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Em resumo:
Os personagens do folclore brasileiro fazem parte do imaginário de muitas gerações. Quem nunca ouviu falar das travessuras do Saci, dos pés virados do Curupira ou do canto encantador da Iara? Essas figuras aparecem em livros, atividades escolares e histórias contadas por pais, avós e professores.
Além de despertar a curiosidade, as lendas ajudam a apresentar diferentes tradições, regiões e formas de compreender a cultura brasileira. Como são transmitidas principalmente pela oralidade, as histórias podem ganhar características diferentes conforme o lugar e a pessoa que as conta.
O Dia do Folclore, celebrado em 22 de agosto, é uma boa oportunidade para reunir a família e conhecer essas narrativas.
Ao longo deste artigo, pais e responsáveis encontrarão as histórias de dez personagens, curiosidades e dicas para contar as lendas às crianças de maneira leve, interessante e adequada à idade.

O folclore brasileiro reúne conhecimentos, costumes e formas de expressão compartilhados por diferentes comunidades.
Fazem parte desse patrimônio as lendas, festas, cantigas, danças, brincadeiras, provérbios, receitas e histórias transmitidas oralmente.
Essas manifestações refletem influências indígenas, africanas, europeias e de outros povos que participaram da formação cultural do país. Por isso, uma mesma narrativa pode apresentar diferenças de acordo com o lugar onde é contada.
O Dia do Folclore é comemorado oficialmente em 22 de agosto. A data foi instituída pelo Decreto nº 56.747, de 17 de agosto de 1965, que reconhece a importância do folclore para o conhecimento e a divulgação da cultura popular brasileira.
Não existe uma lista oficial ou definitiva dos personagens mais importantes. Entretanto, algumas figuras aparecem com frequência em livros, projetos escolares e histórias contadas em diferentes regiões.
| Personagem | Característica mais conhecida | Tema que pode ser explorado |
| Saci-pererê | Menino travesso de uma perna só | Criatividade e consequências das brincadeiras |
| Curupira | Guardião da floresta com os pés virados | Preservação da natureza |
| Iara | Encantadora que vive nos rios | Cuidado com as águas |
| Boitatá | Serpente de fogo protetora das matas | Prevenção de queimadas |
| Boto-cor-de-rosa | Animal que se transforma em pessoa | Cultura amazônica |
| Cuca | Criatura presente em histórias infantis | Medos e imaginação |
| Mula sem cabeça | Mula que cavalga soltando fogo | Mistério e tradição oral |
| Caipora | Protetora dos animais da floresta | Respeito à fauna |
| Lobisomem | Homem que se transforma em lobo | Transformação e suspense |
| Matinta Perera | Figura misteriosa anunciada por um assobio | Cultura popular amazônica |
Outros personagens você pode encontrar nesse conteúdo do nosso blog sobre personagens folclóricos de A a Z.
O Saci-pererê costuma ser apresentado como um menino negro de uma perna só, que usa um gorro vermelho e aparece em redemoinhos de vento. Travesso, ele esconde objetos, assusta animais e troca coisas de lugar.
Em algumas versões, quem consegue pegar o gorro do Saci pode impedir suas travessuras. Para crianças, a narrativa pode terminar com o personagem devolvendo os objetos e percebendo que uma brincadeira deixa de ser divertida quando prejudica alguém.
A história do Saci permite conversar sobre criatividade, responsabilidade e respeito pelos limites das outras pessoas.
O Curupira é um guardião das florestas, geralmente descrito com cabelos vermelhos e pés virados para trás. As pegadas invertidas serviriam para confundir caçadores e pessoas que tentam destruir a mata.
Quando percebe que os animais ou as árvores estão ameaçados, o personagem produz sons, cria caminhos falsos e afasta os invasores. Ele não precisa ser apresentado como uma criatura assustadora, mas como alguém que protege a natureza.
A família também pode conhecer mais detalhes sobre o que a lenda do Curupira ensina às crianças.
A Iara, também chamada de Uiara ou Mãe-d’Água em algumas narrativas, vive nos rios da região amazônica. Seu canto encanta quem se aproxima das águas e faz com que viajantes percam o caminho.

A aparência e a origem da personagem mudam entre as versões. Em relatos mais recentes, ela costuma ser representada como uma mulher com cauda de peixe. Outras narrativas apresentam características diferentes, ligadas às culturas locais.
Ao contar a história, pais e responsáveis podem destacar que rios exigem cuidado e nunca devem ser explorados por crianças sem a supervisão de um adulto.
O Boitatá costuma ser descrito como uma grande serpente de fogo que percorre os campos e as florestas durante a noite. Apesar da aparência impressionante, sua função é proteger a vegetação contra incêndios e pessoas que provocam destruição.
A lenda pode ser contada como a história de uma luz que vigia a mata. Quando percebe uma ameaça, o Boitatá surge entre as árvores para afastar quem pretende colocar fogo no local.
A narrativa abre espaço para falar sobre queimadas, proteção dos animais e atitudes simples de cuidado com o meio ambiente.
Na lenda amazônica, o Boto-cor-de-rosa sai dos rios durante as festas e se transforma em um homem elegante. Depois de dançar e conversar com as pessoas, ele retorna à água antes do amanhecer.
Em muitas representações, o personagem usa um chapéu para esconder uma característica que revelaria sua identidade. As versões tradicionais podem incluir temas adultos, por isso a adaptação infantil pode se concentrar na transformação e no mistério.
A história também oferece uma oportunidade para apresentar a fauna amazônica e explicar que o boto-cor-de-rosa é um animal real em perigo de extinção, diferente do personagem fantástico da lenda.
A Cuca aparece em cantigas, histórias e narrativas usadas há gerações. Sua aparência varia bastante: pode ser descrita como uma velha feiticeira, uma criatura semelhante a um animal ou uma figura misteriosa que vive distante das cidades.
Como algumas versões foram criadas para assustar crianças, vale evitar ameaças relacionadas ao sono ou à obediência. Uma adaptação mais acolhedora pode mostrar a Cuca como uma personagem que causa confusões, mas é vencida pela inteligência e pela cooperação.
A narrativa ainda pode ajudar a criança a falar sobre medos imaginários sem tratá-los como motivo de vergonha.
A Mula sem cabeça é descrita como um animal que corre durante a noite, fazendo barulho e soltando fogo pelo pescoço. A origem da transformação varia conforme a região e pode envolver castigos religiosos ou comportamentos considerados proibidos em outras épocas.
Para crianças menores, não é necessário reproduzir as partes mais violentas ou moralizantes. A história pode ser apresentada como o mistério de uma criatura encantada que percorre estradas até conseguir desfazer um antigo feitiço.
Antes de contar, é importante observar a sensibilidade da criança em relação a cenas de perseguição, escuridão e fogo.
A Caipora é outra protetora da floresta. Dependendo da versão, pode aparecer como uma menina, um menino ou uma pequena criatura que conhece todos os caminhos da mata.
A personagem protege os animais, confunde caçadores e impede a caça em excesso. Embora seja parecida com o Curupira em algumas narrativas, a Caipora costuma estar especialmente ligada à defesa da fauna.
A história pode iniciar uma conversa sobre respeito aos animais silvestres e equilíbrio ambiental.
O Lobisomem é um personagem presente no folclore de diferentes países e incorporado a muitas narrativas brasileiras. A lenda conta que uma pessoa se transforma em uma criatura semelhante a um lobo durante determinadas noites.
No Brasil, os motivos da transformação e as formas de desfazer o encanto variam conforme a região. Algumas versões são bastante assustadoras e incluem perseguições e ataques.
Para um público infantil, a história pode se concentrar no mistério da transformação e na busca por uma maneira de quebrar o feitiço, sem descrições violentas.
Muito conhecida na região amazônica, a Matinta Perera é uma figura misteriosa associada a um forte assobio ouvido durante a noite. Em algumas versões, ela se transforma em pássaro; em outras, assume diferentes aparências.
A narrativa conta que a Matinta passa pelas casas pedindo um presente prometido. Quando alguém ignora o acordo, o assobio volta a ser ouvido.
Com crianças, a história pode explorar suspense de maneira leve e destacar a importância de cumprir promessas.
A escolha depende da idade, dos interesses e da sensibilidade de cada criança. Histórias sobre proteção da natureza costumam ser caminhos acessíveis para começar.
| Perfil da criança | Lendas sugeridas | Forma de abordagem |
| Crianças menores | Curupira, Caipora e Boitatá | Destacar animais, floresta e cuidado ambiental |
| Crianças que gostam de humor | Saci-pererê | Explorar travessuras e suas consequências |
| Crianças interessadas em rios e animais | Iara e Boto-cor-de-rosa | Relacionar fantasia, Amazônia e segurança na água |
| Crianças que gostam de mistério | Matinta Perera e Lobisomem | Reduzir cenas de ameaça e criar um final tranquilo |
| Crianças mais sensíveis | Versões leves de qualquer personagem | Evitar perseguições, castigos e descrições violentas |
É importante observar as reações de cada criança durante a contação da lenda. Caso a criança demonstre medo ou desconforto, a história pode ser interrompida, explicada como uma narrativa imaginária e retomada de maneira mais leve em outro momento.
Não é necessário decorar cada detalhe. Como as histórias pertencem à tradição oral, pequenas adaptações fazem parte da própria experiência de contá-las.

Algumas estratégias ajudam a tornar o momento mais envolvente. Veja essas ideias:
✔️ Apresentar o personagem: explicar onde vive, como é sua aparência e qual é sua principal característica.
✔️ Criar um desafio: mostrar o problema enfrentado pelo personagem ou pela comunidade.
✔️ Convidar a criança a participar: perguntar o que ela faria naquela situação.
✔️ Adaptar as partes assustadoras: trocar cenas violentas por mistérios, fugas ou desafios.
✔️ Relacionar a história ao cotidiano: conversar sobre natureza, respeito, promessas ou convivência.
✔️ Comparar versões: pesquisar como a mesma lenda é contada em diferentes regiões.
✔️ Propor uma atividade: desenhar o personagem, criar um final alternativo ou encenar a narrativa.
Também é importante explicar que lendas não são relatos científicos ou históricos. Elas são narrativas culturais construídas e modificadas por diferentes grupos ao longo do tempo.
O contato com as lendas folclóricas brasileiras amplia o repertório cultural e ajuda as crianças a reconhecer tradições presentes em diferentes partes do país.
Durante a contação, elas podem formular hipóteses, organizar acontecimentos, conhecer novas palavras e perceber que uma narrativa pode ter mais de uma versão.
Desenhos, dramatizações e finais alternativos também favorecem a expressão e a criatividade.
As lendas ainda aproximam gerações. Pais, avós, responsáveis e crianças podem comparar as histórias aprendidas em épocas e lugares diferentes, valorizando memórias familiares e comunitárias.
Contar histórias em casa é uma forma importante de aproximar as crianças da cultura brasileira. Mas a escola também pode ampliar esse contato por meio de literatura, artes, música, projetos interdisciplinares e atividades que representem tradições de diferentes regiões.
Durante a escolha de uma instituição, pais e responsáveis podem observar se a proposta pedagógica valoriza a diversidade cultural, realiza projetos de leitura e inclui as famílias nas atividades escolares.
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