
Legaltech: tecnologias que estão inovando o setor jurídico
Giovana Murça | 18/01/26Entenda o que é legaltech ou lawtechs, como funcionam e como essa tecnologia está transformando rotinas e carreiras no Direito
Entenda o que é legaltech ou lawtechs, como funcionam e como essa tecnologia está transformando rotinas e carreiras no Direito
Em resumo:
O sistema judiciário brasileiro fechou o ano de 2024 com mais de 80,6 milhões de processos pendentes — um número que, por si só, evidencia o cenário de lentidão estrutural da Justiça. Diante dessa realidade, surgem soluções tecnológicas conhecidas como legaltechs.
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Inspiradas pelo avanço de outros setores, como as fintechs no setor financeiro, as legaltechs combinam inovação, inteligência artificial, análise de dados e automação para transformar rotinas jurídicas, facilitar o acesso à justiça e modernizar práticas ainda marcadas por burocracia e processos manuais.
Neste texto, saiba o que são as legaltechs, como elas atuam, quais seus impactos e por que têm ganhado espaço no mercado brasileiro.
O termo legaltech, também chamado de lawtech, é utilizado para definir o uso de tecnologia no desenvolvimento de soluções voltadas à modernização de serviços jurídicos.
São plataformas, softwares e sistemas criados para automatizar tarefas, otimizar fluxos de trabalho e reduzir a burocracia em atividades ligadas ao Direito. Essas ferramentas atendem tanto escritórios de advocacia e departamentos jurídicos quanto o público em geral.

Entre os principais recursos oferecidos por legaltechs estão a automação de contratos, gestão de documentos, jurimetria (análise estatística de decisões judiciais), monitoramento de prazos processuais, plataformas de mediação digital e ferramentas de compliance.
Segundo a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), esse mercado tem se expandido rapidamente. De 2017 a 2022, o número de empresas associadas saltou de 20 para 623, refletindo o avanço das chamadas startups jurídicas no país.
No Brasil, os termos legaltech e lawtech são usados como sinônimos. Ambos se referem a soluções tecnológicas voltadas ao setor jurídico. No entanto, em contextos internacionais pode haver uma diferenciação sutil entre os conceitos.
Segundo o The Law Society, no Reino Unido, por exemplo, legaltech costuma se referir a tecnologias desenvolvidas para apoiar o trabalho de profissionais do Direito.
Já o termo lawtech é mais amplo e inclui também ferramentas voltadas ao público final, como plataformas de atendimento automatizado, chatbots jurídicos e soluções de acesso à justiça.
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As legaltechs aplicam tecnologias para automatizar tarefas repetitivas, processar grandes volumes de dados jurídicos e oferecer suporte inteligente à tomada de decisão. Diferentemente de sistemas tradicionais, essas soluções operam de forma integrada e em tempo real, com foco em eficiência e precisão.
Entre as principais tecnologias empregadas estão a inteligência artificial (IA), usada para realizar análises preditivas com base em decisões judiciais anteriores. Outra ferramenta é o processamento de linguagem natural (NLP), que permite que plataformas interpretem e organizem textos jurídicos com mais agilidade e precisão.

Mais uma frente importante é a automação de processos jurídicos, que elimina atividades manuais e reduz o risco de erros operacionais, como a perda de prazos ou falhas em protocolos.
Além disso, a tecnologia de cloud computing, ou computação em nuvem, permite o acesso remoto a documentos e sistemas, promovendo mobilidade, segurança e colaboração entre equipes jurídicas.
Na prática, o impacto é visível: fluxos de trabalho mais ágeis, ganho de produtividade, redução de custos operacionais e maior controle sobre a gestão de informações.
A AB2L classifica as startups jurídicas em 13 categorias, que vão de analytics e inteligência artificial à proteção de dados, gestão interna e resolução de conflitos online.
A seguir, confira alguns tipos de legaltechs que se destacam no cenário brasileiro:
São plataformas que centralizam e organizam contratos, petições, procurações e outros arquivos legais, com versionamento, acesso remoto e controle de prazos.
Empresas que realizam análise estatística de decisões judiciais e comportamento de tribunais, utilizada para apoiar estratégias processuais com base em dados reais.

São ambientes digitais que possibilitam mediação e conciliação online, sem necessidade de judicialização — o que desafoga o Judiciário e acelera o desfecho de disputas em áreas como consumo, relações trabalhistas e contratos civis.
Se tratam de espaços que conectam usuários a advogados ou soluções jurídicas específicas, com base em localização, área de atuação ou urgência. Um exemplo desse tipo de lawtech é a plataforma JusBrasil, que reúne banco de dados jurídicos e também conecta profissionais a clientes.
São ferramentas que apoiam empresas na verificação de riscos legais, gestão de obrigações regulatórias e análise de terceiros. É o caso da empresa Docket, que automatiza a busca e gestão de documentos públicos para análises contratuais e compliance.
Apesar da expansão das legaltechs nos últimos anos, a adesão dos advogados ainda é baixa. Uma pesquisa da AB2L revelou que mais de 70% dos profissionais do Direito no país nunca utilizaram plataformas desse tipo, refletindo um cenário ainda marcado pelo conservadorismo e pela resistência à inovação digital.
Por outro lado, esse contexto abre espaço para novos modelos de negócio, atração de investimentos em tecnologia jurídica e maior democratização do acesso à justiça, por meio de ferramentas mais acessíveis, ágeis e orientadas por dados.
A transformação do setor exige também uma mudança de postura. O profissional jurídico que se destaca hoje é aquele que combina conhecimento técnico com visão estratégica, domínio de ferramentas digitais e abertura à interdisciplinaridade. Mais do que acompanhar a inovação, passa a fazer parte dela.
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