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Geografia

Teorias demográficas modernas

Giulia Giacomini Kiefer
Publicado por Giulia Giacomini Kiefer
Última atualização: 12/6/2019

Introdução

demografia é uma área de conhecimento que propõe o estudo das populações sob uma perspectiva quantitativa - ou seja, o uso de matemática e métodos estatísticos nas ciências humanas. 

Uma população é definida por um conjunto de indivíduos, agregados por distintas características, que são capazes de se reproduzir. 

Civilizações como a Grécia e a Roma antigas já realizavam estudos sobre suas populações, mas a base do que conhecemos hoje como demografia vem de ideias que surgiram a partir dos séculos XVIII e XIX. Veremos as mais importantes a seguir.  

Malthusianismo 

Em 1798, o pensador e clérigo inglês Thomas Robert Malthus escreveu o livro An Essay on the Principle of Population. Na obra, o autor previu um futuro sombrio para a população mundial.

Conforme suas observações, a fartura na produção de alimentos sempre acarretava no crescimento da população. Porém, enquanto a população cresceria em progressão geométrica, a disponibilidade de alimentos cresceria em progressão aritmética, acarretando na necessidade de controle de natalidade

O gráfico ilustra a Teoria Malthusiana - o momento em que o crescimento populacional excede a produção é chamado de “catástrofe malthusiana”

Por consequência, os fatores “naturais” de controle da população seriam as guerras, os desastres naturais e a fome (causada pela falta de alimentos). Malthus também postulou que o controle populacional poderia ser atingido através de ações dos indivíduos, como o celibato.

Ambas as soluções propostas por Malthus possuíam em comum o controle populacional direcionado aos mais pobres, pois acreditava-se que o crescimento populacional desenfreado era causado por essa camada da sociedade.

Neomalthusianismo

O neomalthusianismo ascendeu alguns séculos depois, principalmente após a Segunda Guerra Mundial. A base da teoria é semelhante. O diferencial é o foco na “superpopulação” dos países subdesenvolvidos e na solução deste “problema”.

Com o fim da Guerra, os países europeus contabilizavam enormes perdas em diversas áreas, em especial, nos seus contingentes populacionais. Em contrapartida, os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento experienciaram grandes avanços tecnológicos que permitiram o aumento da expectativa de vida e o crescimento da população em geral. Somando-se a isto a alta taxa de natalidade que possuíam, esses países experienciaram uma “explosão demográfica”.

Então, os pensadores neomalthusianos propunham a adoção de medidas antinatalistas por parte dos países do “terceiro mundo”, especialmente com os mais pobres. 

Diferentemente do malthusianismo, esta corrente colocava os governos dos países como agentes principais no controle da natalidade. Algumas das medidas tomadas eram: distribuição de métodos contraceptivos, esterilização em massa e medidas antinatalistas, como a “política do filho único” adotada na China, na qual o governo obrigava casais a terem apenas um filho.

Teoria Reformista (ou Marxista)

As ideias de Malthus e seus sucessores causaram controvérsia (assim como até os dias atuais causam). Alguns pensadores contrários criticaram a abordagem de “os pobres causam a superpopulação”, e a Teoria Reformista foi uma das principais oposições a isto. 

Baseada nos ideais marxistas e no reformismo, esta teoria propõe que investimentos em educação, cultura e bem estar social em geral contribuem para a diminuição da natalidade

A visão dos reformistas na população invertia a causa do “problema”: não são os pobres que causam a superpopulação, e sim a superpopulação que causa os pobres. No caso dos países em desenvolvimento, a exploração de seus territórios e recursos por colonizadores os colocaram nesta situação de pobreza.

Portanto, o acesso a melhores condições de vida acarretaria na diminuição natural de natalidade, controlando a “superpopulação”.

Transição demográfica

Apesar de ser um tópico um pouco destoante dos três discutidos acima, o conceito de transição demográfica vale ser mencionado nesse texto, visto que é um fenômeno demográfico contemporâneo. 

A transição demográfica é caracterizada pela passagem de altas para baixas taxas de mortalidade e natalidade em uma população. Dividida em cinco fases, experiencia-se um momento de explosão demográfica, até a estabilização das duas taxas.

É relacionada com a transição do modelo econômico de um país: do pré-industrial para o urbano-industrial bem estabelecido. Por isso, os diferentes países passaram pela transição demográfica em períodos diferentes da história, e suas transições duraram mais ou menos tempo. 

gráfico ilustrando as fases da transição demográfica


Exercícios

Exercício 1
(PUC-RS/2010)

Sobre as teorias Malthusiana e a Neomalthusiana, é correto afirmar que: 

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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