Filme pode ser usado como repertório no Enem?
Sim. O próprio Inep já reforçou que repertório sociocultural não precisa vir apenas de filósofos clássicos ou frases famosas.
Filmes, séries, músicas, livros e acontecimentos históricos podem ser utilizados, desde que tenham relação direta com o tema proposto e contribuam para a argumentação.
O próprio Inep reconhece que repertórios válidos podem surgir de diferentes fontes culturais e até de experiências de mundo. Ou seja, um filme pode funcionar muito melhor na redação do que uma citação decorada, desde que ele seja realmente analisado e conectado ao debate proposto.
“Na cartilha mais recente da redação, o Inep chamou atenção para os chamados ‘repertórios de bolso’, que são referências genéricas usadas de maneira automática e superficial apenas para dar aparência de profundidade ao texto. Segundo a banca, quando o repertório parece forçado ou desconectado do tema, ele pode até prejudicar a nota da Competência II”, alerta Victor Matheus dos Santos.
Ou seja, não basta citar o nome da obra: é necessário explicar o que ela revela sobre a sociedade.
Como usar O Diabo Veste Prada na redação do Enem?
Com a estreia de O Diabo Veste Prada 2, o clássico volta aos holofotes e também pode ajudar estudantes na preparação para o Enem.
“O Diabo Veste Prada traz discussões que vão muito além do universo da moda e podem dialogar com diferentes debates sociais já explorados pelo Enem nos últimos anos”, aponta o professor de Redação do Colégio Oficina do Estudante.
Entre os assuntos que podem aparecer na redação abordados pelo filme destacam-se a pressão no trabalho, a saúde mental, a liderança feminina e os padrões estéticos.
Veja abaixo algumas possibilidades de citar o longa na redação do Enem, de acordo com o especialista:
1. Pressão no ambiente de trabalho
Um dos temas centrais do filme é a cultura da alta performance. A rotina exigente vivida por Andy Sachs mostra como ambientes profissionais competitivos podem naturalizar jornadas intensas, cobranças excessivas, desgaste emocional e perda de qualidade de vida.
Dessa forma, esse repertório pode ser útil em temas sobre saúde mental, trabalho e produtividade.
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2. Saúde mental e esgotamento
Ao tentar corresponder às expectativas do emprego, a protagonista muda hábitos, rompe relações pessoais e vive sob pressão constante.
A partir disso, a narrativa permite discutir burnout, ansiedade profissional, equilíbrio entre vida pessoal e carreira e impactos psicológicos da competitividade.
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3. Mulheres em posições de liderança
Miranda Priestly representa uma mulher poderosa em um espaço marcado por disputa e cobrança. A personagem pode ser usada para debater liderança feminina, desigualdade de gênero, estereótipos sobre mulheres no poder e dupla cobrança enfrentada por mulheres em cargos altos.
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4. Padrões estéticos e pressão social
O universo da moda apresentado no filme evidencia como aparência e consumo influenciam oportunidades e aceitação social. Esse ponto pode ser relacionado a temas como imposição de padrões de beleza, autoestima, consumismo e influência da imagem nas relações sociais.
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5. Construção da identidade individual
Ao longo da trama, Andy passa por conflitos entre sucesso profissional e fidelidade aos próprios valores. Esse debate ajuda em propostas sobre identidade pessoal, escolhas profissionais, autonomia individual e pressão social para se encaixar.
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