
O que são heurísticas e como influenciam decisões negócios
Giovana Murça | 18/01/26Entenda o que são heurísticas, seus tipos e impactos na tomada de decisão em negócios e experiências digitais
Entenda o que são heurísticas, seus tipos e impactos na tomada de decisão em negócios e experiências digitais
Em resumo:
Com a mente bombardeada de informações por todos os lados em um ritmo acelerado, nem toda decisão passa por uma análise lógica e detalhada. Muitas vezes, o cérebro recorre às heurísticas, atalhos mentais que simplificam o processo de julgamento e resolução de problemas.
Conheça soluções de educação corporativa para alavancar sua carreira
Escolher rapidamente o prato mais conhecido em um cardápio extenso ou seguir uma rota habitual mesmo diante de novas alternativas são exemplos de como esses mecanismos operam no dia a dia.
Baseadas na experiência e na intuição, as heurísticas ajudam a agir com agilidade em situações incertas ou sobrecarregadas de informações. No entanto, elas também podem induzir a erros, como julgamentos precipitados ou vieses cognitivos.

Neste texto, entenda o conceito de heurísticas, os tipos mais comuns e como sua aplicação vai além da psicologia, alcançando decisões estratégicas, design de produtos, marketing e gestão de negócios.
A palavra “heurística” vem do grego heuriskein, que significa “descobrir” ou “encontrar” — a mesma raiz da famosa expressão “eureka”. Trata-se de uma estratégia mental usada para simplificar decisões e resolver problemas de forma rápida.
O conceito ganhou força a partir da década de 1950 com os estudos do economista Herbert Simon. Ele questionou a visão dominante da época, que descrevia o ser humano como um tomador de decisões puramente racional, conhecido como homo economicus.
Para Simon, as pessoas agem com base em uma racionalidade limitada — ou seja, tomam decisões com as informações que têm, no tempo disponível e dentro de suas capacidades mentais.
Nesse contexto, as heurísticas surgem como atalhos mentais que ajudam a encontrar soluções rápidas e satisfatórias, sem exigir uma análise completa de todas as opções.

A partir dos anos 1970, os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky tornaram o tema mais conhecido ao estudar como as pessoas usam essas estratégias intuitivas para julgar situações e tomar decisões sob incerteza.
Na obra “Judgment Under Uncertainty” (Julgamento sob Incerteza), eles demonstraram que, embora úteis, as heurísticas também podem levar a erros sistemáticos — os chamados vieses cognitivos.
Hoje, os estudos sobre heurísticas vão além da psicologia e alcançam áreas como negócios, marketing, comportamento do consumidor, análise de risco e design de produtos — com foco em entender como as decisões são tomadas na prática.
Existem diversas heurísticas que influenciam o modo como decisões são tomadas no cotidiano. A seguir, confira os principais tipos de heurísticas descritos por Daniel Kahneman e Amos Tversky.
A heurística da representatividade leva ao julgamento com base em quão semelhante algo parece ser a um modelo ou estereótipo mental. Em vez de considerar probabilidades reais ou dados objetivos, a mente tende a avaliar situações por padrões reconhecíveis.
Por exemplo, um recrutador pode presumir que um candidato é competente apenas porque tem boa aparência ou formação em uma universidade prestigiada, ignorando outras variáveis importantes.
Esse tipo de julgamento foi descrito por Kahneman e Tversky como uma das principais fontes de erro sistemático, pois negligencia informações estatísticas em favor da aparência ou similaridade superficial.
Neste tipo de heurística, o cérebro se baseia na facilidade com que algo vem à mente para julgar sua frequência ou importância. Quanto mais vívida ou recente for a lembrança, maior será sua influência na decisão, mesmo que não represente a realidade.
É o que acontece quando, após ver uma notícia sobre um acidente aéreo, uma pessoa superestima os riscos de voar, mesmo que estatisticamente seja muito mais seguro do que dirigir.
Os pioneiros Kahneman e Tversky realizaram vários experimentos sobre essa heurística, demonstrando como experiências marcantes ou amplamente divulgadas moldam percepções distorcidas.
A heurística da ancoragem ocorre quando uma informação inicial — a “âncora” — influencia de forma desproporcional os julgamentos seguintes, mesmo que seja irrelevante.
Essa tendência é muito estudada pela economia comportamental, pois influencia decisões econômicas. Em uma negociação, por exemplo, o primeiro valor apresentado tende a orientar as propostas seguintes. Se um produto é anunciado com preço alto, descontos parecerão mais vantajosos, mesmo que o preço final ainda esteja acima da média.
Além das mais estudadas, há outras heurísticas que afetam o comportamento de forma sutil e cotidiana:
Confira: Finanças comportamentais: o impacto das emoções nas decisões financeiras
+ Saiba o que é o efeito halo, o viés que distorce decisões nas empresas
Os atalhos mentais da heurística são úteis para tomar decisões de forma mais rápida e eficiente. No entanto, ao tentar economizar energia e tempo, o cérebro pode assumir padrões ou atalhos que nem sempre refletem a realidade.
Daí surgem os chamados vieses cognitivos: tendências sistemáticas de erro no julgamento humano, causadas pelo uso inconsciente de regras mentais simplificadas.
Esses vieses podem afetar tanto decisões individuais quanto estratégias organizacionais, influenciando desde escolhas de consumo até decisões de investimento.
Exemplos práticos disso não faltam:
No ambiente de negócios, esse tipo de distorção nos julgamentos compromete a racionalidade das decisões, reforça estereótipos, limita a inovação e pode impactar até nos resultados financeiros.
O uso de heurísticas está diretamente ligado ao modo como o cérebro processa informações e toma decisões. Segundo o psicólogo Daniel Kahneman, autor de “Thinking, Fast and Slow”, a mente opera por meio de dois sistemas complementares: o Sistema 1, rápido e automático, e o Sistema 2, mais lento e analítico.
O Sistema 1 toma decisões rápidas e automáticas, baseadas em intuição, experiências passadas e emoções — é onde as heurísticas atuam com mais força. Já o Sistema 2 é mais lento e analítico, exigindo esforço mental, e só é ativado quando a situação demanda maior reflexão.
Essa preferência pelo Sistema 1 revela um princípio chamado eficiência cognitiva: o cérebro busca economizar recursos sempre que possível. Por isso, adota atalhos mentais como forma de lidar com a enorme quantidade de informações e decisões exigidas no dia a dia.
Na prática, essa dinâmica permite resolver tarefas com rapidez. Por outro lado, também pode levar a julgamentos influenciados por emoções ou informações incompletas. As heurísticas tornam o processo decisório mais ágil, mas nem sempre mais preciso.
Veja: Persuasão: como influenciar negócios com ética e estratégia
+ Ferramentas para gestão financeira: como escolher softwares, automação e relatórios
Do pensamento às telas, as heurísticas também marcam presença no design digital. Elas servem de base para a criação de interfaces mais intuitivas, eficientes e centradas nas necessidades reais do usuário.
Um dos principais nomes nessa área é o especialista Jakob Nielsen, cofundador do Nielsen Norman Group (NN/g), que consolidou um conjunto de diretrizes práticas aplicadas em testes heurísticos — técnica usada para avaliar a experiência de uso de sistemas, sites e aplicativos.

Ao usar esses atalhos de forma consciente, designers conseguem identificar problemas de usabilidade e propor soluções com maior agilidade. Quando bem aplicadas, as heurísticas contribuem para produtos mais acessíveis, fluxos mais fluídos e interações mais naturais, o que melhora a retenção, a conversão e a satisfação do usuário final.
As Heurísticas de Nielsen são 10 regras gerais de usabilidade criadas por Jakob Nielsen e Rolf Molich no início dos anos 1990. Elas servem como guia para avaliar se uma interface oferece uma experiência clara, eficiente e sem fricções.
Esses princípios são muito usados por profissionais de UX e produto como base para testes de usabilidade. Não se trata de regras rígidas, mas de boas práticas que ajudam a prever e corrigir falhas comuns na interação entre pessoas e sistemas digitais.
Abaixo, saiba quais são as 10 heurísticas de usabilidade propostas por Nielsen:
Entender como as heurísticas operam é importante — mas saber quando confiar nelas e quando questioná-las é ainda mais essencial. A chave está em desenvolver uma consciência crítica sobre os próprios padrões mentais e os contextos em que esses atalhos são acionados.
Decisões rápidas podem ser influenciadas por vieses invisíveis — mas nem sempre. Para o psicólogo Gerd Gigerenzer, em “Simple Heuristics That Make Us Smart”, existem situações em que heurísticas simples são mais eficazes do que análises complexas, especialmente em ambientes conhecidos e com informações limitadas. É o que ele chama de heurísticas ecológicas.
Nos negócios, isso significa reconhecer quando confiar na intuição — fruto de experiência real — e quando recorrer a métodos mais analíticos para evitar decisões impulsivas. Líderes que dominam essa distinção tendem a tomar decisões mais estratégicas, adaptáveis e conscientes.
Veja algumas práticas que ajudam a refinar essa consciência:
Quando aplicadas com critério e consciência, as heurísticas são ferramentas poderosas para impulsionar decisões rápidas sem comprometer a qualidade.
Leia mais: 7 tipos de treinamento para desenvolver equipes
+ Learning agility: como desenvolver a capacidade de aprender rápido
Se você busca desenvolver suas habilidades e alavancar sua carreira, a Allevo for Business oferece soluções de educação corporativa com preços acessíveis, com foco no crescimento de profissionais e empresas.
Aproveite a oportunidade de se capacitar com descontos exclusivos e descubra cursos e MBAs que podem transformar o seu futuro profissional. Acesse o botão abaixo e explore as opções disponíveis para você e sua empresa:
Se interessou em saber mais sobre as soluções de educação corporativa que a plataforma oferece para profissionais e empresas? Confira os detalhes sobre como funciona a Allevo: