O relato do influenciador ajuda famílias a reconhecer sinais de fobia social em crianças e adolescentes e a entender quando buscar ajuda.
Em resumo:
A ansiedade social envolve medo intenso de julgamento e pode prejudicar amizades, participação nas aulas e frequência escolar;
Bullying não explica sozinho todos os casos, mas pode aumentar o sofrimento emocional e reforçar comportamentos de isolamento;
Família, escola e profissionais de saúde mental devem atuar em conjunto, sem minimizar os sintomas ou pressionar o estudante.
A ansiedade social ganhou espaço nas conversas após o influenciador Felca publicar um vídeo sobre o seu diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social, também chamado de fobia social.
No relato, o influenciador relaciona parte do sofrimento ao bullying que enfrentou durante a infância e a adolescência na escola.
Publicado em 20 de outubro, no Dia Mundial de Combate ao Bullying, o vídeo do Felca também abordou temas como isolamento, medo de interações e o uso prejudicial de álcool na vida adulta como forma de enfrentar situações sociais.
O vídeo trata-se de uma experiência individual, que não deve servir como diagnóstico para outras pessoas. Ainda assim, o depoimento levanta uma questão importante: como perceber quando a timidez ou o desconforto social de uma criança ou adolescente ultrapassam uma fase passageira?
A seguir, o artigo explica o que é fobia social, quais sinais podem aparecer na escola e como pais e responsáveis podem oferecer apoio.
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O que Felca contou no vídeo sobre fobia social e bullying?
Felca, nome artístico de Felipe Bressanim Pereira, relatou ter recebido o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Social (TAS). Segundo o influenciador, situações de bullying vividas durante o período escolar contribuíram para o medo de interações e para o isolamento.
De acordo com as reportagens do UOL e da CNN Brasil, o influenciador também descreveu sintomas físicos diante da exposição pública e contou que, já adulto, passou a recorrer ao álcool para participar de eventos e gravações.
O relato mostra que as consequências de humilhações repetidas podem acompanhar uma pessoa por muitos anos. Isso não significa, porém, que toda vítima de bullying desenvolverá fobia social ou que o transtorno tenha uma causa única.
Fatores biológicos, características individuais, experiências sociais e outros acontecimentos estressantes podem participar do desenvolvimento do quadro. Somente um profissional qualificado pode avaliar cada caso.
A fobia social é o nome pelo qual o Transtorno de Ansiedade Social também ficou conhecido. A condição provoca medo intenso e persistente de situações em que a pessoa acredita que poderá sofrer avaliação, rejeição, crítica ou humilhação.
Na escola, esse medo pode surgir ao apresentar um trabalho, responder a uma pergunta, comer perto dos colegas, conversar com professores, entrar em uma turma nova ou participar de atividades em grupo.
A ansiedade faz parte da vida e pode aparecer antes de uma prova, apresentação ou mudança de escola. O sinal de alerta surge quando o medo permanece, causa sofrimento desproporcional e interfere na rotina, nas amizades, na aprendizagem ou na frequência às aulas.
Situação
Como costuma aparecer
Impacto na rotina
Timidez
Reserva inicial diante de pessoas ou ambientes novos
Medo relacionado ao ambiente, desempenho ou separação da família
Pode gerar choro, queixas físicas e resistência para ir à escola
Transtorno de Ansiedade Social
Medo persistente de julgamento, exposição ou humilhação
Prejudica atividades escolares, vínculos e vida cotidiana
O diagnóstico considera a intensidade, a duração e os prejuízos causados pelos sintomas. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o medo costuma persistir por pelo menos seis meses e interferir de maneira relevante na vida da pessoa.
Quais são os sinais de ansiedade social em crianças e adolescentes?
Crianças nem sempre conseguem explicar que temem julgamentos. Em muitos casos, o sofrimento aparece por meio de mudanças de comportamento, sintomas físicos ou tentativas frequentes de evitar determinadas situações.
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Entre os principais sinais estão:
medo intenso de falar, ler ou apresentar trabalhos na frente da turma;
dificuldade para iniciar conversas ou fazer amizades;
recusa de festas, passeios, atividades esportivas ou trabalhos em grupo;
faltas frequentes ou resistência para entrar na escola;
voz muito baixa, rigidez corporal ou dificuldade de olhar para outras pessoas;
preocupação excessiva com a possibilidade de errar ou passar vergonha;
choro, irritação ou crises antes de situações sociais;
dor de barriga, náusea, dor de cabeça, tremores ou suor excessivo;
revisão constante de conversas, com culpa por algo dito ou feito;
queda no rendimento causada por faltas, medo de participar ou dificuldade de concentração.
A Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência destaca que o medo de conversar com pessoas, a necessidade de evitar situações sociais e manter poucas amizades fora da família podem indicar ansiedade social.
Um sinal isolado não confirma o transtorno. A família precisa observar a frequência, a intensidade, o contexto e as consequências para a vida escolar.
Qual é a relação entre bullying e ansiedade social?
A legislação brasileira define bullying como uma violência física ou psicológica intencional e repetitiva, marcada por desequilíbrio de poder.
Insultos, ameaças, exclusão deliberada, agressões e apelidos pejorativos estão entre as práticas previstas na Lei nº 13.185/2015.
Quando uma criança sofre ataques frequentes, pode começar a interpretar o convívio social como uma ameaça. O medo de novas humilhações pode levá-la a evitar colegas, apresentações, intervalos e até a própria escola.
Esse processo pode alimentar um ciclo:
A criança sofre rejeição, exposição ou agressão.
O medo de passar pela experiência novamente aumenta.
Ela evita situações sociais para sentir alívio imediato.
O afastamento social reduz oportunidades de criar vínculos seguros.
O medo se mantém ou se torna mais intenso.
O bullying funciona como um possível fator de risco, mas não autoriza uma conclusão automática sobre causa e efeito.
Algumas vítimas desenvolvem ansiedade, depressão ou outros problemas; outras apresentam reações diferentes. Cada estudante precisa de avaliação individual.
Como a família pode ajudar uma criança com ansiedade social?
O apoio familiar faz diferença quando a ansiedade começa a limitar a rotina, as amizades ou a participação escolar.
Com escuta, acolhimento e parceria com a escola, pais e responsáveis podem ajudar a criança a se sentir segura e buscar o acompanhamento adequado.
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Veja algumas dicas de como ajudar:
1 – Acolher sem minimizar o medo
Frases como “é só timidez”, “ninguém está olhando” ou “basta criar coragem” podem aumentar a culpa. A escuta precisa mostrar que o sofrimento foi levado a sério.
Perguntas abertas ajudam a conversa: “Qual parte do dia parece mais difícil?”, “O que acontece antes de a ansiedade aparecer?” e “Alguém fez algo que causou medo ou vergonha?”.
2 – Investigar o que acontece na escola
A família deve conversar com professores, orientação e coordenação para entender quando os sinais aparecem. Também pode perguntar sobre isolamento, conflitos, faltas, desempenho e participação em atividades coletivas.
Quando houver suspeita de bullying, vale registrar datas, mensagens, nomes de testemunhas e providências solicitadas. A escola tem o dever de adotar medidas de prevenção e combate à intimidação sistemática.
3 – Construir um plano de apoio com a escola
A solução não deve consistir apenas em obrigar o estudante a participar. Família e escola podem combinar estratégias graduais, como permitir uma apresentação inicial para um grupo menor ou indicar um adulto de referência para momentos de crise.
Essas adaptações não substituem o tratamento. Elas reduzem barreiras enquanto a criança desenvolve recursos para enfrentar as situações com segurança.
4 – Evitar exposição forçada
No vídeo, Felca relata uma iniciativa pessoal de aceitar experiências que costumava evitar. Para crianças e adolescentes, esse tipo de prática não deve virar um desafio improvisado.
A exposição gradual pode integrar tratamentos para ansiedade social, mas um profissional precisa planejar o ritmo e os objetivos. Forçar uma situação intensa pode ampliar o medo e prejudicar a confiança da criança nos adultos.
5 – Buscar avaliação profissional
Psicólogos, psiquiatras da infância e adolescência e pediatras podem investigar os sintomas e verificar se existem outras questões envolvidas. Dificuldades de aprendizagem, depressão, autismo, TDAH e experiências de violência, por exemplo, exigem avaliações específicas.
A psicoterapia, especialmente abordagens baseadas em terapia cognitivo-comportamental, costuma fazer parte do tratamento. Em alguns casos, o médico pode avaliar a necessidade de medicamentos.
A família não deve administrar ou interromper remédios sem orientação profissional.
Quando a ansiedade social exige ajuda imediata?
A avaliação profissional torna-se especialmente importante quando o estudante:
✔️ deixa de frequentar a escola ou apresenta muitas faltas;
✔️ abandona amizades e atividades de que gostava;
✔️ sofre crises intensas ou sintomas físicos frequentes;
✔️ tem queda significativa no rendimento;
✔️ apresenta alterações persistentes de sono ou alimentação;
✔️ usa álcool ou outras substâncias para enfrentar o medo;
✔️ fala sobre morte, desesperança, automutilação ou vontade de desaparecer.
Diante de risco de autoagressão ou suicídio, a criança ou o adolescente não deve ficar sozinho.
A família deve procurar uma UPA, pronto-socorro ou hospital, ou acionar o SAMU pelo 192. O CVV atende gratuitamente pelo 188 durante 24 horas, mas não substitui o atendimento de emergência.
Como encontrar uma escola acolhedora com bolsa de estudo?
O vídeo do Felca reforça que o ambiente escolar deixa marcas importantes. Por isso, a escolha de uma instituição não deve considerar apenas conteúdo, estrutura e desempenho acadêmico.
Políticas de combate ao bullying, diálogo com as famílias e atenção ao desenvolvimento socioemocional também precisam entrar na avaliação.
Antes de fechar a matrícula, os responsáveis podem perguntar como a escola recebe denúncias, acompanha conflitos, orienta professores e protege estudantes que demonstram sofrimento emocional.
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