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Sociologia

Movimento Negro

Natália Cruz
Publicado por Natália Cruz
Última atualização: 9/2/2020

Introdução

O movimento negro pode ser definido como as diferentes organizações de negros, criadas ao redor do mundo, que buscam de maneira pacífica ou violenta, direitos civis, muitas vezes básicos e negados a população negra. 

Os direitos demandados pelos negros, não só aqueles ligados aos movimentos, são diversos e abrangem as áreas da política, saúde, segurança, educação, entre tantos outros.

As demandas dos movimentos negros dependem, em grande parte também, do país onde os movimentos foram criados. De maneira geral, as demandas da população negra estão ligadas com a diminuição da violência, o fim do racismo e a inserção do maior número de negros em universidades e empregos públicos a partir de políticas de reparação, como a política de cotas raciais.

Nas últimas décadas, o movimento negro tornou-se cada vez mais plural e heterogêneo e reúne pautas que vão além das relacionadas ao combate ao racismo. Os movimentos negros passaram a incluir também as questões ligadas a tolerância religiosa, feminismo e direitos LGBT para a população negra.

Movimento Negro no Brasil

movimento negro no Brasil, assim como ao redor do mundo, corresponde a uma série de organizações de tamanhos diferentes que lutam contra o racismo, por inclusão e por direitos civis. E mais atualmente, incluíram em suas pautas a luta de liberdade religiosa, as lutas feministas e LGBT.

As primeiras organizações de negros no Brasil datam do período colonial, momento em que os negros viviam sob o regime da escravidão. Para escapar das terríveis condições a que eram submetidos os negros fugiam e organizavam-se em quilombos, que podem ser encarados como os primeiros movimentos negros, ligados principalmente, a resistência à escravidão.

Após a abolição da escravidão, em 1889 a população negra não foi efetivamente inserida na sociedade, os negros recém libertos sofreram com o preconceito do restante da população e não conseguiram empregos ou matricular suas crianças nas escolas. 

A população negra ficou à margem da sociedade pós escravidão e como alternativa para sobreviver, passou a trabalhar em empregos muitas vezes inferiores, recebendo menores salários e morando nas periferias da cidade. Nesse contexto, uma série de grupos também se reuniu para lutar pelos direitos básicos e melhores condições de vida para a população recém liberta.

No decorrer da década de 1960, o movimento negro brasileiro é influenciado pelo pastor estadunidense Martin Luther King que defendia a inserção do negro na sociedade de maneira pacífica. Nessa mesma época, também nos Estados Unidos, Malcolm X e os Pantera Negras defendiam que a inserção do negro na sociedade estadunidense deveria acontecer de maneira violenta. 

Martin Luther King

No ano de 1978, o movimento negro brasileiro ganha as ruas e deixa de ser restrito aos membros participantes. O Movimento Negro contra a Discriminação Racial, fundado em 1978, torna-se um marco para outras organizações pois reuniria todos os movimentos criados a partir daí em uma grande pauta: o combate à discriminação.

As lutas da década anterior intensificam-se na década de 1980. Com o fim da ditadura, os movimentos negros ganham força e começam a pressionar para maior participação política. No estado de São Paulo, o então governador Franco Montoro, criou em 1984 o Conselho de Participação da Comunidade Negra. Em 1986, o Movimento Negro Unificado durante a Conferência Nacional do Negro realizada em Brasília dá os primeiros passos para que os preconceitos racial e étnicos tornem-se crimes.

Em 1989, é promulgada a lei  7.716/1989 que determina que discriminação racial e étnica são crimes. Em 2003 é criada a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, a SEPIR, que tem como objetivo promover a inclusão social da população negra. Ainda em 2003, é promulgada a lei 10.639 que determina obrigatoriedade do ensino de história africana

Em 2006  foi criada a  Lei de cotas, sancionada em 2012 que garante um número de vagas reservadas para negros em universidades públicas e concursos públicos.

Embora o movimento tenha agido ao longo dos anos para promover mudanças  nas condições de vida da população negra, os negros ainda são vítimas de preconceito social e racial, ainda sofrem preconceito e ainda lutam diariamente contra o preconceito, por isso, a luta dos movimentos negros é constante e de total importância para tentar alterar as estruturas racistas da sociedade brasileira.


Exercícios

Exercício 1
(ENEM/2016)

A demanda da comunidade afro-brasileira por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, no que diz respeito à educação, passou a ser particularmente apoiada com a promulgação da Lei 10.639/2003, que alterou a Lei 9.394/1996, estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas. (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Etnicorraciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Brasília: Ministério da Educação, 2005.)

A alteração legal no Brasil contemporâneo descrita no texto é resultado do processo de

Ilustração: Rapaz corpulento de camiseta, short e tênis acenando

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