais dessa faixa etária tendem a valorizar autonomia, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e modelos mais flexíveis. 

Uma pesquisa de 2023 da ResumeBuilder mostrou que 54% dos profissionais da Geração Z são demitidos nos primeiros 90 dias de trabalho, e 74% dos gestores os consideram difíceis de lidar, principalmente por aparentarem baixa autonomia e dependência em excesso. Os dados acendem um alerta sobre desalinhamento de expectativas entre jovens talentos e organizações.

Como identificar o Task Masking na equipe (ou em si mesmo)

O Task Masking pode não ser intencional, mas uma resposta automática à cultura de pressão ou à sobrecarga constante. Essa prática recorrente de parecer produtivo pode estar associada a sintomas de fadiga profissional e até burnout, como desmotivação, apatia e dificuldade de concentração.

A seguir, confira alguns sinais podem indicar que o foco foi desviado da entrega para a performance aparente:

  • Participar de reuniões sem pauta clara ou objetivo definido, apenas para marcar presença;
  • Circular com notebook ou celular em mãos o tempo todo, sem necessidade funcional;
  • Manter-se ocupado com microtarefas repetitivas ou de baixo impacto, sem avançar em entregas estratégicas;
  • Enviar respostas imediatas a e-mails ou mensagens como forma de demonstrar agilidade, mesmo fora do horário útil;
  • Criar ou prolongar tarefas com excesso de etapas ou burocracias desnecessárias, dificultando a objetividade;
  • Estar sempre “online” em plataformas corporativas, mas com baixa efetividade nas entregas reais.

Esses indícios funcionam como alertas de que algo pode não estar equilibrado — seja na gestão de prioridades, na cultura da equipe ou na saúde mental do colaborador.

Veja: Segurança psicológica no trabalho: o que é e sua importância
+ Motivação no trabalho: fatores que influenciam a performance 

Impactos do Task Masking no desempenho organizacional

É evidente que o Task Masking prejudica o desempenho das equipes. No entanto, mais do que comprometer entregas, essa prática altera a forma como o trabalho é planejado, executado e avaliado.

Um dos principais efeitos está no acúmulo de demandas irrelevantes, que acabam ocupando o tempo e a energia dos profissionais, dificultando a dedicação a projetos estratégicos. 

Como destaca Cal Newport em “Slow Productivity”, produtividade não deve ser medida pela quantidade de tarefas executadas, mas pela qualidade e profundidade do trabalho feito. Quando há mais preocupação em parecer ocupado do que em avançar nas entregas certas, a consequência é um ambiente reativo, disperso e pouco eficaz.

Além disso, o mascaramento de tarefas compromete a clareza sobre prioridades e distorce indicadores de desempenho. Isso prejudica a alocação de recursos, mina o engajamento e gera uma cultura de produtividade encenada.

Leia também: Como resolver a falta de responsabilidade no trabalho?
+ Gamificação no trabalho: como engajar equipes e gerar resultados

Como combater o Task Masking nas empresas

Para enfrentar o Task Masking, não basta monitorar comportamentos, é preciso repensar a cultura organizacional e os modelos de gestão que reforçam a performance aparente. Ambientes onde a produtividade é medida por presença e volume, e não por resultados, tendem a alimentar essa prática.

Algumas ações práticas podem ajudar líderes e equipes a desmontar a cultura da produtividade performática. Veja:

  • Revisar indicadores de desempenho, priorizando entregas com valor estratégico em vez de tempo de conexão ou volume de tarefas;
  • Promover conversas transparentes, criando espaço para que colaboradores sinalizem sobrecarga, confusão de prioridades ou falta de sentido nas atividades;
  • Incentivar a priorização consciente, com ferramentas como matriz de Eisenhower, OKRs ou métodos ágeis de planejamento semanal;
  • Valorizar a autonomia com responsabilidade, oferecendo flexibilidade sem abrir mão da clareza sobre objetivos e expectativas;
  • Capacitar lideranças, para que saibam diferenciar esforço visível de contribuição efetiva e adotem uma gestão mais orientada a resultados reais;
  • Eliminar tarefas desnecessárias, simplificando processos e evitando que o excesso de burocracia alimente a falsa sensação de produtividade.

Empresas que adotam essas práticas constroem ambientes mais confiáveis e sustentáveis — e diminuem os incentivos para que o mascaramento de tarefas seja visto como uma boa estratégia.

Confira mais: Gestão de alta performance: como criar times de sucesso
+ Alta performance: saiba o que é e como trabalhar com foco de atleta

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