Mercado e InovaçãoNegócios e Empreendedorismo

42% das empresas abandonaram iniciativas de IA em 2025. O problema não era a inteligência artificial

Entenda por que 42% das empresas abandonaram iniciativas de IA em 2025 e como o redesenho de processos, mais do que a tecnologia, explica o sucesso ou o fracasso dos projetos.



Em resumo:

  • 42% das empresas interromperam projetos de IA em 2025, mas o principal problema não foi a tecnologia.
  • Organizações que obtêm resultados redesenham processos antes de implementar IA, segundo dados da McKinsey.
  • O sucesso da IA depende de objetivos de negócio claros, governança e transformação organizacional.

Veja mais informações a seguir!

Clique aqui para acessar gratuitamente podcast, newsletter e materiais para download do Mario Trentim

Acervo Pessoal

O avanço da inteligência artificial (IA) levou empresas de diferentes setores a acelerar investimentos nos últimos anos. No entanto, os resultados ficaram abaixo das expectativas para boa parte do mercado.

Em 2025, 42% das empresas abandonaram a maior parte das iniciativas de IA que estavam em andamento. Em 2024, esse percentual era de 17%. Em apenas um ano, a taxa de abandono mais que dobrou.

Os dados da 451 Research/S&P Global revelam um cenário que merece atenção. Muitas organizações encerraram projetos de IA não porque a tecnologia deixou de evoluir, mas porque os resultados esperados não apareceram.

Teste vocacional

Qual carreira combina com o seu perfil?

Responda as perguntas e descubra o curso certo e as bolsas ideais para você!

É comum atribuir esse desempenho a fatores como limitações dos modelos, custos elevados de infraestrutura, qualidade dos dados ou incertezas regulatórias. Todos esses elementos influenciam os projetos.

Ainda assim, eles não parecem ser a principal razão para o insucesso.

Leia também: 99% dos grandes projetos falham: o que um gerente pode fazer a respeito?

O que diferencia as empresas que geram resultados com IA

O relatório State of AI 2025, da McKinsey, oferece uma perspectiva importante sobre esse cenário.

Segundo o levantamento, 88% das organizações já utilizam IA regularmente em pelo menos uma função de negócio.

Entretanto, apenas 6% são classificadas como high performers, grupo formado por empresas que conseguem gerar impacto financeiro consistente e mensurável.

A diferença entre esses dois grupos não está apenas na tecnologia adotada.

As organizações com melhor desempenho dedicam mais tempo ao redesenho dos processos de trabalho antes da implementação da IA.

Em vez de simplesmente incorporar novas ferramentas, elas revisam fluxos, responsabilidades, indicadores e formas de tomada de decisão.

Já grande parte das empresas segue o caminho inverso: adiciona IA a processos que já apresentavam falhas e espera que a tecnologia resolva problemas estruturais.

+ O que muda para gestores de projetos com a IA? Especialista explica impactos na carreira

IA não corrige processos mal definidos

Existe um princípio conhecido na gestão que continua atual mesmo diante da inteligência artificial: automatizar um processo ineficiente apenas amplia sua ineficiência.

A IA é capaz de executar tarefas com velocidade, escala e consistência. Porém, essas características potencializam tanto processos bem estruturados quanto processos desorganizados.

Imagine um sistema de IA responsável por consolidar relatórios financeiros. A tecnologia pode executar essa tarefa em poucos minutos.

No entanto, se os dados de origem são inconsistentes, os indicadores não possuem responsáveis definidos e o processo de coleta apresenta falhas, a IA apenas produzirá resultados incorretos com mais rapidez.

O ganho operacional não elimina problemas de gestão.

+ Quanto ganha um gerente de projetos no Brasil em 2026?

++ Mário Trentim: como o especialista desenvolveu um framework para aproximar estratégia e execução nas organizações

O erro mais frequente nos projetos de inteligência artificial

Ao longo de projetos de transformação organizacional, um padrão costuma se repetir.

Muitas empresas iniciam a discussão perguntando:

“Como podemos usar inteligência artificial?”

Essa costuma ser a pergunta errada.

A questão mais relevante é:

“Qual problema de negócio precisa ser resolvido e de que forma a IA pode contribuir para isso?”

Quando essa sequência é invertida, surgem iniciativas tecnicamente interessantes, mas pouco conectadas aos objetivos estratégicos da organização.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • chatbots implementados sem resolver gargalos do atendimento;
  • dashboards sofisticados que não apoiam decisões relevantes;
  • automação de documentos sem impacto nos principais indicadores do negócio.

Após alguns meses, torna-se evidente que o projeto não entregou valor suficiente.

A iniciativa é interrompida, enquanto os processos que originaram o problema permanecem praticamente inalterados.

+ O problema do mercado de gestão no Brasil — e o repositório que está tentando corrigi-lo

O “Trough of Disillusionment” explica parte desse movimento

Em 2025, o Gartner posicionou a IA generativa no chamado Trough of Disillusionment, etapa do ciclo de adoção em que o entusiasmo inicial dá lugar a expectativas mais realistas.

Os números ajudam a compreender esse momento.

  • O investimento médio em IA generativa chegou a US$ 1,9 milhão por empresa.
  • Menos de um terço dos CEOs declarou estar satisfeito com os resultados obtidos.

Esse cenário não indica que a tecnologia fracassou.

Ele demonstra que soluções transformadoras exigem mudanças igualmente profundas na forma como as organizações operam.

O mesmo movimento já ocorreu anteriormente com a internet, os sistemas ERP e a transformação digital baseada em dispositivos móveis.

A IA segue um caminho semelhante.

+ Mario Trentim lança livro sobre gestão de projetos com inteligência artificial

++ PMP vale a pena em 2026? Os números que respondem

O foco deve ser a transformação do negócio

As empresas que conseguem extrair valor consistente da inteligência artificial compartilham uma característica em comum: tratam a IA como parte de uma estratégia de transformação organizacional, e não apenas como aquisição de uma nova ferramenta.

Essa abordagem altera diversos aspectos da implementação.

Entre eles:

  • a liderança deixa de ser exclusivamente da área de TI;
  • os indicadores de sucesso passam a medir resultados de negócio;
  • o redesenho dos processos ocorre antes da escolha da tecnologia;
  • a adoção pelas equipes torna-se parte da estratégia desde o início.

Nesse contexto, a inteligência artificial deixa de ser o centro da iniciativa e passa a ser um instrumento para alcançar objetivos organizacionais.

+ PMO Day conecta estratégia, inteligência artificial e entrega de valor na prática

A pergunta que antecede qualquer projeto de IA

Antes de iniciar um novo investimento em inteligência artificial, vale responder uma pergunta simples:

Qual problema de negócio específico, mensurável e prioritário esta iniciativa pretende resolver?

Se essa resposta não estiver claramente definida, existe uma chance significativa de que o projeto enfrente as mesmas dificuldades observadas nas organizações que interromperam suas iniciativas em 2025.

A experiência recente indica que, na maior parte dos casos, o obstáculo não está na inteligência artificial. Está na ausência de processos preparados para gerar valor com ela.

Quem a IA vai substituir primeiro não é o operacional. É o coordenador


Acervo Pessoal

Mario H. Trentim é membro do Board of Directors do PMI, reitor da Allevo Tech/Qeevo Group, doutorando pelo ITA, autor de 13 livros sobre gestão e execução estratégica e atua como conselheiro em organizações em transformação.

Clique aqui para acessar gratuitamente podcast, newsletter e materiais para download do Mario Trentim

Logo do Querobolsa

Gostando da matéria?

Inscreva-se e receba nossos principais posts no seu e-mail

Banner FOQA Últimas Notícias

Revista Vídeos

As profissões mais bem pagas em 2026

Postado em 31/03/2026

Como estudar pro ENEM 2026 do ZERO

Postado em 23/04/2026


Pronto para estudar pagando menos?

Bolsas de até 80% de desconto em milhares de faculdades por todo o Brasil.
Encontrar minha bolsa