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História Geral

Neocolonialismo

Otávio Spinace
Publicado por Otávio Spinace
Última atualização: 21/8/2018

Introdução

O neocolonialismo, ou imperialismo, foi o processo de colonização e ocupação da África e da Ásia por grandes potências europeias, que se iniciou na segunda metade do século XIX e continuou até meados do século XX.

Além da exploração dos territórios e povos colonizados, o neocolonialismo provocou uma série de conflitos internacionais. Eles eram motivados tanto por disputas entre os colonizadores, quanto pela independência dos territórios colonizados - o que causou grande impacto no desenvolvimento destes países dali em diante.

Contexto histórico

Durante o século XIX, a Europa passou por um intenso processo de industrialização, que se espalhou por países como Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Itália e Alemanha. Este processo ficou conhecido como Segunda Revolução Industrial, e provocou uma grande transformação nos processos de produção desses países.

Surgiram as primeiras grandes corporações industriais, que necessitavam de matéria-prima para produzir e de mercados para comercializar seus produtos, dentro da nova lógica de desenvolvimento do capitalismo.

Também foi um período marcado pela ascensão do nacionalismo no continente europeu, que influenciou processos como a independência da Bélgica, em 1830, e as unificações alemã e italiana, na década de 1870. Desse modo, os Estados nacionais que se consolidavam competiam entre si para estabelecer novas fronteiras comerciais e expandir seu parque industrial.

É nesse contexto que nasce o neocolonialismo, como resultado da disputa entre as potências europeias para explorar territórios do continente africano e asiático, principalmente em busca de matérias-primas e novos mercados para os bens produzidos pela indústria.

Nesse processo, houve uma ocupação com moldes imperiais (daí o termo “imperialismo”) sobre os territórios ocupados, a exploração de recursos naturais e mão de obra, bem como o desmantelamento de culturas e tradições locais, e a influência sobre a organização dos povos dominados

Conferência de Berlim

Os países europeus já tinham interesses no continente africano desde o início do século XIX. No entanto, o momento considerado determinante para o estabelecimento dos grandes impérios coloniais foi a Conferência de Berlim, realizada na capital alemã entre 1884 e 1885, liderada pelo chanceler germânico Otto von Bismarck.

O encontro foi organizado para mediar os interesses das potências europeias sobre o território africano. Era uma resposta, principalmente, à ação de ocupação de uma extensa área pelo rei da Bélgica, Leopoldo II - onde, hoje, fica a República Democrática do Congo. O resultado da Conferência de Berlim foi a divisão da África entre os países da Europa, o que foi responsável por estabelecer boa parte das fronteiras do continente, sem respeitar traços culturais, étnicos e religiosos, além da própria organização já existente entre os africanos.

Cartum de 1885 fazendo alusão à partilha da África durante a Conferência de BerlimPartilha da África na Conferência de Berlim

Como a Europa via a África

Ideologicamente, a colonização de territórios na África e Ásia não foi justificada como a busca por mercados e matérias-primas, mas como uma tentativa de levar a civilização a esses locais dominados pela barbárie.

A justificativa se pautou na existência de um imaginário construído na Europa de que o continente africano era um lugar exótico a ser explorado e conquistado. Nesse sentido, caberia aos europeus a tarefa de civilizar as regiões atrasadas, o que também carregava um ideal de superioridade racial e cultural.

Estas ideias estavam baseadas no que foi chamado de darwinismo social, ou seja, a utilização de noções elaboradas por Charles Darwin no estudo da evolução das espécies no âmbito biológico, mas aplicadas a um contexto social e cultural, para explicar a existência de civilizações evoluídas e atrasadas.

Um importante documento histórico desse período é o poema “O fardo do homem branco”, escrito em 1898 por Rudyard Kipling, clamando ao “homem branco” que cumpra seu papel civilizador nos territórios selvagens. Esse imaginário também justificou diversas expedições científicas e religiosas no continente africano, e foi amplamente retratado na literatura e, posteriormente, no cinema.

Colonialismo x neocolonialismo

Apesar de serem termos similares, cabe destacar algumas diferenças. entre o colonialismo estabelecido pelos europeus do século XVI ao XVIII, principalmente nas Américas, e o neocolonialismo dos séculos XIX e XX, que ocupou basicamente África e Ásia.

Colonialismo

Estabelecido do século XVI ao XVIII, principalmente nas Américas. As nações europeias implantaram colônias efetivas nos territórios americanos, buscando produtos complementares à economia europeia, estabelecendo governos e impondo sua cultura aos povos nativos.

Neocolonialismo

Ocupou basicamente África e Ásia, durante os séculos XIX e XX. Foi caracterizado pela interferência em sociedades já estabelecidas, podendo demandar uso de força militar, para atender interesses imediatos do processo de industrialização das potências europeias. A administração dos territórios podia ser feita diretamente pelos países europeus, ou por via indireta, através de alianças com elites locais.

Consequências no século XX

O neocolonialismo europeu provocou uma série de conflitos nas sociedades que foram ocupadas, promovendo a exploração das populações locais e agressões a seus direitos básicos. Como consequência, surgiram vários movimentos pela independência dos territórios colonizados, alimentando lutas que se prolongaram por boa parte do século XX.

Ao mesmo tempo, as disputas entre as potências imperialistas europeias atravessou o século XIX e contribuiu, em última instância, para a Primeira Guerra Mundial em 1914.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2009)

A formação dos Estados foi certamente distinta na Europa, na América Latina, na África e na Ásia. Os Estados atuais, em especial na América Latina - onde as instituições das populações locais existentes à época da conquista ou foram eliminadas, como no caso do México e do Peru, ou eram frágeis, como no caso do Brasil -, são o resultado, em geral, da evolução do transplante de instituições europeias feito pelas metrópoles para suas colônias. Na África, as colônias tiveram fronteiras arbitrariamente traçadas, separando etnias, idiomas e tradições, que, mais tarde, sobreviveram ao processo de descolonização, dando razão para conflitos que, muitas vezes, têm sua verdadeira origem em disputas pela exploração de recursos naturais. Na Ásia, a colonização europeia se fez de forma mais indireta e encontrou sistemas políticos e administrativos mais sofisticados, aos quais se superpôs. Hoje, aquelas formas anteriores de organização, ou pelo menos seu espírito, sobrevivem nas organizações políticas do Estado asiático.

GUIMARÃES, S. P. Nação, nacionalismo, Estado. Estudos Avançados. São Paulo: EdUSP,
 v. 22, n.º 62, jan.- abr. 2008 (adaptado)

Relacionando as informações ao contexto histórico e geográfico por elas evocado, assinale a opção correta acerca do processo de formação socioeconômica dos continentes mencionados no texto.

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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