Redação do ChatGPT sobre o tema do Enem 2024: “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”
A valorização da herança africana no Brasil enfrenta desafios enraizados no passado escravista e no racismo estrutural. Apesar de uma ampla população afrodescendente, essa influência cultural é marginalizada em várias áreas. O sociólogo Florestan Fernandes destacou que a ausência de políticas inclusivas acentuou desigualdades raciais, uma realidade que dificulta a plena valorização da herança africana e sua integração na sociedade brasileira.
Um dos principais entraves para essa valorização é a falta de conhecimento sobre a própria história nacional. A abolição formal da escravidão em 1888 não trouxe políticas de inclusão social para a população negra, mantendo muitos afrodescendentes à margem da sociedade. A educação básica, historicamente, não abordou de maneira adequada a contribuição afrodescendente, perpetuando a ignorância coletiva. A Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história afro-brasileira, é um avanço, mas ainda enfrenta resistência para ser plenamente implementada.
O racismo estrutural também atravessa as relações sociais e institucionais, limitando uma valorização genuína da cultura afro-brasileira. A cultura africana é muitas vezes exaltada em eventos como o carnaval, mas, no cotidiano, afrodescendentes ainda enfrentam preconceito e discriminação. Dados do IBGE revelam que a população negra constitui a maior parcela dos indivíduos em situação de pobreza, ilustrando como o racismo institucional impede o acesso igualitário a oportunidades e o reconhecimento de identidades culturais.
Para superar esses desafios, é essencial implementar políticas públicas efetivas que promovam a educação antirracista, além de programas contínuos de formação de professores para abordar essas questões de forma contextualizada. É igualmente importante que o Estado e a sociedade civil criem campanhas culturais de valorização da herança africana e promovam ações afirmativas em empresas, garantindo maior inclusão de afro-brasileiros em espaços de poder. Esses esforços, pautados nos direitos humanos, podem contribuir para uma sociedade que respeite e valorize as raízes africanas como parte integrante de sua identidade.
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Avaliação da redação do ChatGPT
Na visão da auxiliar pedagógica da plataforma Redação Nota 1000, Giovanna Danti, a redação feita pelo ChatGPT se mostrou adequada aos parâmetros do Enem, com uma nota mediana para quem quer e precisa conquistar uma maior pontuação na prova.
“No entanto, é fato que a ferramenta é capaz de elaborar uma redação de mesmo nível que um humano escreveria (ou até melhor) e, por isso, vem sendo tão cobiçada pelos alunos e não tão bem-quista pelos professores”, afirma.
Para a professora e coordenadora do Curso Anglo, Daniela Toffoli, a IA cometeu vários deslizes, principalmente no que diz respeito à argumentação, coesão e coerência textual. Confira abaixo a avaliação das especialistas:
C1 (Domínio da língua portuguesa formal, avaliado por regras de ortografia, como concordância, pontuação, pronomes e crase) – 200 pontos
Justificativa: para ambas as corretores, não conteve nenhum desvio gramatical (ortografia, acentuação, concordância, pontuação, etc) e apresentou boa estrutura sintática, sem justaposições, truncamentos ou ausência/excesso de elementos.
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C2 (Compreensão da proposta de redação, aplicação de conceitos e domínio do texto dissertativo-argumentativo) – 200 pontos
Justificativa: na visão de Giovanna, houve uma abordagem completa do tema já na primeira linha, assim como seguir corretamente a estrutura dissertativa-argumentativa, de modo que nenhuma dessas partes foi embrionária (menos de 3 linhas). O ChatGPT trouxe vários repertórios válidos, legitimados e usados de maneira produtiva, como sociólogo Florestan Fernandes, a abolição da escravatura em 1888 e a Lei 10.639/03, o que garantiu a nota máxima nessa competência.
Já na avaliação da coordenadora Daniela, essa competência deve receber 160 pontos, uma vez que houve atendimento ao gênero e ao tema, além do uso de repertório legitimado e pertinente, no entanto, há algumas falhas na contextualização do assunto.
C3 (Seleção, organização e interpretação de fatos e argumentos para defender um ponto de vista) – 120 pontos
Justificativa: os argumentos não foram antecipados na introdução, portanto houve uma falha no projeto de texto, explica Giovanna. Somado a isso, as informações não foram suficientemente desenvolvidas, deixando lacunas ao leitor. Por exemplo, de que forma os afrodescendentes ficaram à margem da sociedade e como/por que o preconceito e a discriminação ainda estão presentes.
Na visão da Daniela, a competência deve receber 160 pontos, pois, apesar de ter sido bem trabalhado, houve várias “lacunas argumentativas”, como o fato do primeiro argumento não ser sido apresentado na introdução e ausência de relação explícita entre os argumentos descritos.
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C4 (Demonstração de conhecimento dos mecanismos linguísticos para a construção da argumentação, avaliando a coesão textual) – 80 pontos
Justificativa: embora o texto não tenha apresentado inadequações ou repetições de palavras, a presença pontual de elementos coesivos entre períodos e parágrafos prejudicou a fluidez textual, explica a auxiliar pedagógica.
Na avaliação da coordenadora, essa competência recebeu 120 pontos, devido ao descumprimento do número mínimo de operadores argumentativos dentro e entre os parágrafos.
C5 (Elaboração de uma proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos) – 160 pontos
Justificativa: também neste caso específico, a redação por ChatGPT trouxe mais elementos do que o usual, faltando mencionar apenas o modo/meio da proposta de intervenção. Isto é, identificamos o agente, a ação, o efeito e o detalhamento
Na avaliação de Daniela, a proposta de intervenção recebe 120 pontos, uma vez em que há a presença de apenas 3 dos 5 elementos exigidos nesta parte do texto.
Nota final atribuída pelas corretoras: 760
Viu? E você aí achando que o ChatGPT é melhor em absolutamente tudo, rs.
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