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Literatura

Quinhentismo

Laisa Ribeiro
Publicado por Laisa Ribeiro
Última atualização: 21/8/2018

Introdução

Você já assistiu aquele filme de ficção científica “Avatar”, de 2009? Se sim, você deve se lembrar que ele conta a história de seres humanos que viajaram até outro planeta e conheceram uma terra diferente, chamada Pandora.

Lá, eles conheceram seus moradores, os Na’vi, que possuíam aparência, linguagem e cultura bem diferentes em relação ao dos humanos.

Avatar pode ser considerada uma literatura de informação, uma das características marcantes da escola literária Quinhentismo, que foi a primeira manifestação literária presente em terras brasileiras e fala sobre o encontro de duas civilizações diferentes.

Literatura de informação

A literatura de informação é composta por textos em prosa que possuíam o objetivo de informar autoridades acerca de novas terras, dos povos que habitavam o local, seus costumes, e a natureza encontrada.

Eram, geralmente, cartas, relatos, diários ou tratados com forte teor descritivo, escritos por diversos tipos de autores, como religiosos, aventureiros, navegadores e historiadores. O que os une é a necessidade de descrever e relatar acerca de um novo local para pessoas que não o conheciam.

Sua função era descrever a terra, o povo nativo, a fauna e a flora. Além disso, eles tinham que identificar produtos que podiam ter interesse econômico para a Coroa, como o pau-brasil, que começou a ser explorado no Brasil Colônia.

Eles também apresentavam a terra como um lugar promissor para atrair mais colonizadores e manter a autoridade portuguesa sob o local.

O olhar do Quinhentismo ditou o que seriam símbolos da nacionalidade brasileira, como, por exemplo, o índio e a natureza magnífica brasileira.

Mais tarde, esses temas seriam amplamente utilizados no Romantismo de José de Alencar em obras como “Iracema” e “O Guarani”.

Américo Vespúcio

Um grande nome da literatura da informação é Américo Vespúcio. Ele tinha um emprego incrível: vivia em navios no oceano, viajando pelo Novo Mundo e sua função era escrever sobre os locais que encontrava.

Sabe aqueles perfis no Instagram especializados em mostrar viagens? Américo Vespúcio teria um desses, caso estivesse vivo. Como no século XV não havia internet, Vespúcio escrevia cartas, como a “Mundus Novus”. As primeiras imagens que os europeus tiveram da América foram dadas por esse autor. Um leitor de Vespúcio foi Leonardo da Vinci.

Os “descobrimentos” marítimos foram símbolos do início da Era Moderna. Portugal, por exemplo, foi um país com forte tradição nesse campo. Os portugueses foram os primeiros a chegarem no Brasil, na Índia, na China, no Japão e, segundo alguns estudiosos, na Austrália.

Os objetivos de suas expedições eram as seguintes: dominar o comércio das especiarias, colonizar e conquistar novas terras para a Coroa portuguesa e, como Portugal é um país de tradição católica, eles acreditavam que, nessas expedições, ao colonizar outros povos e impor o catolicismo, eles estariam salvando diversas almas.

Carta de Pero Vaz de Caminha

Em 1500, aqui no Brasil, algo parecido com o enredo de Avatar ocorreu: os portugueses viajaram e aportaram em um local conhecido como Porto Seguro.

Pero Vaz de Caminha, um escrivão português, era o encarregado de escrever acerca do país e informar o rei e a corte portuguesa sobre o que havia no Brasil.

A Carta de Pero Vaz de Caminha é uma das obras mais famosas do Quinhentismo e conta como foi o encontro entre os indígenas, que já habitavam o país, e os europeus.

No trecho a seguir, o escrivão descreve a aparência dos indígenas:

"Todos andam rapados até por cima das orelhas; assim mesmo de sobrancelhas e pestanas. Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas de tintura preta, que parece uma fita preta da largura de dois dedos."

As descrições feitas por essa literatura sempre mostravam o Novo Mundo como um lugar exótico e místico, sempre descrito pelos autores por meio de comparações para que o público leitor conseguisse imaginar.

Aqui, não temos o ponto de vista dos indígenas, logo, temos apenas a visão dos fatos dos portugueses e isso pode ser dúbio, afinal, para saber o que realmente ocorreu, é importante ouvir os dois lados.

Até mesmo o uso do termo “descobrimento do Brasil” é questionado pelos teóricos, uma vez que o país foi “descoberto” do ponto de vista europeu, mas ele já tinha sido descoberto pelo povo indígena que morava aqui há muito mais tempo.

A colonização trouxe a imposição dos costumes portugueses em detrimentos dos costumes dos povos que já estavam estabelecidos. Os indígenas já não podiam mais ter sua própria religião ou falar seu idioma. Ele teria que se converter à religião católica e falar português.

Esse tipo de imposição trouxe consequências sérias, com o genocídio de um povo e a extinção de diversas línguas indígenas.

Literatura de catequese

Além da literatura de informação, havia a literatura de catequese. Ela era feita pelos padres jesuítas portugueses que foram ao Brasil com o objetivo de catequizar os indígenas e manter a fé católica nos portugueses residentes em terras brasileiras.

A literatura de catequese era composta por peças teatrais e dramatizações de passagens bíblicas.

Padre José de Anchieta

O nome mais conhecido desse tipo de literatura foi o do padre José de Anchieta. Sua história por si só já dá um enredo de filme: ele chegou ao Brasil em 1533 e, durante uma rebelião feita pelo povo indígena, foi mantido como refém durante três meses.

Nesse período, ele escreveu um poema de 5.786 versos para a Virgem Maria na areia na praia.

Um filme que trata sobre um assunto parecido é “Hans Staden”, de 1999, que conta a história de um soldado alemão que foi capturado por uma tribo tupinambá que era inimiga de Portugal.

Além de seus poemas líricos feitos para adoração da santa, José de Anchieta escrevia peças teatrais. Ele foi o autor das primeiras peças encenadas no país e elas possuíam uma visão teocêntrica medieval, ou seja, Deus era o centro de tudo.

Sua peça mais conhecida é “Na festa de São Lourenço”, que possui três idiomas diferentes na mesma obra: português, espanhol e tupi.

José de Anchieta foi o primeiro escritor da gramática tupi. Muitas peças dessa época colocavam o idioma em seu conteúdo para aproximar os indígenas.

Todavia, é notável que havia uma intenção ideológica por trás disso. Por exemplo, na peça citada, as falas em português eram declamadas pelo personagem que representava o Anjo; já as falas em tupi eram ditas pelo personagem que fazia o Diabo.

GUAIXARÁ

Cala-te! Te guardarei!

Que a língua não te revele,

depois te libertarei.

SARAVAIA

Se não me viu, safarei.

Inda posso me esconder.

SÃO SEBASTIÃO

Cuidado que lançarei

o dardo em que o flecharei.

Referências culturais

Quer conhecer mais sobre esse período da história? Assista ao filme “Desmundo”, de 2003. Esse filme nacional conta a história de mulheres portuguesas que foram ao Brasil, enviadas pela rainha, para se casarem com os primeiros colonizadores.

Na próxima viagem que fizer a um lugar o qual você nunca tinha ido antes, experimente escrever em um caderno sua experiência.

Veja como você se coloca no discurso e como lida com a cultura de uma cidade ou país diferente. Compare suas impressões com as encontradas na literatura de informação. Além de um bom exercício de observação e de escrita, você estará estudando o Quinhentismo!


Exercícios

Exercício 1
(ENEM)

TEXTO I 

Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam. 

CASTRO, S. A carta de Pero Vaz de Caminha. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento).

TEXTO II

PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil. 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013. (Foto: Reprodução). Questão Enem

PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil. 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013. (Foto: Reprodução)

Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, shorts e tênis acenando

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