Índice
Introdução
Como é de conhecimento geral, os verbos são utilizados para indicar ações ou estados.
Para que essa indicação ocorra de forma clara, é necessário que compreendamos qual é o sentido da ação do verbo, isto é, qual é o sujeito da ação verbal e a quem essa ação atinge. Essa é uma das atribuições das vozes verbais.
No português, as vozes verbais podem ser de três tipos:
- voz ativa;
- voz passiva;
- voz reflexiva.
De forma resumida, além das diferenças em sua estrutura, pode-se dizer que elas indicam movimentos verbais diferentes. Em resumo, funciona assim:
- Na voz ativa, a ação verbal expressa é realizada pelo sujeito da oração.
- Na voz passiva, o sujeito da oração é o alvo da ação expressa pelo verbo, ou seja, ele a recebe.
- Na voz reflexiva, o sujeito da oração é, ao mesmo tempo, agente e alvo da ação indicada.
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Principais conclusões
- Vozes verbais indicam o sentido da ação do verbo, mostrando quem a realiza e quem a recebe; no português há três tipos: voz ativa (sujeito agente), voz passiva (sujeito paciente) e voz reflexiva (mesmo agente e paciente).
- Na voz ativa o sujeito é agente que realiza a ação dirigida a um objeto; na voz passiva o sujeito é paciente que recebe a ação, formada de modo analítico (auxiliar + particípio) ou sintético (pronome apassivador "se"); na reflexiva o sujeito age sobre si.
- As vozes verbais organizam a estrutura sintática das orações e refletem movimentos da ação; em outras línguas, como o inglês, existe passive voice com lógica equivalente, evidenciando caráter comparável na marcação de agente e paciente.
- Foco ENEM: evite confundir sujeito agente e paciente ao transformar orações; identifique objeto direto, reconheça "se" apassivador e diferencie voz passiva analítica (foi escrita) da sintética (prenderam-se), tema recorrente em questões de interpretação.
- Dominar vozes verbais ajuda a reescrever frases com clareza, atribuir responsabilidade em textos e traduzir estruturas passivas entre português e inglês; habilidade útil para redação, compreensão crítica e análise sintática.
Voz ativa
A voz ativa é aquela em que o verbo se refere ao agente da ação por ele expressa, que funciona como sujeito da oração.
Nesse caso, temos, portanto, um sujeito agente, que realiza uma ação que, por sua vez, dirige-se a outro termo da oração, que é chamado de paciente – representado geralmente por um objeto direto. Leia alguns exemplos de orações em que a voz ativa aparece:
Eu escrevo a carta.
Perceba que a forma verbal escrevo está conjugada na 1ª pessoa do singular, referindo-se ao sujeito da oração, “eu”, que é, também, o agente da ação expressa pelo verbo. Essa ação, por sua vez, tem como alvo o objeto direto “a carta”.
A secretaria enviou os documentos pelo malote.
Nesse caso, o sujeito da oração é, também, responsável por efetuar a ação por ele expressa. Essa ação se realiza em direção ao objeto direto “os documentos”.
Voz passiva
Em oposição à voz ativa, a voz passiva é aquela em que o sujeito da oração não é responsável por efetuar a ação verbal expressa.
Nesse tipo de construção, o sujeito recebe a ação verbal e, por esse motivo, é chamado de sujeito paciente.
A construção da voz passiva pode ser feita de duas maneiras, chamadas de voz passiva analítica e voz passiva sintética (ou pronominal).
Fique atento porque, em inglês, também existe a passive voice. Ela segue a mesma lógica da voz passiva em português, com um sujeito recebendo a ação.
Voz passiva analítica
A voz passiva analítica é construída a partir de um verbo auxiliar que é seguido do particípio do verbo central.
Além disso, pode apresentar, também, o agente da passiva, isto é, o termo que indica quem é o praticante da ação expressa pelo verbo e que vem introduzido por preposição, como no exemplo:
A carta foi escrita por mim.
O sujeito da oração, “a carta”, é o alvo da ação expressa pelo verbo, caracterizando-se, portanto, como sujeito paciente. O termo “por mim” é agente da passiva, pois indica quem realizou a ação em questão.
Voz passiva sintética (ou pronominal)
A voz passiva sintética também pode ser chamada de pronominal porque, em sua construção, utiliza-se do pronome apassivador “se” juntamente com o verbo, como exemplificado a seguir:
Prenderam-se os ladrões.
Perceba que a ação de prender tem como alvo o objeto direto “os ladrões”. Note também que não é possível identificar com precisão quem é o agente responsável pela ação verbal expressa.
Voz reflexiva
Na voz reflexiva, a ação verbal é praticada pelo sujeito da oração, que também é alvo dos efeitos dessa ação.
Assim, a ação apresenta um movimento de reflexo: ela parte do mesmo ponto ao qual se dirige, justificando a nomenclatura utilizada.
Os noivos beijaram-se.
No exemplo acima, é importante notar que a ação verbal é realizada pelo mesmo agente que a recebe, o que caracteriza a voz reflexiva.